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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O GALO DE BARCELOS E SANTIAGO DE COMPOSTELA

É uma lenda, uma história que se conta, provavelmente sem fundo de verdade, provavelmente também, uma história verdadeira que o povo soube transmitir através da tradição oral.

Segundo a lenda do Galo de Barcelos, os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um crime, do qual ainda não se tinha descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. Apesar dos seus juramentos de inocência, dizendo que estava apenas de passagem em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento duma promessa, as autoridades resolveram prendê-lo.


Condenado à forca, o homem pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou: "É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem." O juiz ignorou o apelo, mas quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. 



Compreendendo o seu erro, o juiz correu e mandou soltar o homem imediatamente e foi mandado em paz. 

Alguns anos mais tarde, o galego teria voltado a Barcelos para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a São Tiago, monumento que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

CARPE DIEM

Resolveu não fazer nada nesse dia. Fechou-se em casa e, por ali ficou!

 Tinha necessidade de um dia em que não fizesse nada, mesmo nada. Deixou-se ficar pelo sofá, com a televisão ligada, os jornais ali ao lado, a lareira acesa a aquecer e a compor o ambiente, a caneta para as palavras cruzadas e o Sudoku, mais nada!

Aconchegou-se no seu canto, meio enrolado, e foi fazendo "zaping" até encontrar um daqueles programas sobre a natureza e que  tanto gosta.

Tinha tido uma semana de muito trabalho, de muito "stress", de muitos problemas profissionais, reuniões decisivas... De tal modo que, do alto dos seus já longos anos de vida, resolveu dedicar um dia a si próprio, sem nada que o incomodasse, um dia em que lhe desse para fazer o que bem lhe apetecesse, poder ir a um cinema ou a um teatro, um dia para ir à praia, agora não, mas no tempo quente, ou, até, ir à Trindade comer aquele bife que tanto gosta: com o molho à café, o ovo a cavalo e as batatas fritas de palitos grossos, estaladiças a fazerem-lhe crescer água na boca.

O pensar no bife abriu-lhe o apetite, quase que o pôs como ao cão do Pavlov, a salivar, tentou aguentar-se ali, no conforto do sofá e da lareira, mas não resistiu, foi buscar o capote de alentejano, pôs o chapéu, meteu-se no carro, e por aí foi, até Lisboa, para comer o seu bife e beber a cerveja, indispensável; a seguir foi ao cinema e assim, quase num mesmo dia, ia esgotando os seus propósitos de um dia só para si!

sábado, 29 de janeiro de 2011

TEMPORAL

Soube bem assistir à tempestade; da janela via o castelo ao longe, a igreja do outro lado e o céu negro, preto mesmo, com a chuva a cântaros, o vento e as rajadas a turvarem a visão, e a trovoada, os raios e os trovões a imporem um misto de temor, de respeito e de impotência.

Naquele dia, de pausa de vida, de tranquilidade interior, de descanso intelectual, aquela tempestade apareceu-lhe como um espaço/momento propício para fazer uma catarse das suas vivências, uma reflexão de momentos de vida e uma perspectivação de futuro.

O dia tinha acordado frio e ventoso, um dia de um inverno, de um Janeiro típico; lá ao longe as nuvens acastelavam-se em amontoados pretos, de volume assustador, rápidas na junção, ameaçadoras, com cordas negras que as ligavam ao chão. A chuva grossa ia enchendo as ruas de riachos de água, ensopava a terra, molhava o dia e escorria em lágrimas grossas  pelos vidros daquela janela enorme.

Arrefecera bruscamente e apetecia um casaco de malha grossa e uma bebida quente no bar do hotel. As paredes e portadas de vidro que davam para o jardim deixavam assistir ao espectáculo do temporal e ali, sentado no isolamento dos seus pensares, deixava a mente divagar sobre a vida, questionar-se sobre o futuro, encontrar momentos de paz, de tranquilidade, quase de prazer.

O chá verde com menta, acompanhou-o na vivência daqueles momentos... 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DOWNLOAD

Não conseguia atinar com a solução do problema, não sabia como resolver a questão, tinha dúvidas, tinha experimentado da maneira intuitiva mas não percebia para que servia, nem como o fazia.

Tentou de várias maneiras, experimentou repetir os exemplos demonstrativos, mas não dava, não entendia mesmo.

Era sempre assim, isto de computadores, de programas, de informática, não era muito com ele. Gostava mais de papel e lápis, da borracha, de livros de consulta, de dicionários. Escrevia tudo num caderninho e assim não se esquecia do que tinha a fazer, nem do que tinha feito.

Mas agora o problema era outro: tinha que acabar o trabalho, faltava-lhe a solução, uma só palavra e ficava tudo resolvido.

Teve uma ideia, telefonar ao Sequeira, um barra em informática e pedir-lhe ajuda.

Simples, disse ele, vais ao programa e fazes o download.

É verdade, simples, estava tudo lá.

Faltava a palavra mágica, DOWNLOAD.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MADE IN CHINA

Carregou na tecla e nada. Nem um "pi", nem uma mudança de imagem, nem uma vibração.

Estranho, aquilo não funcionar! Tinham-lhe dito que nunca se avariava, garantidamente! Tinha acabado de o receber! Mas a verdade é que não funcionava! O visor apagado, as teclas sem som, nada... como um ser inanimado.

Bem, ser não era, porque não era um ser vivo, era mesmo um objecto, feito na China - "made in China" - uma cópia perfeita do original, as mesmas etiquetas, as mesmas nervuras, o mesmo software. Não havia diferenças. Apenas o toque, ao tacto, notava-se que era de qualidade diferente, não tinha aquele toque macio e suave do original, mas um sentir ligeiramente mais áspero. De resto... não havia diferença. A não ser o facto de estar avariado, agora, precisamente na altura em que ia precisar dele... Bolas!

O problema é que não tinha como mandar reparar, tinha encomendado pela net, tinha vindo pelo correio e fora-lhe entregue em casa. 

Resolveu ir à loja do original, a contar o problema, mas fazendo de conta que lho tinham oferecido, vindo  dos Estados Unidos. O recepcionista observou-o, ligou o pequeno botão lateral e abriu normalmente, aquele "tlá lá lim" (ou não fosse chinês) de abertura, o visor colorido a mostrar aquela fotografia da Grande Muralha, e as teclas a fazerem o "pi" característico. 


Tão simples, aquele botão ali de lado, não tinha reparado nele... também nunca tinha lido as instruções... é que vinham em chinês! 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O CHEQUE

Demorou a pagar, foi preciso muita insistência, mas pagou. Uma nota pesada!

Veio sob a forma de cheque, um cheque  cinzento, com as letras do nome do banco, no cimo, bem vermelhas e gordas. Mas o que interessava, mesmo, era a importância, o que estava manuscrito com letras pretas, o numerário, o valor inscrito, aquele dinheiro que estava à espera fazia tempo.

Agora podia satisfazer os desejos de realização da viagem há tanto sonhada, podia avançar nas prestações do carro e, ainda, pôr algum dinheiro a render.

Até parecia um sonho... nunca pensara que isto ia acontecer, com tanta burla, trafulhice e desonestidade por aí, receber este cheque estava fora das suas esperanças. Claro que, no fundo, sempre imaginara um dia vir a receber o dinheiro mas, quando caía na real, essa ideia desvanecia-se  e tudo voltava ao mesmo, à mesma certeza de que nunca mais ia ver aquele dinheiro.

Mas, desta vez, enganou-se. Tratou logo de assinar o cheque, de colocar o número da conta, e preparar-se para ir depositá-lo no banco, sem perdas de tempo. Quanto mais cedo o fizesse mais cedo teria o dinheiro disponível.

Para que não o perdesse resolveu ficar como cheque na mão, bem preso, bem agarrado. Só o largou quando o despertador tocou e abriu a mão para parar aquele som maldito, aquele som que o acordou... de um sonho ricamente maravilhoso!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

DOR DE GARGANTA

Acordou com dor de garganta. Custava-lhe a engolir, sentia uma dor forte, como se tivesse vidros, um arranhar, a sensação de que o pescoço estava inchado, a tosse seca, persistente, e os espirros, em catadupas.
Febre? Não sabia, não tinha o termómetro à mão, mas sentia-se muito quente.
Levantou-se da cama, procurou a lanterna e foi ver o fundo da garganta ao espelho: uma placa branca num fundo vermelho escuro, com péssimo aspecto.
Anginas! Se fosse médico diria amigdalite... era assim que dizia o Dr. Bernardo, quando era miúdo e ia lá a casa ver-lhe a garganta dorida.
Sabia que tinha um termómetro na gaveta dos remédios. Ainda era daqueles de mercúrio, daqueles que era preciso sacudir com força para meter aquele líquido prateado na bolsa de vidro e que, depois, metia na boca, debaixo da língua, um minuto. Marcava 38,6º C, um febrão... como antigamente, quando era mais jovem e tinha que levar as injecções de Penicilina. E se doíam! Era como espetarem-lhe vidros nas nádegas, e aquele rabo que ficava dorido durante dias.

Achava que devia ir ao médico, ou melhor, chamar um médico a casa. Tinha o seguro, e havia de servir para isso. Não estava bem... a dor, a febre, os vidros na garganta, a tosse, os espirros.

Lembrava-lhe o episódio do mês passado, quando o carro antigo, no esforço sublime da subida imensa daquela serra, começou a ferver, a espirrar aquele vapor todo do radiador, num espasmo de tosse.

Nessa altura ligou para o seguro e, em menos de uma hora, lá estava o mecânico e o reboque.

Agora era quase o mesmo, o carro a ferver e a febre, o mecânico e o médico, e a espera... como se o seu corpo fosse um carro a tossir e a espirrar o ferver do radiador. Só esperava que o médico não trouxesse o reboque!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CURIOSO

Curioso como o dia correu com toda a normalidade.

Falou-se do frio, do inverno chuvoso, das gripes, dos sem abrigo que agora passam pior, das obras quase eternas da Duque d'Ávila, do piso enlameado...

Curioso o dia, porque ninguém falou de eleições, da vitória do Cavaco, do sucesso do Nobre, da surpresa do Coelho, da estrondosa derrota do poeta.

Como uma forma de pudor, de compromisso, de satisfação disfarçada, de conforto estável, de um deixar tudo na mesma.

É... foi curioso, o dia.

domingo, 23 de janeiro de 2011

FICOU TUDO EM CASA

Acabaram de sair os resultados oficiais.

O Cavaco ganhou, como se esperava, como diziam as sondagens, porque não havia outra solução. Ganhou bem! Pôs o segundo classificado a uma distância enorme.

O Alegre sofreu uma derrota memorável, não só ele mas também o partido dos socialistas e o movimento dos bloquistas, "soit-disant", de esquerda. Foi um arraso... tudo junto não chegou aos 20%. Não sei se o sócratres ficou contente (nunca se sabe o que vai naquela cabeça), mas o Hotel Altis e aquela massa de gente estava, mesmo, bastante combalida.

O Nobre foi outro ganhador. Não tinha qualquer apoio partidário, nenhuma máquina por trás e ficou em terceiro lugar!

O candidato comunista, o Lopes, ficou no lugar habitual do PCP, em quarto, sem novidades.

O Coelho da Madeira ainda chegou aos 4,5% e sacou o segundo lugar na Madeira.

O Defensor das causas perdidas, o dos agrumes, ficou-se pelos 1,57%, os votos dos fieis de Viana do Castelo e pouco mais.

Em conclusão: o Cavaco ficou em casa, não há dúvida, mas nada ficou na mesma. A derrota do candidato dos socialistas e dos bloquistas, com menos de 20%, vem modificar muito o espectro de forças e da política neste país. 

Mas, na realidade, quem ganhou, quem ganhou, mesmo, foi a abstenção... e não era preciso ser adivinho!

sábado, 22 de janeiro de 2011

PREVISÕES

Agora não se pode falar de Presidenciais, de sondagens, de candidatos. Estamos em período de reflexão.

E haverá alguma coisa para falar?

Há um candidato que se acha a pessoa mais honesta do mundo, que acha que todos vão ter que nascer duas vezes para serem mais honestos do que ele, mas que se esqueceu de dizer que conseguiu negócios de favor que nenhum outro português honesto e trabalhador consegue - pelos vistos o problema não é  o de uma questão de honestidade, mas de má memória -; há um outro, que é um bom poeta, um bom escritor e que se diz um sonhador, mas é um político que pertence a um partido que nos levou à miséria, que votou todas as decisões que agora nos comprometeram e nos vão manter, durante anos,  agrilhoados e  que também é apoiado por grupos de esquerda que nada têm a ver com a realidade deste país; mais um outro candidato que podia ser um outro qualquer escolhido pelo PCP, com o  mesmo discurso de pacotilha de comunistas ortodoxos - ainda se usa? -; mais um outro que diz não ser alinhado em partidos, que luta por causas humanitárias, e que se devia preocupar em ir roubar o pedaço de pão ao bico da galinha para dar ao miúdo faminto que encontrou em África; outro, ainda, que se julga senhor do feudo de Viana do Castelo, que acabou por lá com uma das tradições mais profundas do povo português, as touradas, sem se preocupar em perguntar democraticamente ao povo se o queria ou não, e  também é deputado do partido dos socialistas, que votou as mesmas leis que o poeta, lá detrás, também votou; finalmente, o Coelho, saído de uma cartola madeirense e que funestamente se transporta num carro funerário, quando o  devia fazer numa ambulância do INEM, porque, este povo, apesar de estar quase moribundo, ainda não morreu.

Por isso, a votação se torna difícil, hesitante e complexa, tal a categoria dos apresentantes. Quase apetecia dizer: venha o diabo e escolha! Mas o problema é que nós já estamos a viver um inferno de vida, já não precisamos do mafarrico!

Mas há sempre uma forma, uma solução, que é a de não nos reconhecermos em qualquer um destes candidatos...  e, por isso há sempre um recurso, o recurso ao voto em branco.

De qualquer modo não são precisas muitas previsões ou sondagens: sabe-se  quem vai ganhar, ou nos vai fazer perder... é a ABSTENÇÃO  que, não sendo um voto em branco, mostra  ser mais um sinal de apatia, de desinteresse ou do não se acreditar mais nesta forma de democracia.

Amanhã veremos...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

LAMENTO

"Pátria sem rumo, minha voz parada
Diante do futuro!
Em que rosa-dos-ventos há um caminho
Português?
Um brumoso caminho
De inédita aventura,
Que o poeta, adivinho,
Veja com nitidez
Da gávea da loucura?

Ah, Camões, que não sou, afortunado!
Também, desiludido,
Mas ainda lembrado da epopeia...
Ah, meu povo traído,
Mansa colmeia
A que ninguém colhe mel!...
Ah, meu pobre corcel
Impaciente,
Alado
E condenado
A choutar nesta praia do Ocidente..."

(Miguel Torga - Lamento - Chaves, 11 de Setembro de 1975)

Portugal, 21 de Janeiro de 2011
- ante-véspera das eleições para o Presidente da República.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ETERNIDADE

"A vida passa lá fora,
Ou na pressa de uma roda,
Ou na altura de uma asa,
Ou na paz de uma cantiga;
E vem guardar-me num verso
Que eu talvez amanhã diga."

(Miguel Torga - Eternidade - Coimbra, 4 de Outubro de 1945)

Eu não sei se saberei
Guardar o verso da vida
Pois não sei se calarei
O que a vida quer que eu diga...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O ELÉCTRICO 28

Parte do Martim Moniz, sobe a Almirante Reis, vai a Sapadores, passa pela Graça, rodeia o Castelo por São Tomé, encosta-se à Sé, deixa vislumbrar o Tejo perto do miradouro de Santa Luzia, desce até à rua da Conceição, atravessa a Baixa e as ruas da Prata, Augusta e do Ouro e começa subir para o Chiado pelo Largo das Belas das Artes. No Chiado cumprimenta os dois maiores poetas, o Pessoa e Camões, entra no Calhariz e vai pela calçada do Combro, até chegar a São Bento, passa mesmo ao lado da Assembleia da República quando começa a subir a calçada da Estrela, até chegar ao largo da Estrela onde tem, à direita, o Jardim e, à esquerda, a Basílica, depois sobe a Campo de Ourique e termina a viagem no Largo dos Prazeres, à porta do Cemitério com o mesmo nome.

Aí, sai e, se quiser fazer a viagem em sentido inverso, é só colocar-se na fila e pedir o bilhete de volta, para o Martim Moniz!



No seu percurso passa perto de dezassete igrejas, nove museus e casas de cultura, passa pela Feira da Ladra, por três cafés marcantes da cidade (o Martinho da Arcada, a Brasileira do Chiado e a pastelaria Bénard), quase se cruza com o Elevador de Santa Justa e com o Elevador da Bica. O Teatro Nacional de São Carlos, a Ópera de Lisboa, também fica no seu trajecto.

Mais do que um meio de transporte, o 28, é um ícone vivo e em movimento desta cidade de Lisboa, é uma atracção turística mas, sobretudo, uma forma de  cultura em movimento, sobre carris, e é ecológica.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

FARRA

Chegou a casa de madrugada. A noite tinha sido de farra, uma despedida de solteiro, de um amigo de escola, companheiro de aventuras, um amigo que ficou para a vida, o seu melhor amigo!

Quando chegou, casa estava fria, desconfortável e ele, ainda com o sabor do último Gin e a sentir o corpo mole, entorpecido, ligou o aquecimento, envolveu-se na manta de quadrados e semi-deitou-se no sofá diante da televisão apagada. Pegou no comando, carregou no botão, mas não deu por mais nada: adormeceu repentina e profundamente. 

Ali ficou, de corpo dobrado e enrolado, até que a claridade forte da manhã o despertou. A cabeça zonza, o corpo dorido, os olhos embaciados, o pensamento turvo...

Levantou-se, cambaleou, tentou pensar direito sem conseguir e dirigiu-se ao quarto, abriu a cama, e foi acabar o resto do sono no conforto do colchão macio e no calor do edredão quente...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ISAÍAS 61

Sempre ali, a olhar para ele, como um guarda, um vigilante, um espião. 

Levantava a cabeça e aquele olho, ali, quase à altura dos olhos, a olhá-lo. Um olhar parado mas vivo, um olhar fixado mas cheio de movimento, um olhar negro mas cheio de cor.

Até gostava do peixe, tipo peixe tropical, amarelo com riscas pretas, ou preto com riscas amarelas, não sabia; mas como tinha mais amarelo que preto era natural que fosse amarelo com riscas pretas.

                              (Isaías 61 - autor V. Madruga)

O fundo onde se encontrava também era preto, numa monotonia de preto e amarelo. Mas gostava do quadro que tinha uma mensagem escrita em letras ténues, num cinza desmaiado, tornando a leitura difícil, mas não impossível; um salmo do Profeta Isaías, o 61, que começa assim: "O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas..."

Mudou o quadro de sítio, agora está noutra parede, a olhar directamente quem entra pela porta da entrada.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DOMINGO CALMO

Passou um domingo calmo e tranquilo. Saiu cedo de casa e foi passear até ao Castelo.

Dali, do alto daquelas muralhas, via o casario em socalcos, como degraus de uma escada, a chegar ao rio, a chegar ao Cais das Colunas, a molhar os pés no rio grosso e castanho  das chuvas e inundações dos últimos dias.

Mas hoje o sol, finalmente, tinha conseguido romper as nuvens e o nevoeiro espesso dos últimos dias.

A cidade, ainda meio adormecida nessa manhã de domingo sereno, mostrava uma mescla de cores e de tons que lhe fazia lembrar uma aguarela de Botelho. 

 (Lisboa e o Tejo ao domingo - Carlos Botelho)

Ali ao lado, outros passeantes apreciavam aquela paisagem única. Todos levavam as  suas máquinas fotográficas, prontas a captarem aquelas imagens deslumbrantes.

E ele que se tinha esquecido da sua!

Fotografou-as na memória e nas recordações desse Domingo Calmo. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

CONGO-KINSHASA

Descobri que o Blogue tem estatísticas. Estatísticas sobre quem  acede ao blogue, permitindo saber o número de pessoas que diariamente ali vai, fazendo um cômputo da semana, do mês e da totalidade de acessos, através de que fontes de tráfego elas acedem, quais as mensagens mais vistas, e qual o local onde estão essas pessoas.

Quanto às mensagens, é a da Fita do Senhor do Bonfim a mais visualizada, seguida do Voar e Planar, depois o Presépio (ainda associado à época natalícia), o Fernão Capelo Gaivota e, em quinto lugar, as Cerejas.

Em relação aos países, as estatísticas mostram que Portugal e o Brasil são os países que mais visitam o blogue; muitos outros da Europa, os Estados Unidos,  alguns países da América do Sul e da Ásia, mas de África só um país: o Congo-Kinshasa. Nada de Angola, ou de Moçambique. Porquê o Congo? Esta semana já fui visitado 5 vezes; claro que  também, às vezes, se passam semanas que não sou visitado. Imagino quem possa ser: algum português perdido no mato que, quando vem à cidade, mata saudades do seu país? Alguém que tem amigos portugueses e gosta de lá ir? Pessoal da Embaixada ou do Consulado?
Não sei...
Apenas sei que gostaria de agradecer ao leitor, ou leitora, anónimo(a), que, de um país tão longínquo, tem a paciência de me ler e, pelos vistos, com gosto porque, doutra maneira, não me leria com esta regularidade.

Obrigado, amiga ou amigo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

COMUNICADO

"Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem que ninguém lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair."

(Miguel Torga - in Antologia Poética - Coimbra, 18 de Abril de 1961).

Tão presente, tão actual,
Tão verdadeiro.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

LIVRO BRANCO

Tinha-o levado na viagem.

Sem nada escrito, com as folhas todas em branco, sem quadrículas ou pautas.

Assim podia escrever a direito, em diagonal ou na vertical, podia fazer desenhos, anotar indicações ou trajectos... o que quisesse.

Logo no primeiro dia, já sentado na cama, começou a escrever o seu diário de bordo, o percurso seguido, os locais onde parou para comer, as zonas com vistas bonitas, os percursos que fez a pé, os pratos típicos, os queijos e os vinhos da região. Era um amante de queijos e não perdia uma prova nos diferentes locais onde houvesse uma degustação. E ia anotando tudo: os queijos de vaca, os de ovelha, os de cabra, os de gosto forte, os de cheiro mais intenso, os de massa fina e branca, os mais granulosos, os com bolores, etc... um mundo de queijos em locais onde a variedade abundava, onde cada terra tinha o seu tipo de queijo.

Ainda lhe deu para fazer um desenho da paisagem avistada da janela do quarto. O rio quase a seus pés, a montanha gigantesca à sua frente, a subir suavemente de início, mas a verticalizar-se à medida que o olhar ia alcançando o caminho do céu, que começava a cobrir-se de nuvens. As luzes das casas a pontilharem a paisagem feita de pastos, separados por cercas naturais.

As fotografias que fora tirando eram, agora, anotadas no livro para, assim, as poder referenciar mais tarde.

E assim foi fazendo, diariamente, na hora de deitar, anotando e escrevendo tudo o que tinha achado interessante.

Quando chegou ao fim da viagem viu que tinha o livro quase todo escrito, com muitas anotações e alguns desenhos.


Vai deixá-lo assim, a recordar uma boa viagem, percursos deslumbrantes, lugares que nunca visitara, meio rascunhado, com rabiscos e desenhos toscos, com aspecto de inacabado... 

É que uma viagem tem sempre um começo, mas nunca se sabe quando acaba!

...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O DESPERTADOR

Costuma levantar-se cedo. Habitualmente, o despertador dispara o alarme às cinco horas da manhã, num Tac Tac discreto que vai aumentando a sonoridade e a frequência se não é desligado a tempo.

A maior parte das vezes nem o deixa dar qualquer sinal: acorda uns cinco minutos antes e desliga o alarme, o que lhe dá alguns minutos de cama, meio acordado meio a dormir e, depois, levanta-se na hora certa.

Levanta-se ainda a tempo de ouvir o noticiário das cinco: as notícias sobre os mercados financeiros que sobem o juro da dívida, os mortos nos acidentes do fim de semana, as inundações por toda a Europa e Austrália, o tremor de terra nas Filipinas, a campanha eleitoral, os comícios, as sondagens...

É quase sempre assim que começa o dia, a ouvir as desgraças,  os horrores, as previsões funestas...

Começou a ficar farto daquelas notícias, logo ao acordar, a deixarem-no triste e angustiado, e decidiu acabar com aquilo.

O despertador acorda-o, na mesma, à mesma hora, o rádio, agora, é que mudou de sintonia, está na RSM (Rádio Só Música) a Rádio que, como diz o "slogan": só  dá música, sem palavras... 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

VIAGEM

"Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho..."

Longe como a vida a atravessar,
Distante como o caminho a percorrer,
Mas olhando em frente, sem parar...

"... 
O que importa é partir, não é chegar."

(Viagem - Miguel Torga - Antologia Poética).

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DESILUSÃO

Tinham-lhe prometido que iria à Festa, tinham-lhe prometido que, se ganhasse o título de Rainha da Festa, ganharia uma coroa feita de flores, tinham-lhe dito que, certamente, ela iria ganhar porque era a mais bonita, a mais bem vestida, a com o sorriso mais encantador, a menina do chapéu mais giro, a...

                                            (Funchal - Ilha da Madeira - 2004)

Ficou entusiasmada, convencida e sonhou, naquela noite, na coroa, nas alegrias, nos risos, nos beijos que iria receber, nas felicitações...

Em todas as casas, onde havia outras meninas candidatas a Rainha da Festa, a conversa, as promessas, os dizeres tinham sido parecidos, se não, os mesmos. E todas a entusiasmarem-se, a se convencerem, a sonharem...

Na altura certa, na hora da eleição, quando só uma ganhou, a desilusão estampou-se no rosto e no coração de todas as outras. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

A GARÇA

O dia amanheceu como tem sido costume: a chover, ventoso e frio... de perfeito inverno.

Abriu a janela do quarto para deixar entrar um pouco mais de luz e do fresco daquela manhã. Foi nessa altura que a viu. Ali à beira do tanque, aquele tanque grande onde os seus peixes, que lá colocara há uns anos, foram crescendo e originando gerações de peixes que foi distribuindo por outros tanques.

Mesmo à beira do tanque grande, a olhar fixamente para aquela água tranquila, ela, como uma estátua que, num repente, num ápice, mergulha o bico comprido naquela água parada e, ao voltar, traz um peixe, bem gordo e vermelho... um a menos dos poucos que ainda restam.

Satisfeita a gula, lá vai, no seu voo pausado e tranquilo até voltar a ter fome ou a haver peixes no tanque.

O gato não tem potencial para aquela ave enorme e nem se aproxima. Ele, que não perdoa um pássaro, prefere não competir com aves daquele porte.

Sabe que, quando não houver mais peixes, vai deixar de ter a visita daquela ave elegante mas devastadora... que, tão bem, ilustra o dilema do bem e do mal, do belo e do feio...

sábado, 8 de janeiro de 2011

O PORTÁTIL

Passou a tarde agarrado ao telemóvel, eram mensagens, eram telefonemas, eram lembranças de reuniões, eram mails que tinha que enviar e receber, foi uma tarde de loucura.

O prazo a aproximar-se e ele sem computador... uma avaria irreparável no curto prazo, a impossibilidade de transferir a informação para outro computador, e ele, de pés e mãos atado, só com o telemóvel.

Não imaginava quão importante aquele portátil se tornava naquele momento... sinal da dependência das máquinas!

Até o blog saiu curto!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PEIXE ASSADO

Foi num jantar de diplomatas. Ele tinha ajudado o embaixador numas questões de heranças e de terrenos de família e este achou, por bem, convidá-lo para um jantar de Reis que ia oferecer a alguns diplomatas e banqueiros.

O convite era bem explícito: o Senhor Embaixador tem a honra de convidar V. Ex.ª para o jantar a realizar-se no dia 6 de Janeiro, dia de Reis, na sua residência no 202 da Avenue de la Poissonerie, Paris, junto à Place des Voges. Um número de porta que lhe trazia reminiscências dum outro jantar, num outro 202, com outros personagens, estes de ficção.

A festa elegantíssima, com a fina flor da diplomacia, vestidos compridos, decotes a condizer, muito fumo de charutos havanos, champagne a escorrer nas flutes e os criados de libré a passarem, o caviar Beluga, os salgados de lagosta, o foie-gras e o Sauterne, o queijo derretido com nozes e mel, numa ostentação de fazer corar a crise e as restrições... Dissera-lhe, o Embaixador, em tom quase confidencial, que era preciso apaparicar bem aqueles diplomatas e  banqueiros pois eles é que influenciavam a economia e as tendências da política empresarial...

A mesa, imensamente comprida, decorada com candelabros de doze braços, com velas imaculadamente brancas, aguardava que os convidados se sentassem e fosse servido o consomé de bisque d'hommard. O Embaixador, ao fazer o brinde de boas vindas, de bom ano novo, anunciou que o rei do jantar, ou não fosse dia de Reis, era um peixe preciosíssimo, peixe raro, pescado na Dalmácia, um peixe enorme que era capaz de satisfazer o apetite daqueles trinta convidados especiais. É que o peixe não tinha tamanho para mais bocas, gracejou.

A travessa, transportada por dois criados, deu a volta à mesa para que o peixe, descomunal, pudesse ser apreciado por todos e, depois, colocado numa mesa à parte a fim de ser servido já no prato. E foi depois de dada a volta à mesa que o empregado da frente tropeça na franja da carpete, ainda se tenta segurar nas costas da cadeira da embaixatriz do Japão, sem sucesso, e se estatela, ele, a travessa com o peixe e o outro empregado que, desapoiado, se desequilibrou também... um imenso oh oh oh de lamentos, uma grande inquietação e um profundo pedido de desculpas do Embaixador.

Entrou-se no prato de carne, um roast-beef com batatinhas mousseline e confit de champigons.

Um resto de jantar sem outra história a não ser a quase repetição do episódio em casa de Jacinto no 202 dos Campos Elísios...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DIA DE REIS

Finalmente os Reis chegaram - o Baltazar, o Gaspar e o Melchior ou Belchior - trouxeram os presentes ao Menino e, a partir desse momento, tornaram o Natal  uma celebração comercial.

Em Espanha, hoje, dia 6 de Janeiro, é o dia em que se trocam as prendas de Natal, o que é mais lógico. Têm mantido afastado o espírito do Natal do das compras e das prendas.

Em Portugal, antigamente, também era assim, mas as influências francesas e inglesas na nossa cultura, aproximaram a troca das prendas do dia de Natal.

Hoje é o dia em que é, quase obrigatório, comer o bolo-rei, agora já sem fava nem prendas - mais uma imposição da Europa da Comunidade a quebrar com as tradições dos povos.

Mas, apesar de as tradições se estarem a diluir numa Europa, tão variada e rica de culturas e com tantas tradições locais, em que a uniformização e a normalização vão tornando a vida cada vez mais amorfa, é bom lembrar este dia de Reis e manter o mito da sua história.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PARIS TOUJOURS

Saiu uma colectânea de canções francesas dos anos 60 e 70, de Gilbert Bécaud a Françoise Hardy, de Serge Regianni a Charles Aznavour,  de Adamo a Sylvie Vartan...

Sentiu-se transportado ao tempo da sua juventude, da sua adolescência, aos tempos da Praia das Maçãs e da Figueira da Foz, às festas do Clube e do Casino, aos grupos, ao recordar de amigos de verão, a um tempo saudável da sua vida.

Eram canções que tinham  a ver com o espírito da época, que reflectiam o modo de viver da altura, que se sabiam de cor e de que ainda se recordam na quase totalidade.

Com a entrada e as apreensões deste 2011, veio-lhe à memória Gilbert Bécaud e o seu "Et maintenant... que vais-je faire? De tout ce temps que sera ma vie... Vers quel néant glissera ma vie... Je vais en rire pour ne plus pleurer... Je n'ai vraiment plus rien à faire..."

Claro que, para se entender a letra das canções, é preciso saber francês e o problema é que, agora, só se ensina o inglês técnico... "And now, what am I going to do?"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

SORRISO

Agora já sorri, já olha a vida com outros olhos, já sente alegria no viver, já se libertou do peso da angústia sobre os seus ombros.

Sente-se livre, anda contente, soube dar a mão à vida e os seus lábios já sabem, de novo, sorrir.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A CÓMODA

Descobriu-a num antiquário, ali, na rua de São Bento.

Era linda, em nogueira, estilo Dom José, com dois gavetões enormes e duas gavetas gémeas em cima. O tampo em mármore, de um rosa velho, caía bem com a cor da madeira de nogueira.




Imaginou-a no quarto, encostada no canto esquerdo da parede do fundo, diante da cama. Ficava bem, a contrastar com o amarelo ocre das paredes e o branco dos lençóis da cama.  - Sim, cama onde dormisse tinha que ter lençóis brancos. Era tão exigente nisso dos lençóis que quando ia para um hotel ou fazia uma reserva, a primeira condição era que os lençóis fossem brancos.- E ali, onde imaginava que pudesse ficar, a cómoda iria equilibrar e harmonizar os tons e as cores do quarto. No outro canto já tinha pensado em arranjar uma senhorinha em veludo, no mesmo rosa velho do mármore, e um cabide, também em madeira de nogueira, onde ele podia colocar o casaco ou a camisa que iria usar no dia seguinte.

Naquela noite, depois de um jantar romântico, à luz de  velas brancas, deitaram-se ambos na cama de ferro, de branco pintada, e feita de lençóis imaculadamente brancos, naquele quarto sem móveis onde faltava ali, naquele canto, à esquerda, ao fundo da cama, uma cómoda Dom José, com um tampo de mármore rosa velho.

domingo, 2 de janeiro de 2011

VELA PERFUMADA

Costuma acender uma vela perfumada sempre que se senta à mesa do seu escritório nestas noites de inverno. Não sabe se por causa do cheiro discreto a maçã e canela, se por causa da chama, bruxuleante e pacífica, que lhe faz lembrar o lume, forte e vivo, da lareira de casa dos seus avós.


Faz-lhe companhia nas noites de trabalho, nas alturas de mais frio e ajuda-o a vencer o cansaço do dia de trabalho. 

Provavelmente devido à magia da chama, ao sortilégio do fogo, ao mistério do lume que tanto o seduz...



sábado, 1 de janeiro de 2011

É SEMPRE ASSIM

Todos os anos é a mesma coisa: promessas, desejos, esperanças, decisões, resoluções...

É o que se costuma dizer: Ano Novo, vida nova!

Nem sempre resulta, nem sempre acontece, nem sempre se realiza... mas há sempre este renovar, muitas vezes de nada, muitas vezes para o tudo na mesma, muitas vezes para pior. 

Mas a mágica da passagem do ano continua: as passas que se comem (doze!), o espumante com que se brinda, o fogo de artifício, o barulho, o bater nos tachos para afugentar o ano velho, a mandá-lo embora para longe e a abrir as portas ao novo ano  festejando a sua chegada.

Vão ser doze meses que vão passar, céleres, com as etapas do Carnaval, da Páscoa, do Verão, e do Natal a chegarem num instante e passarem rápidas pelas nossas vidas. E como vamos nós passar por elas? Com um sorriso? Com uma lágrima? Com alegria? Com tristeza? Facilmente? Com dificuldades? Com PAZ, com ESPERANÇA, com SAÚDE? 

Espero que de melhor maneira: que cada um lute pela vida, que não desista, que saiba dar amor, transmitir paz, fortalecer as amizades, que acredite num amanhã melhor!