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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

É PROIBIDO



"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo das suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e dos seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas delas valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem o seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar a sua história
Deixar de dar graça a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual."

Pablo Neruda - É Proibido


(DO AUTOR - ILHA DE SÃO MIGUEL - É PROIBIDO UM OLHAR E UM SORRISO)
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ESSE TEU OLHAR...



"Esse teu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas sérias que eu não posso acreditar...
Doce é sonhar, é pensar que você,
Gosta de mim, como eu de você...
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração de quem sonhou,
Sonhou demais...
Ah, se eu pudesse entender,
O que dizem os teus olhos..."

Tom Jobim - Esse teu olhar


(DO AUTOR - O OURIÇO A OLHAR PARA MIM)

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

MÁGOA



De repente, o choque... instantâneos... imagens... destroços... a emoção... a comoção... a mágoa!

Tudo, quase, no mesmo instante... 

Aqui, o autocarro... a excursão... a ravina... a morte... o luto... a dor... a mágoa!

Além, a discoteca... animação... o fogo... a fuga... a morte... o luto... a dor... a mágoa! 

Dor que marca, imagens que arrepiam, pesadelo, agonia, incompreensão, desgosto, angústia, luto, mágoa, sobretudo, muita mágoa!

(DO AUTOR - MARVÃO EM DIA DE LUTO)


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PAISAGEM


"Onde ficava o mundo?
Só pinhais, matos, charnecas e milho
para a fome dos olhos.
Para lá da serra, o azul de outra serra e de outra serra ainda.
E o mar? E a cidade? E os rios?
Caminhos de pedra, sulcados, curtos, estreitos,
onde chiam carros de bois e há poças de chuva.
Onde ficava o mundo?
Nem a alma sabia julgar.
Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.
Em cada dia o povo abraçava um outro povo.
E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves.
a estrada branca e menina é uma serpente ondulada
e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio."

Fernando Namora, in Terra 7

(DO AUTOR - MARVÃO - CAMINHOS DE PEDRA, CAMINHOS DE SONHO)




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domingo, 27 de janeiro de 2013

INDEFINIÇÃO



Não deixa ver o recorte, da enorme figura de pedra, feita de torres, guaritas, muralhas... e nem deixa perceber da espessura das paredes, nem dos  muros de suporte!

É que o denso nevoeiro, que por ali se instalou, parece que tudo apagou, deixando no indefinido o Castelo que lá está...



(DO AUTOR - O CASTELO DE MARVÃO NA INDEFINIÇÃO PROPORCIONADA PELO MANTO DE NEVOEIRO)




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sábado, 26 de janeiro de 2013

A MINHA JANELA


A minha janela que dá para a rua, deixa-me ver, quando estou do lado de dentro, o que se passa de fora dela... E também, quando eu saio, quando me vou embora, a mesma janela, agora que estou do lado de fora, deixa-me ver o que se passa por dentro dela...

Hoje, quando saí, a minha janela mostrava, por detrás dos vidros embaciados pela água chovida e pelo frio que a condensava, flores brancas, curiosas, a espreitarem a rua, procurando o Sol que, faz mais que uma semana não aparecia ou, simplesmente, vendo quem passava pela rua, na tarde de nevoeiro e de frio deste dia?

(DO AUTOR - UMA JANELA EM MARVÃO)


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O NEGRÃO


Palavras para quê?

O licenciado Ricardo José Galo Negrão dos Santos, por estaparfúdia coincidência, mesmo só por coincidência, tem o mesmo apelido que o Fernando Negrão do PSD...

E o vencimento? e o subsídio de Natal? e o subsídio de almoço? e as representações? 

Existem milhares, também licenciados... que faziam tudo aquilo por metade do preço... ou um terço... com igual eficiência... ou melhor!

Só que têm um pequeno problema genético... não são familiares de nenhum PSD... 

Jobs for the boys?  Ou nós é que somos os bois?

Título errado: 


                                     MINISTÉRIO DA INJUSTIÇA








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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CHAMA E FUMO



"Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimando o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linha a arder!
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa..."


Chama e fumo - Manuel Bandeira, Teresópolis, 1911.



(DO AUTOR - FUMOS - PERTO DO CRATO)

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ÁGUA A FUGIR



"A mocidade esplêndida, vibrante,
Ardente, extraordinária, audaciosa.
Que vê num cardo a folha de uma rosa,
Na gota de água o brilho dum diamante;

Essa que fez de mim Judeu Errante
Do espírito, a torrente caudalosa,
Dos vendavais irmã tempestuosa,
- Trago-a em mim vermelha, triunfante!

No meu sangue rubis correm dispersos;
- Chamas subindo ao alto nos meus versos,
Papoilas nos meus lábios a florir!

Ama-me doida, estonteadoramente,
O meu Amor! que o coração da gente
É tão pequeno... e a vida é água a fugir..."

Mocidade, de Florbela Espanca, in Charneca em Flor



(DO AUTOR - ÁGUA A FUGIR DO NASCENTE - FURNAS - SÃO MIGUEL - AÇORES)

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A NEVE



Deve chegar esta noite... leve, levemente e vai deixar a Serra, toda, pintada de branco! 

(DO AUTOR - A SERRA DE SÃO MAMEDE COBERTA DE NEVE, EM 9/3/2010)




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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

RASGARAM-SE AS NUVENS


Rasgaram-se as nuvens no céu doirado,
tiras de gaze que o vento estendeu,
mostrando um Sol já quase deitado,
a pôr-s'a dormir no abraço de Morfeu.

E, quando o sono chegou ao momento, 
veio a noite, escura de breu,
com frio, sem lua e cheia de vento...
E voltaram as nuvens cobrindo o céu.


(DO AUTOR - O CÉU A DESTAPAR-SE E A DEIXAR ENTREVER UM SOL DE POUCA DURA)



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domingo, 20 de janeiro de 2013

DEPOIS



Depois que a chuva se foi, que o vento abrandou o seu soprar, o mar amansou na sua fúria e o rio voltou a correr para a foz resta, agora, retirar os despojos, limpar a sujidade, consertar o avariado e aguardar, tranquilamente, que a vida se recomponha e volte, com a luz da esperança, a dar serenidade e alegria a cada dia...

(DO AUTOR - O MAR EM DIA DE TEMPORAL)



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sábado, 19 de janeiro de 2013

ÁGUA QUE ES...CORRE


"Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado
O ribeirinho não morre
Vai correr por outro lado..."

António Aleixo, in Este Livro Que Vos Deixo


(DO AUTOR - O RIO COURA EM VILAR DE MOUROS)



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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

PERSISTÊNCIA


Vão resistindo, agarrando-se ao tronco-mãe e à vida, pacientemente, aguentando os frios e os ventos, sem queixumes ou lamentos, mudando de cor as folhas, suavemente, do verde fresco vibrante ao amarelo brilhante, depois, do vermelho forte e intenso ao castanho mortiço e quebradiço, que o tempo, pouco a pouco, vai levando... e, quando as folhas todas partirem, restam os ramos, nús, finos como espetos, agitando-se no vento... esperando, tenazmente, o chegar da primavera que está quase a acontecer.



(DO AUTOR - VINHA VIRGEM  A DESPEDIR-SE DAS FOLHAS)



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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

PÁSSARO



"Sou o pássaro que canta
dentro da tua cabeça
que canta na tua garganta
que canta onde lhe apeteça.

Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
(mesmo as que julgas que não).

Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada.

E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão

e ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça."


Manuel António Pina - O pássaro da cabeça



(DO AUTOR - PÁSSAROS - PEGAS - NUM JARDIM EM BEIJING)


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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A REFORMA DO ESTADO OU ODATSE OD AMROFER A

(DO AUTOR - A SOCIEDADE CIVIL DE PERNAS PARA O AR)
O primeiro-ministro pediu a uma ex-dirigente do PSD, Sofia Galvão, que organizasse uma conferência sobre A Reforma do Estado para mobilizar a sociedade civil.
 
Sala cheia - não sei se haveria por lá algum militar fardado, porque a Conferência era para a sociedade civil e os militares não são civis -, e a dita senhora, ao dar abertura à mesma, anuncia as seguintes regras: "Não haverá registo de imagens e som, senão na sessão de abertura e de encerramento. A permanência de jornalistas na sala pode manter-se, mas não haverá citações de nada do que aqui seja dito".

Quem ouviu não queria acreditar... talvez alguma distorção na instalação sonora, mas não! foi assim, tal e qual! Ipsis verbis!

Uma nova forma da "lei da rolha", do "come e cala" ou, como dizia a minha avó Isabel... "bico calado"!
Parece que esta gente, a que nos governa e a que anda à manda da governação, deve andar a brincar com a Sociedade Civil, que somos nós todos, os que pagamos impostos e os seus brutais aumentos, os que sofremos na pele o corte dos vencimentos e das reformas, os que alimentamos toda essa tropa fandanga que vive à custa do pobre do estado, que querem tentar emagrecer a olhos vistos, mas desde que mantenham, à volta deles, uma boa camada de gordura que lhes continue a garantir bons ordenados, bons tachos, bons carros, boas reformas e os isole e afaste, cada vez mais, isso sim, desta Sociedade Civil que eles odeiam mas, sem a qual, não conseguem viver (ou sobreviver!).

Organizam uma conferência para discutir a Reforma do Estado para mobilizar a Sociedade Civil e fecham-lhe as portas - só se podia entrar por convite! -. O que por lá se tratou, discutiu, anunciou, propôs ou falou não se sabe... só a nata da tal Sociedade Civil, "la crème de la crème", os eleitos e a elite é que têm conhecimento, porque só eles são os detentores do conhecimento.

E, amanhã, lá virá mais um discurso de estado a dar conta desta conferência aberta à Sociedade Civil, muito participada pelos cidadãos, das discussões, propostas e das conclusões, provavelmente a anunciar mais cortes, mais razias, mais atropelos ao razoável e à dignidade das pessoas que já não sabem como sobreviver!

Pelo caminho que isto está a tomar deve faltar pouco para que seja, um destes dias, esta Sociedade Civil a reformar toda esta gente e este estado de coisas.


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COGUMELOS



Nesta altura do ano o chão da mata está cheio deles! De chapéu alto, ou de aba larga, uns vermelhos, outros brancos ou castanhos, de pé curto e grosso, ou alto e estreito, em grandes amontoados ou isolados, uns bons de comer, outros, cheios de veneno, prontos a matar...

Cogumelos, míscaros, tortulhos, pinheiras, carvalhas... tantos os nomes como as terras ou os lugares onde crescem.

Os cogumelos levam-nos à infância e lembram-nos as histórias de duendes e de fadas, de gnomos e anões, de magia e encanto...  

E, agora, cada vez mais, lembram, também, os cogumelos mágicos, psicadélicos, alucinogénicos à venda crus, secos, para serem cozinhados ou bebidos em infusões, à disposição de qualquer jovem... As lojas, as "smart shops", vão crescendo como os cogumelos, de terra em terra, de rua em rua, de loja em loja, num fenómeno de crescimento quase imparável... 

(DO AUTOR - A MAGIA DOS COGUMELOS )


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

PRA QUE CHORAR?



"Pra que chorar
Se o Sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o Sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor

Quem não chorou
Quem não se lastimou
Não pode nunca mais dizer
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer."

Vinícius de Moraes


(DO AUTOR - O RAIAR DO SOL NOS PICOS DA EUROPA)




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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O CANTAR DO MELRO


"Da ponta do bico brilhante e amarelo
Da ave pequena soltou-se um trinado.
De dentro de um ramo de folhas doiradas
O melro lança o seu cantar pelas águas do lago."

Anónimo - Sécs. VII - IX


(DO AUTOR - O MELRO ACORDADOR)

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domingo, 13 de janeiro de 2013

NÉVOA


O dia acordou assim, silencioso, manso, de luminosidade difusa, sem sombras, misterioso, enigmático...

E assim se deixou ficar, tranquilo, sereno, pacífico, envolto na sua própria névoa e pelos fumos das chaminés das lareiras...

(DO AUTOR - A SERRA ENVOLTA NA SUA PRÓPRIA NÉVOA)


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sábado, 12 de janeiro de 2013

MARVÃO


Nunca é de mais falar sobre Marvão e a sua envolvência. De cada vez que se lá vai descobre-se mais um recanto, encontra-se alguém interessante, visita-se o que ainda não se tinha visitado...

Desta vez, a procura da Mercearia de Marvão e da Casa de Palha, na Volta do Ródão, justificaram a deslocação.

A Mercearia de Marvão tem de quase tudo, como na farmácia: tem brinquedos tradicionais, sabonetes artesanais, doces e compotas caseiros, rebuçados de mel e canela, óptimos para as tosses rebeldes desta época e tem uma coisa espantosa, dois preços para o café. Se pedir só "um café" o custo é de 80 cêntimos, mas se pedir "um café, por favor" o preço baixa para os 60 cêntimos... a lembrar que a boa educação traz sempre benefícios...

A casa de palha, na Volta do Ródão, tem as paredes mestras feitas de fardos de palha, rebocadas depois, por dentro e por fora... É uma casa confortável, bem isolada dos frios de agora e dos calores do verão - diz quem o já experimentou - e tem um aspecto e ambiente saudáveis.

As voltas à volta de Marvão são sempre fascinantes e encantadoras...

(DO AUTOR - MARVÃO VISTA DOS LADOS DE SANTO ANTÓNIO DAS AREIAS)

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

XEQUE-MATE FATAL


 Os tipos do FMI publicaram um Relatório, divulgado pelo Governo, e elaborado a pedido deste, como contributo para a redefinição das funções do Estado e corte adicional de 4000 milhões de euros de despesa.

Apresentam uma série de medidas, das quais se salientam:
Corte permanente de 15% nas pensões,
Aumento da idade da reforma,
Pagamento dos 13º e 14º meses de acordo com a variação do PIB,
Nova fórmula para cálculo das pensões para os futuros reformados e todos os pensionistas,
Aumento das taxas moderadoras para a saúde,
Redução do número de funcionários públicos, 
Cortes salariais permanentes para os funcionários públicos
E mais um etc. imenso de cortes, reduções, pagamentos subdivididos e sabe-se lá o que mais, ou o que menos...

Neste jogo de xadrez da política, da economia e das finanças, neste complexo jogo de vida ou de morte, em que os peões nada contam, parece que o FMI já idealizou as jogadas todas de maneira a nos levarem a um Xeque-Mate Fatal!




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

OS VAPORES DA DEPUTADA


Não interessa o nome, nem o partido. Interessa, isso sim, saber que é uma deputada da nossa Assembleia da República, uma representante eleita pelas listas do partido em que está filiada.

Provavelmente iria passar incógnita durante o tempo da legislatura, tal como acontece à grande maioria dos nossos deputados, não eleitos pessoalmente, mas porque estão integrados nas listas dos partidos políticos. E esta deputada, incógnita, foi eleita pelo círculo do Porto e vive em Lousada.

Mas saiu notícia de jornal, de rádio e de televisão... De um momento para o outro, tornou-se conhecida, não por qualquer glória (não é Glória?), não pelas melhores razões, não porque tivesse realizado uma tarefa que engrandecesse o país que representa, não porque tivesse feito um discurso político que enaltecesse a democracia e a república, não porque tivesse tomado alguma atitude de altruísmo, de boa vontade, de solidariedade, de defesa do bem comum...

De útil, que se saiba que tenha feito foi o ter participado em acções sobre segurança na estrada, como a Comissão Interparlamentar da Segurança Rodoviária (em 2008, já lá vão 5 anos) e um Encontro com empresários em Lousada, onde reside, para debater a Estratégia Nacional para a Segurança Rodoviária (em 2009). Além destas duas acções meritórias, que devem ser o suficiente para lhe assegurarem uma reforma breve, a dita senhora (e deputada) faz parte da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, é suplente na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e na Comissão de Defesa Nacional. A nível do seu partido integra a comissão nacional.

Ou seja, uma pessoa, afinal importante, que deveria ser responsável e dar o exemplo, não só por ser deputada da república, mas por estar integrada numa série de coisas ligadas à Segurança Rodoviária, à Ética, à Cidadania e à Comunicação, para além de outros de somenos...

Acontece que a deputada, ligada à Segurança Rodoviária e à Ética, no dia em que completou os seus 37 aninhos, depois de uma noite de libações vaporosas de muito álcool (só?) meteu-se (conscientemente? ou de tal modo inconsciente pela bebedeira?) no carro e foi detida numa operação STOP, no centro de Lisboa, às 3h 20, por conduzir com excesso de álcool no sangue (2,4 gramas por litro). Chama-se a atenção dos mais distraídos ou desconhecedores que a partir da taxa de 1,2 gramas por litro a infracção é qualificada como crime.

Parece que esta deputada, considerada criminosa porque praticou um crime, lá teve o seu momento de Glória!

E agora? Vai presa? Vai cumprir serviço comunitário? Vai ficar sem carta? Vai frequentar algum tratamento de desintoxicação alcoólica?

Melhor! Vai pedir a sua exoneração como deputada da nação? Ou vai, vergonhosamente, continuar a sua legislatura como deputada (a Assembleia da República aceita criminosos nas suas bancadas?) e a representar-nos nas Comissões de Ética e Cidadania e a legislar sobre a Segurança Rodoviária?

Neste país em que tudo é possível... tudo se faz... tudo se aceita... tudo é legal... pelo menos para alguns... para os políticos, para os ricos, para as troicas portuguesas (da maçonaria, da opus dei, da política, da finança, do compadrio, da corrupção, dos amigos...).

Vamos continuar a aceitar e a pagar para tudo isto?!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ABANDONADA



Faz pena ver a Serra tão cheia de abandono, tão triste de solidão e com tanta degradação... 

De cada vez que se aventura nos seus passeios solitários, pelos caminhos da Serra, vai deparando com, cada vez mais, casas abandonadas, algumas em ruína total. 

Uma realidade cada vez mais presente!

À medida que os velhos habitantes vão partindo, as portas vão-se fechando e as casas, pelo abandono,  vão-se degradando. De princípio ainda vem algum familiar, para buscar o que resta, para entaipar as janelas, ou dar um jeito nas telhas do telhado. Depois, ao fim de algum tempo, ninguém mais volta! Os filhos, na procura de melhor vida, já andam por longe, nas cidades, ou lá por fora e já não querem mais regressar às suas origens.

E, assim, a Serra vai-se enchendo destas ruínas abandonadas, desprezadas, tristes e isoladas.

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(DO AUTOR - O ABANDONO NA SERRA)



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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

POEMINHA DO CONTRA



"Todos estes que aqui estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

Mário Quintana


(DO AUTOR - PASSARINHOS)


"Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas."

Victor Hugo





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domingo, 6 de janeiro de 2013

POESIA DESPENTEADA



"Minha Caligrafia desajeitada
É a minha Face projectada no papel
Agudos e Circunflexos
Prioridades que as Entoações pedem
Vírgulas e muitas demonstrações
Dois pontos
Exclamação é puro êxtase
confesso que é um tesão Ortográfico
Reticências atrás de Reticências
Só para te deixar encasquetado
E trocar umas ideias
Cercadas de Analogias e modestos Neologismos
Vamos ao travessão seguido de dois dedos
Pronto, inicia-se o Parágrafo
Predestinado ao Fim
Tanto sua por Amor
Ou mais uma centelha Existencial
Sendo a Poesia Livre
Uma das artimanhas pra sentir-se Livre
E de tão Buscadora dos meus Eu's
Resolvi deixar cada um Existir aqui
Nas palavras Emaranhadas
Que bombardeiam meu lírico
Pretérito, Futuro não Mais-Que-Perfeito
Apenas uma brincante de Poeta."

Raquel Garcia


(DO AUTOR - DESPENTEADA -  PRAIA DA VITÓRIA - TERCEIRA - AÇORES)






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OS REIS MAGOS



Hoje comemora-se o Dia de Reis! Um anacronismo num país que se afirma, cada vez mais, republicano!

Nem sei porque se comemora! Porque, para ser realmente celebrado, deveria sê-lo porque seria o dia em que se distribuíam as prendas às crianças. É isso que fazem os Reis Magos: oferecem ao Menino Jesus o Incenso por ser Deus, o Ouro por ser Rei e a Mirra para que não se esqueça que também é Homem!

Aqui, com a mania das pressas, e à Portuguesa curta, faz-se tudo de uma só vez: junta-se uma festividade essencialmente religiosa, e que tem a ver com o nascimento de Cristo, do Deus que se quis fazer  Homem, com a festa laica das prendas a oferecer.

Nisso, dou o meu aplauso aos nossos vizinhos espanhóis que mantêm, de forma bem vincada, a tradição. No Natal (no 25 de Dezembro) comemora-se a festa religiosa e, no Dia de Reis (Los Reyes), então, é a festa laica que é bem festejada nas ruas e nos restaurantes, que se enchem de famílias para o almoço de Reyes. Até, em termos comerciais, parece ser melhor porque se animam dois comércios, o tradicional das compras e o da restauração.

Aqui, neste país à beira-mar quase afundado, o Dia de Reis comemora-se comprando um bolo-rei, ou raínha, ou bolo-rei de chocolate, ou de maçã (agora estão na moda) a um preço de se lhe tirar o chapéu.

Até a ASAE teve o condão de estragar o pouco da tradição ao proibir a fava e o brinde no bolo-rei... É mais uma tradição que se perde neste país cada vez mais aculturado, mais pobre de valores e de dinheiro.

Em compensação, há para aí uma data de gente que, à custa do empobrecimento do país e dos portugueses, das falências dos BPN, dos BANIF, de muita outra banca privada e de negócios estranhos, vai enchendo os bolsos de muita riqueza... julgando-se os reis da esperteza, porque confiam na justiça portuguesa que os não vai beliscar minimamente (o Duarte Lima e o Vale e Azevedo são a excepção que confirma a regra) e só funciona (aí, célere!) para os que são apanhados a roubar comida nas grandes superfícies, para matarem a fome aos filhos!

Mesmo assim, et malgré tout... um bom Dia de Reis!

E que não se engasguem a comer o bolo-rei, como o Cavaco há uns anos atrás...



(DO AUTOR - UM PRESÉPIO DE ESTREMOZ)




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sábado, 5 de janeiro de 2013

O SOL


É espantoso como estes 3 ou 4 dias de Sol conseguiram remoçar os verdes prados da Serra e semear, por entre este verde rejuvenescido, uma miríade de flores amarelas, pujantes de vivacidade, umas, e queimadas pelas geadas da noite, outras, fazendo ou querendo esquecer o inverno triste e cinzento que deveria ser regra nesta altura.

Felizmente que o clima não liga a convenções e detesta a ordem estabelecida... nem dá muito respeito ao que dizem os meteorologistas que uns dias anunciam que chove e, ao invés, aparece o Sol, e noutros que soleia e, bem ao contrário, a chuva e o frio se afirmam.

Claro que a chuva e o frio são necessários para que os ciclos da vida se cumpram... mas, não há dúvida que dias como o de ontem, com o frio da manhã a pedir um agasalho, mas com luz, cor e calor durante a tarde a aquecerem os corpos e as almas, são sempre bem-vindos.

E, se os campos se enchem de cores e de flores, as esplanadas na cidade enchem-se de pessoas ávidas da luz e do calor, quanto baste, que o sol proporciona...




(DO AUTOR - FLORES AMARELAS)




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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A FLOR DO SONHO



"A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim! ...
Milagre ... fantasia ... ou, talvez, sina ...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?! ...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha'alma
E nunca, nunca mais eu me entendi..."

A Flor do Sonho - Florbela Espanca, in "Livro das Mágoas"


(DO AUTOR - FLORES DO MEU QUINTAL)




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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

VIGILANTE



Todos os dias, à mesma hora da tarde, com a precisão de um relógio, ela chega e instala-se bem no cimo da cruz. Se alguma outra gaivota está a ocupar o seu lugar, barafusta, grita, ameaça abrindo as asas e a pobre ocupante não tem outro remédio se não ir embora.

Depois de conquistado o lugar começa o ritual da limpeza das penas com o bico: levanta uma asa, quase enfia a cabeça pelo sovaco alar e penteia-se pena a pena num ritual de minúcia, demorado, como se o tempo tivesse ficado esquecido... depois, o mesmo, do outro lado, em seguida a quilha e o papo, terminando com o alisar das penas da cauda.

Só no fim de tudo isso, daquele limpar e alisar de penas, é que se assume como sentinela e vigilante de todo o espaço ao seu redor... por vezes apoiada numa pata, por vezes na outra e, quando a situação exige mais atenção, mais concentração, apoia-se nas duas patas e vai rodando a cabeça num girar para um lado e para o outro como a antena de um radar...

E, só depois que a tarde começa a escurecer, quando as luzes da praça se acendem, é que parte, rumo ao mar, à procura de alimento e de companhia para passar a noite... depois de mais uma missão cumprida!      




(DO AUTOR - SENTINELA  ALERTA!)




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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

VER O MAR


Uma tradição mais que se cumpriu no primeiro dia do ano: a visita ao mar.

Há quem vá tomar o primeiro banho de mar, ou salte de uma ponte para o rio, nas capitais sem mar perto, como se se tratasse de um ritual de purificação, do lavar das coisas más do ano anterior, do preparar do corpo e do espírito para mais um ano, com as coisas boas e as más que ele traz.

Mesmo sem tomar o banho fluvial ou marítimo o ir visitar o mar, o ver a imensidão de água, o contar as ondas que vêm beijar a areia também constitui um ritual...

Desta vez, sem ser logo pela manhã, como hábito, a escolha do fim da tarde permitiu apreciar a despedida do sol que encheu de luz e cor este primeiro dia do ano, como um sinal de esperança, o prenúncio de que, apesar de tudo, há lugar para haver optimismo e confiança...

Só faltou mesmo, no desaparecer do sol por detrás da massa de água, o ponto verde, a luz verde da esperança certa, apenas porque uma nuvem marota se atravessou no momento exacto de ele surgir... mau presságio, ou apenas uma simples coincidência?



(DO AUTOR - O SOL A DESPEDIR-SE DO DIA)


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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O NASCER DE UM NOVO ANO


Nasceu 2013!

Mais um ciclo astronómico que se cumpre, o passar de mais um ano, um quase nada na história do Universo.

Desde o Big Bang, há 13 700 000 000 (13,7 mil milhões) de anos atrás - um número, apesar de tudo inferior ao da nossa Dívida Pública que era, em fins de Outubro de 2012, de 193 507 196 473 € -, mais um ano, nada significa... Quase uma gota de água no oceano da existência.

E como a vida não muda - o que muda é resultado da acção dos homens e, principalmente, dos políticos - o sol hoje voltou a nascer, precisamente, às 7 h e 55 m, conforme o previsto, e indiferente à dívida soberana (acho que se devia chamar republicana - já vão longe os tempos da monarquia...), ao Orçamento de Estado que entrou hoje em acção, aos impostos que nos vão custar os olhos da cara, aos Passos, aos Coelhos, aos Gaspares, aos Cavacos, às Portas (uma questão de concordância de género), aos Seguros, aos Jerónimos e outros parecidos...

Um dia a dia que se adivinha e avizinha difícil, complicado para muitos, mas que não nos deve deixar sossobrar e, muito menos, sucumbir... 

Ânimo, coragem e Amor acima de tudo! Mas, também, saúde, paz, amizade e conforto que baste!

Estes são os meus votos para este 2013 que, para o mais azarentos, veio mesmo a calhar (na terminação, claro está!).

(DO AUTOR - O SOL A NASCER POR DETRÁS DA URBE, OS PÁSSAROS A SAUDAR O DIA E A CÂMERA A TIRAR A FOTOGRAFIA!)





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