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domingo, 31 de março de 2013

O SORRISO


Se pudesse atribuir um cognome ao Papa Francisco seria o do Sorriso.

Este Papa que se tem mostrado tão terra a terra, tão próximo de nós, tão perto dos humildes, tão longe da pompa e circunstância do Vaticano, tão desprendido dos valores materiais que abundam por todo o lado e nas nossas mentes, tão terno com as crianças - Deixai vir a mim os pequeninos por é deles o Reino dos céus! -, provavelmente tão triste pela tristeza que cobre este mundo, pelas guerras, pela ganância que aniquila nações, que torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, pela escravidão ao trabalho que a tantos obriga, pelas lutas fratricidas e religiosas... este Papa, apesar de tudo, tem um sorriso lindo, sereno, tranquilo, apaziguador, um sorriso bom, um sorriso que encanta e aproxima, um sorriso que comove...

Mas sinto que, na intimidade do seu quarto, no silêncio do seu recolhimento, nas horas em que se dirige a Deus, nas suas orações, ele não sorri, mas chora por todos nós...

(O PAPA FRANCISCO - O PAPA DO SORRISO)



sábado, 30 de março de 2013

PASSAGEM


PÁSCOA significa, em hebraico, PASSAGEM.

Passagem que, para os Judeus, foi a passagem da escravidão para a liberdade... e representa, não a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, mas a passagem do anjo da morte.

De acordo com a Bíblia, Deus enviou dez pragas sobre o povo egípcio com o fim de libertar o povo judeu da escravidão dos faraós... E, só depois da décima praga, depois de o anjo enviado por Deus ter ferido de morte todos os primogénitos egípcios é que o Faraó, com receio de uma maior fúria do Deus de Israel, se decidiu a libertar esse povo.

Páscoa que, para os Cristãos, significa a vitória da vida sobre a morte... Do sacrifício imenso de um Deus que se fez Homem, sofreu e morreu por eles e Ressuscitou da morte... 

A Páscoa é, assim, a libertação de todos os que estavam separados de Deus pelo pecado, restaurados pela morte e ressurreição de Cristo... como uma PASSAGEM!

Por isso, também, a Páscoa se festeja na PASSAGEM do inverno para a primavera!

(DO AUTOR - A PASSAGEM)














sexta-feira, 29 de março de 2013

ECCE HOMO


Eis o Homem!

Foi assim que Pôncio Pilatos apresentou Jesus Cristo, já flagelado, atado com as mãos atrás das costas e coroado de espinhos à multidão de judeus, sedenta de morte. O governador não Lhe encontrou motivo para O condenar, mas aquela multidão apenas tinha uma palavra na boca: Crucifica-O.

E as Escrituras cumpriram-se e Cristo, o Jesus de Nazaré, foi crucificado.

O mesmo Cristo, cujo único crime foi o de pedir que nos amássemos, que esquecêssemos o ódio e as divisões entre os homens...

Um pedido que, agora, nestes tempos difíceis que vivemos, se torna fundamental: nada é mais importante que o amor e a entrega, a solidariedade, a ajuda, a fraternidade...

Boa altura para lermos as palavras de Jesus e tentarmos seguir o seu exemplo...

E, se o exemplo vem de cima, olhemos o Papa Francisco e atentemos às suas manifestações de humildade e dedicação aos mais pobres...


[Ecce Homo, obra do pintor italiano Antonio Ciseri (1821-1891)]





quinta-feira, 28 de março de 2013

CHUVA


Não larga, continua a cair copiosa, forte, bem molhada e, pior!, vem acompanhada de vento forte e de rajada!

Mas, apesar do cenário húmido, pardacento e (quase) assustador, há sempre um ponto de cor que sobressai dando um toque de vida à monotonia da paisagem...

(DO AUTOR - O MUSEU GUGGENHEIM EM BILBAO)






quarta-feira, 27 de março de 2013

AMARELO


Nem este tempo de inverno impede que as flores pintem, de diferentes cores, a Natureza... Não houvesse sol, a intensidade da sua luz, a força do seu calor e não haveria o amarelo franco, das flores daquele campo...
E o mesmo sol, depois do entardecer, embevecido pelo que criou, segue para o outro lado, dar outras cores a mais flores e iluminar outras vidas... 



(DO AUTOR - CAMPO FLORIDO)

terça-feira, 26 de março de 2013

A PRIMAVERA A ESPREITAR



A chuva, o vento e o frio ainda não deixaram que a primavera se apresente de pleno direito, frontal, florida, colorida, radiosa, brilhante e a encher o ar de aromas subtis... A verdade é que, apesar de já o ser, ainda não cheira a primavera!

Mas não deve demorar! O equinócio já lá vai, os dias agora já são mais compridos que a noite, as tardes já são mais luminosas e, não tarda, lá nos adiantam o relógio...

E a Natureza, indiferente às condições climáticas, aos relógios e aos homens, lá vai cumprindo o seu ritual de renovação, de explosão de vida, de cor, de crescimento...

Por todo o lado a vida brota, os campos florescem, o verde anima e, este ano, a água corre... os regatos são ribeiras e estas quase são rios...

Por todo o lado a primavera espreita...


(DO AUTOR - A PRIMAVERA A ESPREITAR...)



segunda-feira, 25 de março de 2013

CORRE O RIO E ENTRA NO MAR



"Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza
Murcha a flor e o seu pó dura sempre
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo."

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) - Da mais alta janela da minha casa, in O Guardador de Rebanhos.



(DO AUTOR - A RIBEIRA DE SÃO LOURENÇO A DESAGUAR NO MAR, NA PRAIA DE SÃO LOURENÇO)

domingo, 24 de março de 2013

O MELRO NO VERDE NOVO


(DO AUTOR - O MELRO NO VERDE NOVO)



"Quando o melro, no verde novo, um dia
volta, e assobia o seu amor, embriagado,
agitando sua inquietação num fresco de ouro,
abre-nos, negro, com seu bico rubro,
carvão vivificado por sua brasa,
uma alma de valores harmoniosos
maior que todo o nosso ser.

Não cabemos, por ele, plenos, completos,
em nossa fantasia despertada.
(O sol, maior que o sol,inflama o mar real ou imaginário,
que resplandece entre o frondor azul,
maior que o mar, que o mar.)
As alturas entornam seus últimos tesouros,
preferimos a terra que pisamos,
um momento chegamos
em vento, em onda, em rocha, em labareda,
ao impossível eterno da vida.

A arquitectura etérea, frente a nós,
com os quatro elementos surpreendidos,
abre-nos total, una,
com perspectivas imanentes,
a realidade solitária dos sonhos,
suas fascinantes galerias.
A flor eleva-se melhor à nossa boca,
a nuvem é de mulher,
a fruta seio responde-nos sensual.

E o melro canta, foge pelo verde,
e sobe, sai pelo verde, e assobia,
recanta pelo verde onde sopra o vento,
livre na claridade e na pureza,
torneado alegremente pelo ar,
dono completo do seu duplo prazer;
entra, vibra assobiando, fala, ri,
canta… E amplia com seu canto
a hora parada da estação viva
e faz nossa vida suficiente.

Eternidade, hora ampliada,
paraíso de fulgor único, aberto
a todos nós, adultos, pensativos,
por um ser diminuto que se amplia!
Primavera, absoluta Primavera,
quando o melro exemplar, uma manhã,
enlouquece de amor entre a verdura!

In «Antologia poética», de Juan Ramón Jiménez (selecção, tradução, prólogo e notas de José Bento), colecção «Poesia», Relógio D’Água Editores, L.da, Lisboa, 1992 (1.ª edição).


sábado, 23 de março de 2013

A OUVIR O MAR



Esta tarde, em que o sol se mostrou tímido e escondido atrás de nuvens de ameaça, o mar, pelo contrário, tinha deixado a sua mansidão e timidez longe dali.

E mostrou-se cheio, erguendo-se e esbracejando ondas fartas, violentas e bruscas, troando num tom baixo e forte, ribombando clamores de protesto, largando cabelos de água que o vento atirava para a praia, como se estivesse zangado, mas acabava, sempre, de forma doce e suave, a espreguiçar-se na areia que, serenamente, o ouvia e lhe ia escutando os seus segredos...



"Eu hontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.

Fallou-me do seu destino,
Do seu fado...

Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Poz-se a cantar
Um canto molhádo e lindo.

O seu halito perfuma,
E o seu perfume faz mal!

Deserto de aguas sem fim.

Ó sepultura da minha raça
Quando me guardas a mim?...

Elle afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia
De roxo as águas tingia.

«Voz do mar, mysteriosa;
Voz de amôr e da verdade!
- Ó voz moribunda e dôce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...»

................

E os poetas a cantar
São echos da voz do mar!"

António Botto, in "Canções" - Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia.





(DO AUTOR - A OUVIR O MAR, NA PRAIA DE SÃO LOURENÇO - ERICEIRA)




sexta-feira, 22 de março de 2013

PRIMAVERA



Acontece chegar na altura do equinócio, naquele dia de Março em que o Sol cruza a linha do equador e a noite tem a mesma duração do dia. Este ano foi no dia 20, às 11h 02m precisas, nem mais nem menos um minuto, que a Primavera entrou... com Sol, com promessas de melhor tempo, de mais calor, de menos chuva e de menos vento...

As andorinhas andam já por aí... muitas aos bandos e algumas ainda sozinhas... E, se elas já andam por aí é sinal que a estação está de mudança. Mas, diz o povo e a verdade, porque a voz do povo é a voz de Deus (vox populi, vox Dei) e da Verdade, uma andorinha não traz a Primavera e estas, por enquanto, ainda não a trouxeram...Veio o Sol, veio um calorzinho, mas o Inverno parece ter receio de se ir embora e de fechar a porta e, hoje, mais uma vez, trancou-se bem e trouxe a chuva, o vento e, de novo, o frio...

Ficamos à espera que venham muitas andorinhas trazer a boa-nova, anunciar renovação dos tempos, alegrar os dias, trazer mais luz, mais esperança... até porque a Páscoa já está mesmo a bater à porta...

(DO AUTOR - ANDORINHA DOS BEIRAIS, ESTA É DA VISTA ALEGRE)


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quinta-feira, 21 de março de 2013

POESIA


Se eu fosse poeta, hoje seria o meu dia porque hoje é um dia especial, o dia mundial dedicado à poesia.

Mas não sou! Não sou poeta! Mas gostaria, talvez por gostar, em demasia, desta arte, desta forma de melodia, do seu ritmo, da harmonia, da estética, da rima, da métrica, do encadeamento... 

Hoje deixo a "minha" poesia sair das mãos e da mente de uma das nossas maiores poetisas, Florbela Espanca:

Os Meus Versos

"Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que sonhei!
Tantos penaram já o que penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!..."

(DO GOOGLE IMAGES)


quarta-feira, 20 de março de 2013

FELICIDADE



No meio de tanta injustiça, de tanta crise, de tanta desgraça, de tanta tristeza, de tanta aflição, de tanta penúria, de tantos conflitos, de tanta riqueza e de, ainda muito mais, tanta pobreza, de tanta infelicidade quase não há lugar para a felicidade.
 
Mas, a verdade é que hoje é o Dia Mundial da Felicidade. Até admira... é que a Felicidade não vende, não estimula compras, não proporciona artigos vendáveis, num mundo, como este, em que o dinheiro parece tudo comprar.
 
Felizmente, ou infelizmente, a Felicidade não se compra nem se encontra à venda... talvez porque a Felicidade não é um artigo, nem uma coisa...
 
Felicidade é, antes, um sentir... é um bem que se anseia ou se alcança e que, quando se alcança, deixa de o ser... é um estado de plenitude... de satisfação... de gozo...
 
Se tivesse que definir felicidade talvez a resumisse ao sorriso de uma criança...


(O AUTOR, EM LISBOA, NA AVENIDA DA LIBERDADE, A SORRIR DE FELICIDADE - 1947)


 

terça-feira, 19 de março de 2013

VÔO APRESSADO



"Quero voar ao firmamento
Orvalhar o sentimento
ser o pensamento
Que embriaga o teu ser..."

Karin Raphaella Silveira

(DO AUTOR - VOAR AO FIRMAMENTO)

segunda-feira, 18 de março de 2013

O ATRAVESSAR...


"Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento"

Sophia de Mello Breyner Andresen - Para atravessar contigo o deserto do mundo - Livro Sexto (1962)

(DO AUTOR - A ATRAVESSAR O DESERTO DESTE MUNDO - GUILFORD)





domingo, 17 de março de 2013

DESEJAR SER UM ESQUILO




"... Olhar demoradamente o lago meio sujo, meio abandonado. Os peixes vermelhos nadando tão livres. Os irerês coçando as penas enfiando as cabeças entre as asas. Encerando depois as peninhas coloridas com paciência, uma por uma.

Levantar a vista para as árvores e desejar ser um esquilo para poder se colocar bem junto dos pombos e conversar com eles. Bonito, quando os homens e as crianças jogavam miolos de pão ou grãos de pipocas.

Entretanto, o que podia existir de mais bonito na praça do que as crianças brincando no parque? Nada. Todas elas vestindo infância. Num alarido de pássaros sem gaiola. Jogando bolas, correndo..."

José Mauro de Vasconcelos, in excerto de " O Palácio Japonês"

(DO AUTOR - ESQUILO SUBINDO NA ÁRVORE)







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sábado, 16 de março de 2013

O RELÓGIO DE SOL


Não dá horas, não tem ponteiros, não tem maquinismos, nem corda, nem pêndulos ou baterias... 

Não faz tic-tac, não liga muito aos fusos horários e não adianta ou atrasa uma hora quando muda de fronteiras...

É o relógio mais avançado porque dá o tempo astronómico e não liga a convenções ou tratados para mudanças ou acertos de horas. Não sabe o que são anos bissextos, nem se o dia 29 de Fevereiro é este ano ou noutra altura qualquer...

Só tem um defeito: não funciona de noite ou nos dias nublados...    Foi este o caso!


(DO AUTOR -  RELÓGIO DE SOL, SEM SOL E SEM HORAS)




sexta-feira, 15 de março de 2013

LABIRINTO


A finalidade é entrar por um lado e sair pelo outro...

Há labirintos fáceis, com meia dúzia de obstáculos e nos quais a saída se encontra rapidamente...

Outros há que são mais complicados, em que o caminho é feito de muros altos, que não permitem outras perspectivas de visão, cheios de obstáculos intransigentes, de dificuldades imensas...

E, depois de entrar, não há outro remédio senão o de encontrar uma saída. A dificuldade começa quando, ao entrar, nos são oferecidos vários caminhos e sabemos que apenas um é o correcto. Qual?

Há quem desista de tanto andar para trás e para diante, de repetir caminhos e voltar a esbarrar nas mesmas paredes...

Há quem se perca e não consiga encontrar, mesmo, o caminho de volta. Ficam por ali, perdidos, ansiosos, desesperados...

Há quem persista, quem se esforce, quem se determine e consiga encontrar a saída...

Parece que, desta vez, entrámos num labirinto dos mais complicados... de início confiantes, não há dúvida, cheios da esperança que, rapidamente, encontraríamos a solução mas a realidade vai-nos mostrando, cada vez mais, becos sem saída, voltas atrás, caminhos errados, estratégias desencontradas, esperanças inconsistentes... e o labirinto em que nos meteram está a transformar-se num túnel escuro, sem luz no fundo e que, parece, nos vai levando, de forma desastrada, para um buraco do qual não nos vamos safar nos anos mais próximos...

(DO AUTOR - UM LABIRINTO, ALGURES, POR ESSA EUROPA)

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quinta-feira, 14 de março de 2013

FRANCISCO


Francisco de Assis chamava aos animais de irmãos... Quando andava pelo mundo, nas suas pregações itinerantes, tentava seguir à risca os Evangelhos e imitar a vida de Cristo. Desenvolveu uma profunda identificação com os problemas dos seus semelhantes afirmando a bondade e a maravilha da Criação... Dedicou-se aos mais pobres e foi um exemplo de amor a todas as criaturas a quem chamava de irmãos: o irmão leproso, o irmão pobre, o irmão peixe, a irmã pomba...

Francisco foi o nome adoptado pelo novo Papa Bergoglio... Modesto, conservador e preocupado com os mais pobres.

Nas suas primeiras palavras, da janela do Vaticano, afirmou: "... E agora vamos começar esta jornada: o bispo e o povo. É o caminho da Igreja de Roma, que preside à caridade em todas as igrejas. Um caminho de fraternidade, amor e confiança entre nós..."

Um Papa que viveu modestamente enquanto Cardeal e Arcebispo de Buenos Aires...

Dispensou o palácio episcopal para viver num despretensioso apartamento na cidade, deu preferência aos transportes públicos em detrimento do automóvel com motorista, voava em classe económica sempre que ia ou vinha de Roma... Mas, também, um apaixonado pelo tango, pelo futebol, pela literatura... e, ninguém o diz, mas, certamente também, um amante dos animais...

Mesmo sem um pulmão, todos esperamos que tenha fôlego suficiente para soprar para fora do Vaticano poderes estabelecidos, forças do mal e muitos dos  vícios que vão desacreditando, cada vez mais, a Igreja que Cristo fundou e que São Francisco de Assis, tão bem, seguiu o exemplo...

(DO AUTOR - SÃO FRANCISCO - AQUELE QUE AMAVA TODAS AS CRIATURAS)






quarta-feira, 13 de março de 2013

FILA INDIANA


"Um atrás do outro, atrás um do outro,
ano após ano, ano após outros,
minuto após minuto, século
após século, continuam

(a conduzir seus madeiros
na perícia dos próprios dramas)

um atrás do outro, atrás um do outro,
ano após ano, ano após outros,
minuto após minuto, século
após século, e de novo

um atrás do outro, atrás um do outro,
até a surdez final do pó."

Nauro Machado


(DO AUTOR - EM FILA INDIANA NO CAMINHO DAS ÁGUAS)





terça-feira, 12 de março de 2013

TETRAPTICO



"... Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Cecília Meireles, in entrevista a Pedro Bloch, Revista Manchete - Abril de 1964





(DO AUTOR - UMA JANELA, QUATRO VISÕES)


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segunda-feira, 11 de março de 2013

O TROPEÇO



O TROPEÇO, feito com cortiça natural trabalhada à mão, fixada com  pregos de madeira de xara e colada, é coisa alentejana...

O tropeço é um banco baixo que serve para muitas coisa e, porque é feito de cortiça, é leve e confortável. 

O tropeço é útil! Serve para sentar quando se está a arranjar a lareira ou, simplesmente, para se aquecer quando os dias frios pedem mais proximidade do lume.

O tropeço também é bom para colocar os pés mais altos e descansar as pernas, quando a fadiga do dia pede repouso no sofá e alguma altura, para que os pés não inchem!

Há tropeços de vários tamanhos! Os mais pequenos podem servir, também, de degrau para se chegar à prateleira que não se alcança só com a mão! Os maiores, quando não precisamos deles para o apoio corporal, servem de base para colocar a chávena de chá quente que, nestes dias de invernia, de chuva e de vento, sempre é bem-vinda!

Claro que o tropeço também faz tropeçar, serve de obstáculo, de estorvo ou empecilho... É só uma  questão de andar pela sala às escuras, quando a electricidade falta, se vai à procura de uma vela para ter luz e se tropeça nele... 

Ou não fosse chamado de tropeço!
  

(DO AUTOR - UM TROPEÇO ALENTEJANO SEMPRE JUNTO À LAREIRA)

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domingo, 10 de março de 2013

PORTO MOLHADO


Este tempo feio, feito de chuva graúda, vento bem soprado e mar forte, apesar de tempestuoso e assustador deixa-nos imagens belas e inesquecíveis...

(DO AUTOR - A BARRA DO DOURO VISTA DO SHIS)


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sábado, 9 de março de 2013

PASSEIO DOS POETAS - 4



(DO AUTOR - PRAIA DA VITÓRIA - ILHA TERCEIRA - AÇORES)





sexta-feira, 8 de março de 2013

PASSEIO DOS POETAS - 3




(DO AUTOR - PRAIA DA VITÓRIA - ILHA TERCEIRA - AÇORES)





quinta-feira, 7 de março de 2013

PASSEIO DOS POETAS - 2



(DO AUTOR - PRAIA DA VITÓRIA - ILHA TERCEIRA - AÇORES)







quarta-feira, 6 de março de 2013

PASSEIO DOS POETAS - 1



(DO AUTOR - PASSEIO DOS POETAS - PRAIA DA VITÓRIA - ILHA TERCEIRA - AÇORES)



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terça-feira, 5 de março de 2013

PLANTINHAS


Aproveitam o sol de inverno para saltarem das juntas daquele velho muro de pedra... 

Um pequeno e frágil caule que emerge e espreita a vida de luz que faz contraste com o escuro de onde veio...

E desse caule, que se vai bifurcando, vão nascendo  pequeninas folhas, de um verde húmido que, rapidamente se abrem em redondo e se pintam de um vermelho intenso e gritante...

Um sinal de cor, um chamar de atenção, um alerta de vida a saudar o renascer de mais um ciclo...

É a natureza a expressar-se e a saudar o sol e a vida... 


(DO AUTOR - FOLHAS VERMELHAS)


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segunda-feira, 4 de março de 2013

ÁRVORES DA FLORESTA


"Vai lá longe, na floresta,
Um som de sons a passar,
Como de gnomos em festa
Que não consegue durar...

É um som vago e distinto.
Parece que entre o arvoredo
Quando o rumor é extinto
Nasce outro som em segredo.

Ilusão ou circunstância?
Nada? Quanto atesta, e o que há
Num som, é só distância
Ou o que nunca haverá."

Fernando Pessoa, Vai lá longe, na floresta.

(DO AUTOR - A FLORESTA NA SERRA DE SÃO MAMEDE)



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domingo, 3 de março de 2013

GAIVOTA


"... Como os mais belos harmónicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma recta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o vôo de uma gaivota numa aurora de novos sons..."

Vinícius de Moraes -  Uma música que seja.



(DO AUTOR - O VÔO DE UMA GAIVOTA)



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sábado, 2 de março de 2013

MANHÃ PURA


"...
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
..."
Chico Buarque - Abandono.

Será passear nas margens do aborrecimento
Contando os dias um por um (?)...
Será pensar que o amanhecer é sofrimento
E a dor passar a ser um mal comum (?)...

Ou será sentir que o sol que nos aquece
Nos pode encher a vida de cor e alegria...
Se com ele vier, junta, a paz que se merece
Dando mais razão ao viver de cada dia...  
   




(DO AUTOR - PASSEANDO, SÓ, À BEIRA DO TEJO NA MANHÃ DE SOL)



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sexta-feira, 1 de março de 2013

MARÇO


Março, marçagão
Manhãs de inverno
Tardes de Verão...

(DO AUTOR - TARDE DE MARÇO EM PLENA SERRA)