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sexta-feira, 31 de maio de 2013

AS MALVAS

 
Estão lindas, de um vermelho, quase Bordeaux, saliente, contrastando com o verde das folhas e da relva ao redor.
 
Foram plantadas há semanas atrás, sofreram das inclemências do tempo - frio, chuva, calor, sol, vento, granizo -, resistiram, fortaleceram e, agora, mostram-se cheias de vida, exuberantes, vitoriosas...
 

(DO AUTOR - AS MALVAS VERMELHAS)



 
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quinta-feira, 30 de maio de 2013

OS CAMPOS...


...Por enquanto ainda estão assim, cheios de verde, de flores, de cores, de alegria...

Mas vai ser por pouco mais tempo... o ciclo das estações não pára e, mesmo, apesar de o tempo não estar de feição, a verdade é que a natureza prossegue no seu caminhar... daqui a nada as flores secam e partem com o vento, o verde da seara transforma-se em cereal amarelo, a dourar os campos e, não tarda, um pouco mais depois, entram as máquinas ceifeiras e as debulhadoras a segarem esse ouro e a transformá-lo numa outra riqueza, em pão...

(DO AUTOR - AS ÚLTIMAS FLORES DA PRIMAVERA)
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

GOTAS DE ÁGUA



Eu, quando choro,
não choro eu.
Choro aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.


António Gedeão - Gota de Água


(DO AUTOR - GOTAS DE ÁGUA - SALVADOR DA BAHIA - BRASIL)








terça-feira, 28 de maio de 2013

ENTARDECER


Naquela hora do entardecer,
Quando as sombras se alongam
E se espreguiçam, como um gato
Antes de adormecer,
Quando o Sol começa,
Por detrás do horizonte,
A querer se esconder,
Vem a hora em que tudo se confunde
Em que o que era claro se torna bem escuro,
As cores, por mais vivas e vistosas, se esbatem,
Os pássaros, os seus piares e os seus cantos, emudecem,
O vento, que ciranda e gira, se apazigua docemente,
E as flores, abertas, se vão fechando suavemente...

É o momento dos encantos, da reflexão, da poesia, dos sonhos, da divagação, dos mistérios, do adeus, da despedida...

(DO AUTOR - O ENTARDECER EM MONSARAZ)




segunda-feira, 27 de maio de 2013

MUROS DE FLORES


Nasceram do fundo do mar, feitas de vulcões, de magma e das lavas escorridas...

Pelo fogo, pelo vento e pelas ondas foram sendo esculpidas...

Os campos foram-se, aos poucos, enchendo de ervas, de plantas rasteiras, de arbustos, de árvores e de imensas flores...

Os muros, em vez de serem construídos de pedra, foram pacientemente feitos de hortênsias brancas, azuis e de outras tantas cores...

Até que, por fim, depois da obra feita, colocaram, por lá, as vacas...

Claro, só podiam ser as ilhas dos Açores...


(DO AUTOR - AS HORTÊNSIAS, AS VACAS, A PAISAGEM... OS AÇORES)



domingo, 26 de maio de 2013

ESBORRATICES


Pegou no arco-íris, feito de um arco quase perfeito, com as cores todas bem definidas, e espalhou-o numa folha de papel branco.

Depois, foi à chuva, à mesma que tinha causado aquele arco-íris, roubou meia dúzia de pingos, dos mais gordos, e guardou-os num pequeno frasco de vidro rolhando bem a tampa para que a água se não evaporasse.

Voltou-se, em seguida, para trás, para onde ainda estava o sol, e captou um pouco daquela luz branca e resplandecente escondendo-a numa caixa preta de cartão.

Por fim, foi buscar o pincel, abriu o frasco de vidro, onde estava a água feita das gotas da chuva, molhou o pincel, levantou a tampa da caixa preta, para obter a luz mais conveniente, e foi passando o pincel na folha branca onde estava o arco-íris.

E as cores, uma a uma, foram-se esborratando enchendo a folha de papel de uma infinidade de cores abstractamente dispersas ...

(DO AUTOR - ÁGUA FÉRREA, ÁGUA AZEDA, AS ÁGUAS DAS FURNAS - SÃO MIGUEL, AÇORES)


sábado, 25 de maio de 2013

VENTO SUÃO


Aí vai!
Atira a corda para te salvar?
Atira a corda para te apanhar?

Não seja o vento suão...

"...
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
(Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor,
De contar seja a quem fôr.
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela.
Tinha, então,
Por única diversão
Uma pequena varanda
Diante de uma janela
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que gela
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda
Derredor da minha casa.
                                 ..."

José Régio  - parte da Toada de Portalegre.

(DO AUTOR - O HOMEM DE VENTO A ATIRAR A CORDA, ALGURES NO CONDADO DO SURREY)









sexta-feira, 24 de maio de 2013

SENTINELA ALERTA


Quieto, atento, perscrutador, no seu posto de vigia, era ali que passava o dia, a ver tudo o que se passava, tanto do lado daqui, como do lado de lá...

Quase lhe apetecia gritar: Sentinela alerta?

E ouvi-lo responder no seu trinar: "Alerta, sim, alerta está!"


(DO AUTOR - DE ALERTA NO POSTO DE VIGIA, EM  MARVÃO)



quinta-feira, 23 de maio de 2013

QUERO UM CAVALO...



"Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa, que vou partir,
Esperam-me os prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Por onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinho
Sem um cavalo de várias cores?"

Reinaldo Ferreira, o poeta (1922 - 1959) - Quero Um Cavalo De Várias Cores.


(DO AUTOR - CAVALO BRANCO DE VÁRIAS CORES - UK)







quarta-feira, 22 de maio de 2013

MAR AGITADO



Naquele fim de tarde, quando o sol começou a dourar as existências, quando os silêncios da terra foram calando os cantares dos pássaros e abafando os sons da natureza, as ondas do mar agitado foram-se amaciando em espumas brancas que vieram, suavemente, adormecer na praia...





(DO AUTOR - O MAR A DOURAR-SE NAQUELE FIM DE TARDE)








terça-feira, 21 de maio de 2013

...CORDA QUE O BARCO PRENDE...


"Tenho sofrido poesia
como quem anda no mar.
Um enjoo.
Uma agonia.
Saber a sal.
Maresia.
Vidro côncavo a boiar.

Dói esta corda vibrante.
A corda que o barco prende
à fria argola do cais.
Se uma onda que a levante
vem logo outra que a distende.
Não tem descanso jamais."

António Gedeão - Vidro Côncavo

(DO AUTOR - ...CORDA QUE O BARCO PRENDE À FRIA ARGOLA DO CAIS...)


























segunda-feira, 20 de maio de 2013

ANDORINHAS


Este ano andam, de novo, por aí... e são muitas!

Chegaram ainda com o frio e a chuva de uma primavera que tardava em aparecer... mas vieram, no tempo habitual delas, à procura do ninho deixado no ano anterior... os que ainda estavam habitáveis.

Chilreiam, esvoaçam, volteiam pelo ar...

Gosto de as ver... são simpáticas e alegres!

(DO AUTOR - AS ANDORINHAS E OS NINHOS)


domingo, 19 de maio de 2013

A COLETA


Não lhe faltavam elegância, garbo, donaire, personalidade...

Passeava-se solitário pelo lago redondo, às voltas, sem pressas, de cabeça bem levantada e olhar atento, sem pestanejos...

Chamou-lhe a atenção pelo tufo de penas atrás da nuca, bem redondo, como um pompom, um carrapito...

E foi, naquele cenário redondo, a lembrar uma arena, que lhe veio à imagem a figura singular de um toureiro, com a sua pose assumida, o modo de se deslocar num ziguezaguear discreto e, sobretudo, aquele pom pom a lembrar a coleta...

Só faltavam o touro, a muleta e a espada....



(DO AUTOR - A COLETA)




sábado, 18 de maio de 2013

OS ARCO-ÍRIS


Não há dúvida que, mesmo quando a adversidade nos envolve, como este tempo cinzento e frio, feito de chuva, granizo e de vento, em pleno Maio, há sempre coisas belas e cheias de cor que nos alegram a alma e nos enchem de satisfação...
 
Como, a contemplação destes dois arco-íris, a emergirem da terra, no sopé da serra, e que são de uma beleza singularmente complexa...

As cores do espectro irisado pelas gotas de chuvas abundantes, em dois locais distintos, iluminadas pelo mesmo sol brilhante que, imperturbável ao temporal, ia descendo para o horizonte...
 
Só faltou mesmo o pote de ouro... mas se ele tivesse aparecido, ou alguém o tivesse encontrado,  este governo, certamente, confiscava-o logo... sempre a bem da crise da nação!
 
 
(DO AUTOR - DOIS ARCO-ÍRIS NO SOPÉ DA SERRA DAS CARREIRAS)
 
 
   

sexta-feira, 17 de maio de 2013

REMAKE


Tinham prometido! E, mesmo, com alguma precisão! Que depois do meio dia, a meio tarde, vinham o vento frio, as nuvens escuras e a chuva!
 
Chegou tudo, na hora certa, sem atrasos, sem hesitações...
 
Agora, resta o sofá, a manta, a lareira acesa, a bebida quente... um remake do inverno passado!
 
(DO AUTOR - FIM DE TARDE EM REMAKE DE INVERNO)
 
 
 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

GAFANHOTO



Sempre bem vestido, casaca vincada, de tom verde-mar, que muda de cor, para se disfarçar. Parece abastado, de olho aberto e sorriso rasgado.

E a perna peluda, qual mola de impulso, empurra-o num salto, d'acolá para aqui. E poisa na flor e muda de cor, sacode a asinha, penteia o bigode, coça a cabecinha...

Depois de comer a folhinha verde, depois do repouso, quase num instante, dá um pulo gigante e com um bater de asas, lá vai pr'a bem longe...


(DO AUTOR - GAFANHOTO VERDE  EM TOM DE FLOR)



quarta-feira, 15 de maio de 2013

ABRIGO


Àquela hora, vazio... sem comida, sem água, sem pássaros, sem chilreios, sem vida...

Àquela hora, assim... com o dia a despedir-se, cheio dos silêncios do fim da tarde, na tranquilidade do quase anoitecer...

Mas, cada manhã, bem cedo, antes de o dia voltar a acordar, antes de a luz da aurora anunciar um novo dia, ela vai, guardando o recolhimento daquela hora da madrugada, espalhar no chão daquele abrigo as sementes de alpista, girassol, linhaça, milho e encher o bebedouro de água fresca, renovada...

E, dali a um quase nada, mesmo antes de os raios de sol inundarem o relvado de luz e de cor, aquele abrigo volta, de novo, a encher-se de pássaros, de chilreios, de vida... 



(DO AUTOR - O VELHO ABRIGO AGORA VAZIO)



terça-feira, 14 de maio de 2013

GATO PRETO



"Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa 
Do chão ao muro
Logo mudando de opinião
Passa de novo 
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás do pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné
...
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga".

Vinícius de Moraes - O Gato



(DO AUTOR - O  OURIÇO A FAZER POSE)


segunda-feira, 13 de maio de 2013

CINCO SENTIDOS


Do alto do miradouro vejo telhados, igrejas, ruínas; vejo, também, o topo de um elevador, uma palmeira distante e prédios cheios de cor...

Do alto do miradouro ouço, por ali bem perto, as pessoas a falar e o riso de crianças a brincar; ouço o barulho dos carros e o grito, angustiado,  de uma ambulância a apitar...

Do alto do miradouro sinto o cheiro de alecrim, mais o da roupa lavada, que ali está dependurada; e chega-me o cheiro da cidade e o aroma do mar...

Do alto do miradouro quase toco as nuvens brancas e piso as pedras da calçada; envolvo-me na paz da manhã, que ainda guarda consigo o frio da madrugada...

Do alto do miradouro saboreio a torrada quente e  bebo o café matinal; mas deve saber bem melhor o longo beijo de amor dado por aquele casal... 


(DO AUTOR -  MANHÃS DE LISBOA COM A ROUPA A SECAR AO SOL)


domingo, 12 de maio de 2013

O SOPRO



Bastou uma brisa suave feita num breve sopro de vento, quase imperceptível, e a bola-mãe foi-se libertando das sementes-filhas voadoras espalhando novas vidas ao redor...




(DO AUTOR -  UM SOPRO DE NADA A LEVAR VIDAS PELO AR)



sábado, 11 de maio de 2013

MARÉ VAZIA



As águas se foram de mansinho, deslizaram de forma sorrateira, deixando aquela praia com a areia toda à mostra e os barcos presos naquela vaza ondulada, definitivamente molhada, a olhar a água a sumir... 

E, por duas vezes em cada dia, as águas, quando se vão, deixam uma imensa maré vazia e, com ela, uma paz, uma quietude e um silêncio próprios daquela hora do dia...


(DO AUTOR - A MARÉ VAZANTE NO IMENSO RIO-MAR QUE OLHA LISBOA)





sexta-feira, 10 de maio de 2013

FIM DE TARDE



"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando."

Vinícius de Moraes - Fim de Tarde, in Poética.



(DO AUTOR -  O TEJO AO FIM DA TARDE)



quinta-feira, 9 de maio de 2013

PROMESSAS


Por enquanto são promessas... 

Será bom que, daqui a pouco tempo, se tornem certezas, porque as cerejas desta cerejeira costumam ser uma delícia: bem vermelhas, rijas, sumarentas, saborosas, doces...

E, com o que choveu este ano, deverão ser muitas...

Por ora verdes, como azeitonas, amanhã rosadas, mais tarde vermelhas, como sangue rubro cheio de vida, prontas para serem colhidas.

(CEREJAS VERDES A PROMETEREM TORNAR-SE RUBRAS)







quarta-feira, 8 de maio de 2013

AS ABELHAS


"A abelha-mestra
E as abelhinhas
Estão todas prontinhas
Para ir para a festa
Num zune-que-zune
Lã vão pro jardim
Brincar com a cravina
Valsar com o jasmim
Da rosa pro cravo
Do cravo pra rosa
Da rosa pro favo
E de volta pra rosa.

Venham ver como dão mel
As abelhas do céu.
Venham ver como dão mel 
As abelhas do céu.

A abelha-rainha
Está sempre cansada
Engorda a pancinha
E não faz mais nada
Num zune-que-zune
Lá vão pro jardim
Brincar com a cravina
Valsar com o jasmim
Da rosa pro cravo
Do cravo pra rosa
Da rosa pro favo
E de volta pra rosa.

Venham ver como dão mel
As abelhas do céu
Venham ver como dão mel
As abelhas do céu".

Vinícius de Moraes - As Abelhas


(DO AUTOR - A ABELHA A BEIJAR A MAIA)








terça-feira, 7 de maio de 2013

LAGARTEAR



Ao cair da tarde, quando o sol, agora feito de feixes brilhantes quase rasando a terra, vai tornando tudo dourado, a vida torna-se preguiçosa, aquieta-se num imobilismo natural, enche-se de silêncios cúmplices esperando o lusco-fusco que não tarda...

E o lagarto, mimetizado na cor da pedra, ali fica, estático, lagarteando-se naquele calor que ainda resta... mantendo o olho aberto, sempre atento, aguardando pacientemente que o dia lhe diga adeus...


(DO AUTOR - LAGARTEANDO AO SOL DOIRADO DO FIM DA TARDE)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

SOSSEGO, SÓ SOSSEGO



"Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,

Aqui onde, dormindo,
- Sossego, só sossego -
Se sente a noite vindo,

E nada importaria
- Sossego, só sossego -
Que fosse antes o dia,

Aqui, aqui estarei,
- Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,

Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura

De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...

Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,

Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração?

Aqui onde se espera, Fernando Pessoa, in "Cancioneiro".

(DO AUTOR - O SOSSEGO, SÓ SOSSEGO, DO FRED)







domingo, 5 de maio de 2013

DE NAMORO



Já começaram os coaxares, os raque-raque, das rãs... 

Veio o sol, o calor apareceu, os dias estão mais longos, as tardes mais compridas, as noites serenas e as rãs já acordaram do seu sono letárgico, a despertarem para a primavera que, não tarda nada, já quase anuncia o verão.

Mas agora é a época do namoro, dos sons ruidosos, meio roucos, de chamamento, de apelo, de chamada de atenção à pretensa namorada... E, macho que se preze, que se afirme e queira conquistar companheira, tem que se exibir, fazer muito barulho e mostrar capacidade...

Agora, os dias são de namoro, naquele charco cheio de nenúfares, de cantos, de saltos, de horas de quietude alternando com horas de barulheira infernal... Sinal que este tempo de namoro vai resultar numa prole imensa?

(DO AUTOR - DE NAMORO SOBRE O NENÚFAR)







sábado, 4 de maio de 2013

AZÁFAMA



Anda tudo numa azáfama!
 
As flores abrem-se, exibem as suas cores, exalam os aromas e os insectos, as abelhas e parecidos, andam numa azáfama a recolher o néctar, a encherem-se de pólen, levando-o a outras flores, a fim de perpetuarem o fenómeno da procriação...
 
Um fenómeno de interajuda entre o reino vegetal e o reino  animal... Um exemplo, bem ilustrativo, de como a Natureza é feita de coisas simples, de simbioses, de dás e de recebes, de tomas lá e dás cá...
 
Porque será que os homens não aprendem com estes exemplos? Porque será que há uns que olham para as flores e querem ficar donos de elas todas? E outros que apenas olham para o mel e querem-no só para eles?
 
Um mundo em que já quase não há meio termo, um mundo em que, cada vez, há menos pessoas que se sentam na beira de um muro a apreciar os milagres da Natureza!
 
(DO AUTOR - A AZÁFAMA DA PRIMAVERA!)
 
 
 
 







sexta-feira, 3 de maio de 2013

COALHADA


Hoje o dia acordou, lá para os lados entre o poente e o sul, com o céu feito de flocos esbranquiçados em fundo azul... como se as nuvens, depois de uma noite bem esfriada, se tivessem juntado e feito uma coalhada
 
De qualquer modo, a prometer um dia quente porque o sol brilhante, do outro lado do quadrante, assim o anunciava.
 
O ar já mais que morno, a luz forte, a pôr mais vivas ainda as cores das florinhas dos campos e das flores dos jardins, e o canto de encanto dos pássaros a encher de melodia a manhã deste dia.
 
Foi assim que o meu dia acordou...
 
(DO AUTOR -  COALHADA DE NUVENS EM MANHÃ RADIOSA)
 
 
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

POR TODOS OS CAMINHOS DO MUNDO



"A minha poesia é assim como uma vida que vagueia pelo mundo,
por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar num jardim nocturno,
ora o deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do oásis,
ora os pés cansados, sem forças para além.

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.

Não sei caminhos de cor."

Por todos os caminhos do mundo - Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"

(DO AUTOR - APONTANDO OS CAMINHOS DO MUNDO)











quarta-feira, 1 de maio de 2013

NEBLINA


"A certeza é fatal.

O que me encanta é a incerteza.

A neblina torna as coisas maravilhosas."

Óscar Wilde


(DO AUTOR - A NEBLINA A TORNAR AS COISAS MARAVILHOSAS)