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quinta-feira, 15 de abril de 2010

VOAR E PLANAR

Voar faz pensar em liberdade, em percorrer distâncias sem obstáculos, em rapidez.
Habitualmente é assim que vemos os pássaros: apressados, com bateres de asas frenéticos, em voos irrequietos, de uma árvore para outra ou para um beiral de telhado; ou o mergulhão, do alto do seu voar a picar, em velocidade estonteante, sobre o peixe que se esconde dentro de água, mergulhando certeiro sobre o alvo...
Também os aviões a jacto, se avistam como um ponto brilhante rapidamente se deslocando no céu claro, deixando um trajecto de riscas brancas, como um fumo que se vai diluído no azul do infinito.
Voar é uma palavra curta e rápida que sugere velocidade -"vou num vôo",  num instante -, mas voar pode não ser só pressa, voar pode querer dizer, também, ter tempo, olhar com cuidado e atenção, admirar longamente no tempo. E, para voar com tempo, é necessário encontrar a palavra mais adequada, que sugira, precisamente, esse vagar... daí o planar.
As rapaces, como as águias, os milhafres, o açor, planam na procura do alimento vivo que se esconde no restolho da planície, assim com plana o condor nas suas horas de tranquilidade, quase sem um bater de asas, nas arribas alcantiladas dos Andes, ora subindo, ora descendo, num aproveitar sereno das correntes de ar junto às montanhas.

Tanto do alto de Monsaraz, como de Marvão, tanto do Pão da Açúcar, como do alto da Pedra da Gávea, em São Conrado, é possível ver as aves de cima, ver o seu dorso e o seu planar tranquilo: sejam águias, gaivotas, milhafres ou corvos, é um encanto observá-las no deleite do seu passeio aéreo.
Quanto eu não gostaria de possuir asas que me deixassem ir assim? Não como as do Ícaro, mal concebidas, não pela ambição de voar alto, apenas pela sensação boa que é de vaguear por ali, horas quase esquecidas, a contemplar a floresta, os cumes, as casas a pontearem no verde das planícies, os caminhos que unem vidas.


Claro que, para se sentir, é preciso experimentar pormos-nos na pele ou nas penas do pássaro e afrontar o abismo que, aparentemente, está à nossa frente. Quem diria que me ia dar a mania de voar assim!



Nada como tentar... Barra da Tijuca e São Conrado, Pedra da Gávea,  Praia do Pepino, favela da Rocinha, o partir e o voar em liberdade, desafiando  a gravidade, e depois planar olhando a terra, de cima, como pássaro errante, sem ruídos, apenas uma suave brisa tropical acariciando o rosto enquanto se flutua cercado por cenários fantásticos: floresta tropical, picos rochosos como a Pedra Bonita, a Pedra da Gávea e os Dois Irmãos a emoldurar o Oceano. Depois o suave pousar nas areias quentes e convidativas da Praia do Pepino.

Voar é bom, leva-nos aos destinos que escolhemos, transporta-nos para longe, com rapidez.

Planar é diferente, é viciante, é tranquilo. Planar  é apaixonante, sempre!

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