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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O SENHOR LUÍS

O Senhor Luís é um homem do campo! Amanha a terra, guarda o gado e, para onde vá, leva sempre o seu burro e o seu chapéu!

O Senhor Luís é bem disposto e tem sempre um sorriso estampado no rosto, mesmo quando as coisas não correm pelo melhor.

O Senhor Luís gosta do seu copo, fuma o seu cigarrito e, quando a vida lhe permite um descanso, lá vai até ao café da aldeia encontrar-se com os amigos. Falam da bola e dos golos do Ronaldo, se há uma quadra de jogadores sentam-se na mesa quadrada do canto e lá se joga uma sueca ou uma lerpa, tudo a tostões ou, se é domingo e está sol não perde uma partida de malha...

O Senhor Luís nunca larga o chapéu e só o tira diante do padre, na Igreja, do Juiz quando tem que ir pedir algum conselho e do médico quando o tem que ir visitar...

Hoje, ao ver o Senhor Luís lembrou de um autor bretão, Pierre-Jakez Helias e do seu livro "Les autres et les miens" onde o herói, também, nunca tirava o chapéu e só descobria a cabeça perante as mesmas personagens....



(DO AUTOR  - MOMENTO DE DESCANSO)



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

FLORES


"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; senão houver folhas, valeu a intenção da semente."

Henfil - Henrique de Souza Filho



(DO AUTOR - FLORES SÃO FRUTOS QUE AINDA NÃO NASCERAM)





terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

OARISTO



Passam horas a fio nisto, olhando-se de frente, olhos nos olhos, a imitarem-se... se um levanta a cabeça a outra também o faz... se uma roda a cabeça para um lado o outro faz o mesmo...

Como se, entre os dois, houvesse um espelho e a  imagem de cada um se estivesse a reflectir no outro...

Ele, o preto, o Ouriço, é o gato, o dono do lugar.

Ela, a listrada, sem nome, apareceu por acaso... atraída pelo encanto do negro? ou rendida ao prato, certo, de comida?

Houve uma, antes desta, chamada Castanha, que lhe deu filhos facilmente... E, talvez porque tudo aconteceu facilmente, não houve necessidade de grandes namoros, de seduções, de ritos ou de simbolismos...

A listrada, não! Quer ser seduzida, quer ser bem namorada... adora ser cortejada... suspira de desejo, espreguiça-se de consolo mas, não mais do que isso! Até agora, filhos?, nada!

O Ouriço olha-a e, de vez em quando, agita lentamente a cauda e ela, numa simetria de movimentos, imita-o, ele mexe a pata de uma maneira quase imperceptível e ela, quase no mesmo segundo, repete o gesto...

São dias nisto, num silêncio de gestos, de simetrias... mas hoje, diante do prato da comida deliciosamente cheio, os gestos confundiram-se com miados suaves, com murmúrios sufocados, com ronronares cantados, como uma conversa a dois, num diálogo de amor... um verdadeiro oaristo!



(DO AUTOR - O GATO PRETO E A GATA LISTRADA)


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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A BANDEIRA


Dá gosto vê-la, assim, bem aberta, desfraldada ao vento, no alto do mastro, a afirmar Portugal.

E fica bem, junto ao Tejo, a saudar quem passa, a dar as boas-vindas a quem entra e a despedir-se de quem sai...

Esta bandeira tem as sete quinas e não sete pagodes, como a que foi hasteada em Bruxelas no Parlamento Europeu.

E, de certeza que esta foi içada, com todo o respeito e cuidado, muito provavelmente, por um modesto e zeloso funcionário da Câmara Municipal e não por um Presidente da República que a içou, de pernas para o ar, nas comemorações do Cinco de Outubro passado.




(DO AUTOR - A BANDEIRA PORTUGUESA COM AS QUINAS E NA POSIÇÃO CORRECTA)



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domingo, 24 de fevereiro de 2013

JARDIM COM FLORES


"Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão!)."


Cecília Meireles, in Leilão de Jardim



(DO AUTOR - CAMPO DE FLORES NA PRIMAVERA QUE ESTÁ A CHEGAR)
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sábado, 23 de fevereiro de 2013

A RIBEIRA DE NISA



Nasce um pouco mais acima,em plena Serra de São Mamede, a Ribeira de Nisa, e vai desaguar no Tejo, perto das Portas do Ródão.

Aqui, no local de São Bento, corre cheia no inverno e quase deixa escorrer um fio de água, com uma ou outra poça, no verão.

Tem pequenos locais com sombra e temperatura amena que, na estiagem, bem apetecem!

Constitui um pequeno ecossistema que faz as delícias dos amantes da natureza.

Hoje, corria forte, com a correnteza rápida, e as águas tão cristalinas, como geladas...


(DO AUTOR - A RIBEIRA DE NISA EM SÃO BENTO)


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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

TEM DIAS



Uns de sol e calor, outros de chuva e frio, uns de primavera, outros de inverno, uns agrestes, outros amenos, uns radiosos, outros nebulosos... 

Hoje de manhã cedo, Portalegre, estava assim...


(DO AUTOR - A DESCER DA SERRA PARA A CIDADE)



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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

MANIFESTO ANTI-RELVAS


À laia do Manifesto anti-Dantas do Almada Negreiros:


Basta PUM basta!

Uma geração que consente deixar-se representar por um Relvas é uma geração que nunca foi! Um governo que tem lá um ministro como o Relvas é um governo que nunca poderá governar com decência, honestidade e seriedade...

Abaixo tudo isto!

Abaixo o Relvas, Abaixo PIM!

O Relvas é doutor porque um dia visitou uma universidade e pediu equivalência!

O Relvas saberá gramática, porque um dia viu uma na montra de uma livraria, saberá medicina, porque aplicou um penso rápido na cozinheira que tinha cortado um dedo, saberá cantar, porque deu um desconcerto da Grândola vila morena!

O Relvas quer ser o novo Papa, porque um dia foi à missa e pediu equivalência!

O Relvas nunca devia ter entrado neste Governo...

O Relvas é um habilidoso!

O Relvas veste-se mal!

O Relvas é Relvas!

O Relvas é Miguel!

O Relvas não presta...

Morra o Relvas, Morra! Pim!

(Retirado da Net)


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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

COELHINHO DA PÁSCOA


Toda a Páscoa costuma ter o seu coelhinho! 
 
Seja de chocolate, de peluche, um bolo com a forma do dito...
 
E costuma, também, ter ovos! De chocolate, dos verdadeiros, mas cozidos e pintados de cores garridas, ou envoltos em pratas com desenhos geométricos variados, ou, para os mais ricos, os célebres ovos russos de Fabergé...

Não sei esta Páscoa teremos o coelho ou os ovos. Pelo caminho que as coisas estão a tomar vai-nos restar, apenas, o Folar, não o tradicional, mas um folarzinho feito de farinha rala, pouco fermento e alguma água.

O outro coelho, que não o da Páscoa, o Coelho que nos anda a tramar, que só vê o que ninguém mais vê, que nos encarrilou numa viagem feita numa linha de bitola cada vez mais estreita, ainda não se apercebeu que, cada dia, vai sendo mais difícil o salto para a vida digna que todos merecemos. Ele que que se acautele porque se não, qualquer dia - será que chegará à Pascoa? -, quando se aperceber que se enganou no caminho e na viagem e quiser dar o pulo para fugir da cerca de arame farpado com que a troyka nos rodeou, e que ele ajudou a colocar, irá sentir, também na sua pele, as farpas do arame que o irão manter prisioneiro para o resto dos seus dias.

 
 

(DO AUTOR - APANHADO NAS MALHAS)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MIMOSAS


Fevereiro já vai a mais de meio e elas, as mimosas, aqui estão!, bem amarelas, a mancharem os montes verdes da Serra e a alinharem-se ao longo das bermas das estradas...

Mais um prenúncio da primavera que se aproxima... 


(DO AUTOR - MIMOSAS VIÇOSAS)





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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PEQUENA FLOR


"Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
E se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
Na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
E vê passarem as leves borboletas livremente,
e ouve cantarem os pássaros acordados sem angústias
E o sol claro do dia às claras estátuas beijando sente
E espera que se desprenda o excessivo, húmido orvalho
Pousado, trémulo, e sabe que talvez o vento
A libertasse, porém a desprenderia do galho
E nesse temor e esperança aguarda o mistério transida
- Assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
Há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida."

Cecília Meireles - Pequena Flor




(DO AUTOR - PEQUENA FLOR AZUL NA SERRA DE SÃO MAMEDE)

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domingo, 17 de fevereiro de 2013

INEGÁVEL



Apesar da inconstância do tempo, do sol e da chuva, do calor e do frio, da praia e do esqui, da T-shirt e do capote, a verdade é que a primavera já começou a abrir os olhos e a querer gatinhar por aí...

Os dias já estão mais longos - "Em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar" - mas a verdade é que, apesar de o sol ser bem-vindo, a chuva ainda vai fazendo falta  - "Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom celeiro"...

Os pássaros já voam por aí, a ensaiar novos cantares, as brancas asas das borboletas já saltitam diante dos nossos olhares, os amarelos das mimosas já arriscam nas bermas das estradas e em quase todas as árvores, sejam de fruto ou só de decoração, os brotos e as flores já começaram anunciar a nova estação...

"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la..." - Cecília Meireles - Primavera,  in  "Cecília Meireles - Obra em prosa".


(DO AUTOR - ALGURES EM SINTRA NUM DIA DE QUASE PRIMAVERA)




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sábado, 16 de fevereiro de 2013

ESPERANDO


Passou o Carnaval e a Quaresma entrou com a Quarta-feira de Cinzas. Agora, só faltam "quarenta" dias para a Páscoa e para o Cordeiro Pascal.

Um tempo de preparação espiritual para os Cristãos, tempo de abstinência, de jejum...

E estes dois cordeirinhos olhando e descansando na relva verde onde se alimentam, não vão chegar à idade adulta... Vão, certamente, integrar as celebrações da Páscoa e fazer parte da ementa do almoço do Domingo da Ressurreição!


(DO AUTOR - DESCANSANDO AO SOL, NA SERRA DE SÃO MAMEDE)


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A MONDA


Agora que o sol começa a aquecer a terra, que se deixa ficar mais tempo a iluminar os dias, que já nos traz prenúncios de primavera, que faz germinar os brotos, florescer as mimosas, pintando-as de bom amarelo, e crescer as ervas do campo, que se torna mais verde e mais brilhante... é a altura de afastar as ervas daninhas que, ao sugarem os nutrientes do solo, em seu benefício, vão perturbar o crescimento das searas, o desenvolvimento das vinhas...

Por isso os agricultores, preocupados com a sua terra, com as suas plantações, tratam de limpar o trigo do joio e recorrem à monda química que, de forma muito selectiva, vai matando tudo o que é ruim, deixando ficar só o que interessa. E não se faz só uma monda... é preciso, de tempos a tempos, fazerem-se novas mondas para dar cabo das plantas daninhas que, ocasionalmente, vão aparecendo...

Às vezes apetece fazer, também, uma monda nesta nossa sociedade a ver se se acabava, de vez, com a corrupção, o oportunismo, a incompetência, a injustiça, o poder podre, a mentira, a desfaçatez  que, quantas vezes, vão minar os mais jovens, os inexperientes, os fracos... mas, infelizmente, não é com mondas que se muda o homem...


(DO AUTOR - A MONDAR AS VINHAS - SERRA DE SÃO MAMEDE)


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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A VIDA É BELA?


A vida é bela?

Talvez... Se a gente não der cabo dela, ou ela não der cabo de nós...

A vida é bela...
Quando a manhã fresca nos invade de sol e de cor,
Quando a saúde nos faz esquecer a doença e a dor,
Quando a alegria apaga a tristeza,
Quando o saber se impõe à esperteza,
Quando os homens sabem ajudar e dar a mão,
Quando a honestidade se impõe à corrupção,
Quando a mentira deixa de ser verdade
Quando o amor nos traz a felicidade,
Quando o sorriso se espalha por todos os lados
Quando te der a rosa neste dia de namorados...


(DO AUTOR - A VIDA É BELA - EM CORUCHE)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

MELRICES



Não tenho galos, nem galinhas, nem nada de bichos que cantem, cacarejem ou façam outro tipo de ruído ou cantoria ao nascer do dia.

Também não preciso de despertador, nem de outro meio mecânico para saber a hora do levantar. Seja pelo relógio biológico, seja pela luz que atravessa a janela do quarto, seja pela melodia dos pássaros que acordam com o alvor dia...

Conforme a época do ano, assim, os despertares são feitos de maneira diferente... agora começaram os melros no seu chilreio próprio, no seu "chórrimmmm", mal a luz do sol começa a iluminar o dia. Um, ou dois, ou três, ou quatro vão saltitando no relvado meio queimado das geadas deste inverno. Vão comendo os insectos pelo chão, bebericando a água que corre pelos tanques, tomando o banho matinal nessa mesma água e sempre, sempre, entoando melodias que nos acordam para o dia!...

Melrices!

(DO AUTOR - O MELRO MATINAL)

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

BAILARINA


"Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Essa menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças
e também quer dormir como as outras crianças."

Cecília Meireles - A bailarina.



(DO AUTOR  - BAILARINA AQUÁTICA - ARRAIOLOS)




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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CARNAVAL



O Carnaval é cor e animação, é música, é samba, é  corso, é desfile, é ritmo e muita dança...  

... é máscara, é trapalhão, é homem vestido de mulher e polícia de ladrão...

... é feito de serpentinas, papelinhos e confetes, as meninas são princesas e os meninos valetes, é Branca de Neve com trança, é riso e alegria no olhar duma criança...

... mas também, porque o tempo piorou, pode ser feito de vento, molhado e quase perdendo a cor, ou melhor, com tons vários de cinzento, do modo como hoje o céu se pintou...

(DO AUTOR - O CÉU EM DIA DE CARNAVAL)



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domingo, 10 de fevereiro de 2013

TÉNUE FELICIDADE



"Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como uma pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento do sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como gota
De orvalho numa pétala em flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
de todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor"

Vinícius de Moraes - A Felicidade

(DO AUTOR - A BELEZA TÉNUE DUMA NUVEM)






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sábado, 9 de fevereiro de 2013

FLORINHAS


Bastaram estes três ou quatro dias de sol e o inverno transformou-se em primavera, os campos voltaram a brilhar e as plantas começaram a florir.

Aqui, o azul eléctrico destas flores pequeninas sobressai do imenso manto verde jovem que, agora, atapeta as encostas da Serra.  



(DO AUTOR - FLORES AZUIS EM CAMPO VERDE NA SERRA DE SÃO MAMEDE)


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A PRECOCIDADE DO FRANQUELIM




O Franquelim foi nomeado, há dias, Secretário de Estado do Empreendedorismo.

Passado pouco tempo depois da sua posse veio-se a saber que o Franquelim é um precoce e um artista... 

De acordo com o currículo do Franquelim, este, aos 16 anos de idade, em 1970, já era Auditor de uma empresa de consultadoria que ainda não existia nem na Europa e, muito menos, em Portugal, e que só foi fundada 19 anos depois. Aos 16 anos auditor?  Muita precocidade... Um verdadeiro artista... E,  não fora a empresa de consultadoria Ernst & Young a vir desmentir esta passagem do currículo "oficial" do senhor, engolíamos todos este assombro de precocidade e de qualificação de tal criatura. 

O Franquelim que foi, em 2008, uma das figuras grandes (um figurão) da SLN, que na altura controlava o Banco Português de Negócios, soube ocultar informações sobre o BPN que agora estão a custar cerca de 4 mil milhões de euros a todos os portugueses e que vamos ter que  pagar com sangue, suor e lágrimas... Claro que o Governo de Portugal nada disse, no currículo oficial deste senhor, da sua passagem pela SLN, com o argumento que, como toda a gente sabia, não merecia a pena pôr isso no currículo... Eu e provavelmente mais 9 milhões de portugueses não sabíamos...

Num momento de tanta crise, de tantos problemas e de tantas dívidas causadas por tantas trafulhices, roubos, corrupção, desvios de dinheiro, gestões danosas... Num momento em que o Governo pede e exige tantos sacrifícios ao povo que vai ter que pagar por isto tudo, o mínimo que se pedia a este Governo é que fosse transparente, honesto e humilde, reconhecesse os erros e demitisse quem não merece a confiança da maioria da população...

Não precisamos de Franquelins, nem de Relvados, nem de outras luminárias...

Não precisamos nem queremos... 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O VENTO


Tem sido um inverno de chuva, de vento, de frio, de constipações, gripes e outras infecções...

Desde ontem que, depois de um trégua de poucos dias em que o Sol de inverno trouxe mais luz e muita cor, o vento voltou a soprar forte, com rajadas, transportando consigo um friozinho de enregelar... Um frio de fazer esfregar as mãos, de fazer bater o dente pela manhã e ao fim do dia, de gelar pés...

Mas, no Tejo, que importa se o vento traz frio... importa sim, que vente, que sopre, que encha as velas que empurre o barco, que o leve no prazer do velejo...


(DO AUTOR - O VENTO NO TEJO)



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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

FRESTA


"Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração."

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro - Fresta"



(DO AUTOR - DEFENDENDO MARVÃO)



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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

INCÓGNITA



Será que por detrás daquele olho cego, daquele buraco negro atrofiante, lá dentro daquele espaço onde a noite não enxerga o dia e o dia se faz de noite, mesmo a meio do dia, não haverá uma luz ou, pelo menos, uma luzinha que me deixe espreitar e ver se vejo qualquer coisinha? 
(DO AUTOR - MARVÃO)



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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A JANELA



Quantas vezes aquela janela se abriu?

Quantas vezes deixou entrar, através dela, a luz forte do dia?

Quantas vezes ela se debruçou a ver o que, para fora daquela moldura de pedra, acontecia?

Quantas vezes trocou palavras, deu os bons-dias e as boas-tardes, com os passantes e com as vizinhas?

Quantas vezes lhe colocou, no parapeito de granito, vasos cheios de florinhas?

Quantas vezes se pôs a sonhar com o dia em que um príncipe encantado lhe aparececia, montado num corcel branco e envolto num manto de fantasia?

Quantas vezes fechou a aquela janela, seja porque chovia ou porque, simplesmente, o dia escurecia?

Quantas a abriu porque, precisamente, anoitecia e, lá do longe, a lua e as estrelas lhe vinham fazer companhia?

E quantas vezes, ao amanhecer, ao acordar do dia, ela vinha abrir a janela para escutar o canto da cotovia?

Agora está fechada... Faz tempo que não se abre mais, nem à luz suave daquele dia, nem para escutar o anunciador canto da cotovia...!



(DO AUTOR - JANELA EM MARVÃO)





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domingo, 3 de fevereiro de 2013

PORTA


"Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar meu menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar meu namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!"

Vinícius de Moraes





(DO AUTOR - PORTA EM MARVÃO)



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sábado, 2 de fevereiro de 2013

O ACORDAR



A cidade, que se deixou esfriar durante a noite, agasalhou o sono em mantos de névoa, mas tão finos e tão delicados que se deixavam rasgar à menor passagem pelos aviões que, ao longe, cruzavam o alvorecer do dia e iam deixando riscos de luz, como se fossem uma pauta que dá, a cada um que a olha, a liberdade de poder escrever sobre o imaginário que o despertar do dia lhes evoca...



(DO AUTOR - O ACORDAR  DO DIA)



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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

VOAR PARA LONGE



O mar infinito chamava, as asas fortes impeliam, o instinto comandava e elas seguiam num rumo determinado voando, voando, voando...

Para longe, para longe, para bem longe...



(DO AUTOR - A VOAR PARA LONGE)


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