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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

FLOR DE SONHO


A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim,
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!...
Milagre... fantasia... ou, talvez, sina...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha'alma
E nunca, nunca mais eu entendi...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas" - Flor de Sonho



(DO AUTOR - FLOR DE SONHO)











domingo, 29 de setembro de 2013

A ACENAR


Ainda não sabia dos resultados... mas já estava a adivinhar o que ia acontecer... Mal fechassem as assembleias de voto no arquipélago dos Açores, cada um a dizer que tinha ganho, que os adversários tinham perdido, que os resultados foram históricos, que aconteceu uma grande lição de democracia, que a chuva foi a culpada da abstenção... que mais isto e que mais aquilo...

Todos diziam das suas barrigas, da sua força, da sua importância, das câmaras que tinham ganho, das que os outros tinham perdido, da expressão dos resultados...

E ele, ali, feito povo, pobre, desprotegido, esquecido, esfarrapado e enferrujado, a acenar, a chamar a atenção, a lembrar que as eleições foram feitas dos votos dados por esse povo e para o seu benefício... e não para o benefício e o bem-estar da meia dúzia do costume...


(DO AUTOR - A ACENAR - JARDIM DO TARRO - PORTALEGRE)

sábado, 28 de setembro de 2013

REFLEXÃO


Hoje estou assim, meio sem saber o que fazer...
Vou votar ou não votar?
Vou pôr a cruz em que lugar?
Ou deixar tudo em branco e sem nada escrever?

E se optar por um partido?
Por uma coligação?
Ou por um independente? Será sempre uma opção...
Mas nem sei! qual deles seria o preferido...

Bem, vou continuar a pensar,
Vou pôr-me em reflexão...
Sento-me na beira do balcão
E fico-me, por aqui, a cogitar...



(DO AUTOR -  REFLEXÃO - DESENHO A ESFEROGRÁFICA)








sexta-feira, 27 de setembro de 2013

E LÁ NO FUNDO DO OCEANO...


... onde a bruma é feita de mistérios e de sombra,
onde a chuva une o mar ao firmamento,
e as negras nuvens acentuam a penumbra,
navega, solitário, o pensamento...
(DO AUTOR - CORDAS DE ÁGUA A LIGAR O MAR AO FIRMAMENTO)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

NA RÉSTIA DESTE SOL QUE AINDA DURA...


... deste fim de tarde que agora acontece,
vejo o sol a partir na despedida
de mais um dia que, com a noite, se esvanece...


(DO AUTOR - FIM DE TARDE EM MARVÃO)



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

POESIA DA ARRÁBIDA



"Da minha janela
vê-se a Poesia.
 
Não te digo, não,
se é bonita ou feia,
se é azul ou branca,
nem que formas tem.
 
Queres conhecê-la?
Deixa o teu bordado,
vem para meu lado,
que já podes vê-la
com teus próprios olhos. 
 
Da minha janela
Vê-se a Poesia...
 
Outro que te diga
se é bonita ou feia."
 
Sebastião da Gama - Sem título

 

(DO AUTOR - SERRA MÃE - A POESIA DA ARRÁBIDA - NUM ANOITECER DE OUTONO)


terça-feira, 24 de setembro de 2013

OUTONO


Já chegou o outono!
 
Chegou quente como o verão, trouxe o sol e trouxe a lua e mais o vento suão, mas logo a seguir trouxe nuvens e chuviscos, trovoadas e coriscos, e vai enchendo a minha rua das folhas das árvores, que agora se vão despindo...

E chegou bem, a marcar a estação, a lembrar o novo ciclo da vida redonda, que é a nossa, a recomeçar com os verdes amarelados, com os vermelhos castanhos, com o fresco das manhãs, com as neblinas das tardes, com a manta dos aconchegos...

São as vindimas, a azeitona, os lagares, o cheiro do vinho novo, o fumegar das lareiras, os ouriços e as castanhas, os cogumelos a brotar...

As tardes são agora mais curtas, as noites vão ficando mais longas e os ventos e os frios vão-se aproximando...

Sabe bem ver chegar assim o Outono... 



(DO AUTOR - UMA VARANDA FLORIDA NA PRIMEIRA NOITE DE OUTONO - ÉVORA) 


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

FIM DE VERÃO


Ontem foi o último dia de verão!
 
Despediu-se bem! Encheu-nos de calor, deixou que o ponteirinho do termómetro, bem na sombra de um monte alentejano, tocasse nos 40º C e foi-se embora quase sem se despedir, a desaparecer com o fim do dia, mas a deixar que o outono, que agora acaba de entrar, traga com ele um tempo mais ameno, com alguma humidade e uma ou outra nuvem trovejada...
 
Foram os últimos beijos, bem quentes, deste verão!


(DO AUTOR - NA DESPEDIDA DO VERÃO O CALOR A NÃO QUERER PARTIR) 


domingo, 22 de setembro de 2013

TINTARELLA DI LUNA


A cidade estava cheia de gente, de animação nas praças, nas ruas, nos bares, em qualquer lugar...

A música saía de qualquer recanto, nuns sítios o fado, noutros aquela de entreter, e até jazz, ao vivo e bem percutido, se ouvia nalguns bares... 

A noite parecia ter tomado conta da cidade, as pessoas surgiam como cogumelos, animadas, divertidas, sorridentes...

Até o último luar do verão, na sua despedida, não quis deixar de dar um ar de sua graça e inundou a cidade da sua luz, bronzeando, ainda mais, a patine que cobre o Templo de Diana.  

(DO AUTOR -  O TEMPLO DE DIANA, EM ÉVORA, A BRONZEAR-SE AO LUAR)




sábado, 21 de setembro de 2013

A ENTREVISTA


Na sua primeira grande entrevista o PAPA FRANCISCO disse muitas coisas:
 
Disse que a Igreja não deve apontar o dedo, não deve julgar, não deve excluir, não deve ser tão moralista...
 
Mas, sobretudo, disse que a Igreja deve ser a casa de todos, não uma pequena capela que só pode conter um grupinho de pessoas selecionadas.
 
Disse que a Igreja deve manter-se próxima das pessoas e que o Povo de Deus quer pastores, dos que amam as suas ovelhas e as conhecem uma a uma, e não funcionários ou clérigos do Estado.
 
Disse mais. Disse que a Igreja se deve recentrar no Evangelho e que, antes da religião, está a busca pela JUSTIÇA e pela FELICIDADE das pessoas...
 
Que Deus o conserve e o deixe aplicar as suas teses, isto se os outros homens o deixarem...
 
 
(Retirada do Google Imagens) 
 
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CHEIA...


... está a LUA. 

Gorda, opulenta, brilhante!

Aqui e ali uma mancha, uma ruga, um sinal... mas nada que a faça parecer mal, nem nada que a deixe envergonhada. Também não tinha porquê!

Claro que já tem muitos anos, alguns milhões, talvez... mas, ao certo, não se sabem quantos... e, com tanto ano, então, é natural a ruga, a mancha ou o sinal... 

Também não se sabe de onde veio... Há quem diga que da Terra é filha, ou de outro planeta qualquer ou, até, quem sabe, não teria vindo doutra galáxia, de fora da via láctea?... Mas, na realidade, é nossa! Anda, há muito, por aqui e sempre ao nosso lado, umas vezes de olho cheio, outras de olho apagado...

Agora, a verdade é que é mulher... e, então, precisamente porque é mulher, deveria chamar-se Cecília, porque, como esta dizia na poesia, tem fases... e agora, anda na fase de sair para a rua... sim, porque está cheia, linda, ofuscante, a nossa querida LUA...


(DO AUTOR - A NOSSA LUA CHEIA, ESTA MANHÃ PELAS 7H)



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

CURIOSA


E veio até junto à margem avançando lentamente, por precaução natural.

E, vendo que não houve gestos bruscos, que ninguém lhe queria fazer mal, foi-se aproximando, curiosa, e ficou olhando, quieta, numa imobilidade quase total,  a lente da câmara...

E foi só, com o clique do disparar máquina fotográfica que, com um salto bem pulado, se foi esconder no fundo das águas lodosas daquele charco...




(DO AUTOR - CURIOSA)



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

ASAS


Tuas pétalas, de cor de rosa, 
parecem asas, sempre prontas a voar... 

Como pássaros, de asas leves e coloridas,
que pousam, num instante, em ramos frágeis, 
parecendo voar com o vento,
mas sem saírem, nunca, do mesmo lugar.


(DO AUTOR - PÉTALAS OU ASAS?)


terça-feira, 17 de setembro de 2013

ÁGUA


Gosto de ver a água das fragas a escorregar,
passando de pedra em pedra,
como uma criança a brincar...
 
E, quando do alto cai
espirrando mil gotas pelo ar,
vai salpicando tudo em seu redor...

 
E lá vai ela pulando, saltando
numa agitada corrente
ou então, quase parada,
a deslizar suavemente...

Por todo o sítio onde passa,
seja qual for o lugar,
continua, inexoravelmente, 
no seu caminho para o mar...



(DO AUTOR - ÁGUA A ESCORRER DAS FRAGAS)


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O NEVOEIRO


Quando o dia acordou quase que só deixava ver um pouco mais do que nada.
 
Sem cores, apenas um pardo cinzento que não consentia distinguir o céu do mar, apagando a linha do horizonte, como se um enorme vidro embaciado tivesse sido colocado diante do olhar.
 
Um acordar misterioso, sombrio, intrigante, diria até que quase frio mas que, no mesmo tempo em que se demora a dizer a palavra instante, se deixou rasgar pela luz de um sol brilhante, cheio de vigor, que tudo clareou e tudo encheu de cor e de calor...
 


(DO AUTOR - ALGURES NO MAR O NEVOEIRO)


domingo, 15 de setembro de 2013

A PORTA DA VERDADE


"A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia."

Carlos Drummond de Andrade - A verdade


(DO AUTOR - CASTELO DE MARVÃO)





sábado, 14 de setembro de 2013

BANDOS



Tem sido assim, ao despedir de cada dia...

Aparecem aos bandos, são dezenas... centenas... Às voltas, pelo ar, num frenesim louco, numa orgia desvairada, atrás dos insectos, da comida, do jantar, num chilrear incessante...

E, assim como apareceram, também desapareceram... 

Ficou a fotografia! 



(DO AUTOR - ANDORINHAS PELO AR)



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SESTA


Nestes dias de ainda Verão e de muito calor, e, ainda por cima, no Alentejo, a sesta é um  dever a cumprir!
 
E o gato, certamente alentejano de origem, não se escusou... e acordou, mais tarde, com a satisfação do dever cumprido. 



(DO AUTOR - A CUMPRIR A SESTA NA RUA DIREITA, EM PORTALEGRE)


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

AINDA MAIS NUVENS, AINDA...


De vez em quando, sai uma trilogia!

Esta foi de nuvens, todas fotografadas do mesmo local, do restaurante Alabote, na Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, arquipélago açoriano. Faz uns anos... em 2006! 

Uma tarde que tinha sido soalheira e quente. Mas, assim que o sol iniciou a sua descida para o mar, o céu começou a encher-se de nuvens, vindas de poente, enroladas, densas, ameaçadoras... As formas, as voltas, a luz do sol por detrás... permitiram as imagens!


(DO AUTOR - NUVENS AÇORIANAS)


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

MAIS NUVENS AINDA


Outro fim de tarde, outra quase despedida de mais um dia maravilhoso...

Como se, de repente, um jorro de luz, qual vaga de um mar de ouro, viesse cobrir e encher aquela parte do céu...


(DO AUTOR - MAIS UM FIM DE TARDE EM SÃO MIGUEL - AÇORES)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

MAIS NUVENS


É esse o encanto da Natureza, seja de que matéria ela é composta, ou de que forma ou ângulo é observada... 

E, às vezes, basta só contemplar o céu num fim de tarde e deixar-se ficar a apreciar as nuvens no seu bailado lento ou num correr apressado, na sua constante mudança das formas, criando figuras imaginárias, com o seu colorido tão variado... e ficar assim, sossegado, a olhar, esquecendo o tempo e a vida que nos perseguem!   



(DO AUTOR - O CÉU, AS NUVENS, NUM FIM DE TARDE AÇORIANO)


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

MANHÃS DE SETEMBRO


Com a chegada do Setembro as manhãs começaram a acordar mais frescas, as nuvens principiaram a aproximar-se da terra e a cobrir tudo com um manto de neblina, enchendo do ar de magia e mistério...

(DO AUTOR -  MARVÃO A ACORDAR ENVOLTA NUM MANTO DE MISTÉRIO)


domingo, 8 de setembro de 2013

CHAMINÉS


Camufladas pela bruma destes tempos, as chaminés da Robinson, parecem esconder-se de um passado glorioso e industrial que a cidade foi perdendo...

Por agora, apenas restam as memórias, sem os fumos brancos e negros, sem as sirenes a chamarem ao trabalho, sem o cheiro bom da cortiça acabada de cortar... até quando?




(DO AUTOR - A CIDADE DAS CHAMINÉS)


sábado, 7 de setembro de 2013

MAIS NUVENS


A cidade acordou assim: envolta num manto de nuvens brancas, fofas, aconchegantes... 

Lá por cima, o Sol, hesitante, tardava em incomodar a cidade com mais um dia de calor, preferindo mostrar o Monte da Penha, em toda a sua cor e esplendor...


(DO AUTOR - AS NUVENS A COBRIREM A CIDADE)


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

NUVENS


Começaram a aparecer, esparsas, escuras, mas ainda sem muita consistência, apenas a amenizar a luz forte do sol, a arrefecer ligeiramente o acordar quente destes dias, a prenunciar o outono com uma ou outra trovoada e algumas gotas de água...
 
Que sejam bem-vindas!



(DO AUTOR - NUVENS NO ACORDAR DE LISBOA)


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

OÁSIS


"Podemos passar pelo deserto, mas juntos alcançaremos um oásis. E te garanto, é melhor caminhar pelo deserto acompanhado do que caminhar pela praia sozinho."

Jonatas Alberto



(DO AUTOR - OÁSIS NA PRAIA)


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PEGADAS


Deixam a marca, vincada, profunda, bem desenhada... na areia molhada.

Mas, vindo a maré, a água salgada, as ondas enroladas, a espuma macia, tudo fica lavado, tudo desaparece como se nada se tivesse passado...





(DO AUTOR - PEGADAS DE CEGONHA)


terça-feira, 3 de setembro de 2013

PENSANDO POESIA


"Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia desse momento
inunda minha vida inteira."

Carlos Drummond de Andrade - Poesia




(DO AUTOR - PENSANDO POESIA AO PASSEAR  NA MARGEM)


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SEQUÊNCIA 3


Esta é a terceira e última foto: uma perseguição feita de gritos e ameaças, de bateres de asas e de patas, numa corrida louca sobre as águas...

Até que, num impulso final, a gaivota se eleva nos ares e desaparece nos céus...
 
Desta vez, ganhou quem pescou!




(DO AUTOR - SEQUÊNCIA 3)


domingo, 1 de setembro de 2013

SEQUÊNCIA 2


Esta foi a segunda foto: afinal, da água, sai uma gaivota, que tinha mergulhado momentos antes... à procura do peixe que parece trazer no bico.

E, a gaivota que voava, subitamente, trava o vôo e prepara-se para perseguir a outra gaivota com o troféu bem seguro "entre dentes"!




(DO AUTOR - SEQUÊNCIA 2)