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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

BRUXAS


Andam por aí... à solta, a voar em vassouras, a largarem o visco da poção mágica que preparam na noite anterior, a deixarem um rasto de raios e coriscos, a assustar os gatos pretos que são a sua companhia...



(DO AUTOR - GATO PRETO EM NOITE DE BRUXAS)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PARTIDA


A caldeira ganhou pressão... o vapor empurrou os êmbolos que puseram a girar as enormes rodas laterais e o barco partiu, mar fora... 

Deixou as saudades em terra... 

Levou consigo a esperança de uma vida com futuro...



(DO AUTOR - O VAPOR... DE PARTIDA)


terça-feira, 29 de outubro de 2013

AVIEIROS



Na partida para a faina... na margem  do rio, o avieiro...

Veio da Vieira de Leiria, com os frios, os ventos cortantes e o mar forte de ondas bravas... 

Até ali, ao Escaroupim... com a família... à procura do sustento... do sável que chega, Tejo acima, aos cardumes... com a ilusão que, o lançar as redes lhe traga a esperança de uma vida melhor...





(DO AUTOR - A PREPARAR A PARTIDA...)


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

LAVADEIRAS



Vinham de Caneças...

Chegavam à segunda-feira e andavam pela cidade, de trouxa à cabeça, a entregar a roupa lavada e engomada, depois de bem corada ao sol, levando de volta a roupa suja que seria tratada durante a semana...

Nessa altura, as clientes ainda se chamavam freguesas, as máquinas de lavar roupa ainda não tinham sido inventadas e as lavadeiras de Caneças eram bem-vindas à cidade... Traziam alegria, movimento, enchiam as ruas de cantigas e, com elas, vinha o cheiro da roupa bem lavada...

A Beatriz Costa eternizou estas lavadeiras no filme e na canção Aldeia da Roupa Branca:

Ai rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes,
Ai põe-nos cor de prata.

Roupa no monte a corar
Vê lá bem tão branca e leve
Dá ideia a quem olhar
Vê lá bem que caiu neve.

Água fria da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.

Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval
Que a freguesa deu ao rol.

Ai rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes
Ai põe-nos cor de prata.

Olha ali o enxoval
Vê lá bem de azul de esperança
Perece o monte um pombal
Vê lá bem que pombas brancas.

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.

Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval
Que a freguesa deu ao rol.

Ai rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes
Ai põe-nos cor de prata.

Um lençol de pano cru,
Vê lá bem tão lavadinho,
Dormimos nele, eu e tu,
Vê lá bem, está cor de linho.

Água fria da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.

Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval
Que a freguesa deu ao rol.


http://letras.mus.br/beatriz-costa/492618/




(DO AUTOR - LAVADEIRAS DA ALDEIA DA ROUPA BRANCA)


domingo, 27 de outubro de 2013

AVE DO PARAÍSO



Estava ali, na parede rosada daquela casa.

De cores vivas, com cauda longa e fina, rematada por um tufo de pequeníssimas e delicadas plumas... 

Devia estar na época de acasalamento... no período mais romântico da sua existência... a olhar a companheira escondida na densa folhagem da árvore que lhe dava apoio...

E, para lhe chamar a atenção, agitava-se, batia as asas, ameaçava voos de partida... mas voltava, súbito, ao mesmo galho...

E a reminiscência do seu canto fazia-se escutar no som longínquo de campainhas que repicavam ao som de um vento brando que descia da serra... tal como quando o escutava nos seus passeios pela floresta tropical...  




(DO AUTOR - AVE DE PARAÍSO - REMINISCÊNCIAS DE UM BRASIL ROMÂNTICO)


sábado, 26 de outubro de 2013

BONANÇA


Vem sempre a seguir à tempestade!

Na véspera, a chuva inclemente, os rios e as torrentes de água a arrastarem tudo à sua frente... O caos!

Hoje, apenas as reminiscências brancas e fofas das nuvens bem negras e pesadas que, ontem, cobriam este céu, agora tão azul e tão brilhante!


(DO AUTOR - O CÉU DO ALGARVE)


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

MAR CHÃO



Mar chão... de ondas moles e espumas suaves...





(DO AUTOR - O MAR DA ERICEIRA EM MANHÃ FLAT)


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

ESTRATIFICAÇÃO


São precisos milhares, milhões de anos para que possamos ver as pedrinhas, assim, depositadas numa linha que parece ter sido traçada a régua...
 
Uma Natureza paciente, que vai guardando e mostrando a sua própria história... àqueles que lhe conseguem ler os segredos, assim, estratificados...


(DO AUTOR - AS ARRIBAS ALGARVIAS)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

CINCO HORAS...


Pelo menos era assim que indicava aquele relógio de sol, em tarde soalheira... a hora ideal para um chá...

Mas hoje não lhe ia apetecer, nem chá verde, nem preto...

Pensava, antes, numa mistura que associasse o chá verde, sempre cheio de antioxidantes, a uma infusão de limão, gengibre e mel... É que a garganta, ainda combalida da constipação de há dias, iria beneficiar daquela mistura quente e adstringente, tomada em goles curtos e a deslizar suavemente pela goela abaixo, até se aninhar, quietinha, no estômago...

E, à medida que ia bebericando a infusão de aromas e sabores, a garganta ia ficando mais macia, menos agarrada e irritada... A voz perdeu aquele tom meio rouco e, até, aclarou...  

Ainda bem que não chovia àquela hora, e o sol não estava coberto por nuvens, quando olhou para o relógio... se não, como iria saber se já estava na hora do seu "five'o clock tea...?"  




(DO AUTOR -  RELÓGIO DE SOL NA PONTE VECCHIO -  FLORENÇA)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

CHAMA


Fez um "scracht" com a cabeça do fósforo na lixa da caixa, deixou que aquela explosão de luz e fogo acalmasse e encostou o fósforo aceso ao pavio grosso, bem impregnado de estearina, ao mesmo tempo que protegia, com a mão, a chama do vento silencioso...

Desta vez não houve explosão... foi mais como um beijo que ia transferindo o calor e a luz efémera do pau do fósforo, que rapidamente se ia carbonizando, para aquele torcido de fibras, prometedor de uma chama consistente e duradoura, que se foi afirmando no tamanho, na luminosidade, no calor...

E, silenciosamente ali ficou, a fazer-lhe companhia, numa presença discreta e tranquila, até que... lentamente, se deixou apagar, sem um ai, sem um adeus... apenas deixando subir, no ar, um fio de fumo esbranquiçado iluminado pelo morrão vermelho da brasa do pavio que, cedo, se extinguiu...

Depois, ficou a escuridão...

E foi, ao sentir a ausência daquela chama, que se deu conta de como as noites, no campo e sem luar, são negras, longas e solitárias...



(DO AUTOR - CHAMA)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

SILÊNCIOS


Hoje, a cidade acordou embrulhada em silêncios...

As ruas desertas e húmidas de orvalho...

Poucos eram os carros que passavam, silenciosos e sem buzinadelas... também não eram muitas as pessoas que se viam a caminho do trabalho. Outras, poucas, passeavam os seus cães, silenciosa e tranquilamente... sem um latido ou um rosnar...

Pássaros, só um! Um melro negro e luzidio, que saltitava, silenciosamente, na relva da praceta, à procura do alimento...

Pouco habitual um cenário destes...

A lua, ainda bem cheia, alumiava, já no seu ocaso, a cidade que se apressava a sair da escuridão da noite, ajudando à montagem de um cenário de quase mistério e cumplicidade no acordar deste dia de hoje...

Foi quando olhou para o relógio e se deu conta que passava pouco das seis da manhã!


(DO AUTOR - LISBOA A ACORDAR E A LUA A ESCONDER-SE)


domingo, 20 de outubro de 2013

COGUMELOS


Agora, com as noites mais frescas e com alguma humidade, com o orvalho a cobrir o chão...

Surgem... como cogumelos!


(DO AUTOR - COGUMELOS A BROTAR)


sábado, 19 de outubro de 2013

AMARELAS


Quase parece primavera...

De um dia para o outro o relvado encheu-se de flores amarelas... viçosas, bem coloridas, bem abertas... 

Bastaram uns dias de chuva, um calorzinho e bastante sol... e a natureza a reagir aos seus sentires...

Ficam bem... a contrastar com os castanhos e vermelhos das folhas das videiras ali ao lado...

(DO AUTOR -  FLORES AMARELAS DE OUTONO)


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

BOLOTAS


Começaram a cair agora... O chão está cheio...

Os sobreiros e os carvalhos estão a libertar-se delas e, à sua volta, o terreno está atapetado destas glandes castanhas e lustrosas...

Habitualmente servem de alimento ao porco e ao peru que já está engordar para o Natal...

Antigamente eram muito usadas em culinária, como substituto da farinha, na confecção de bolos, no acompanhamento de pratos de carne e, mesmo, assadas como as castanhas...

Agora,  tal como com a alfarroba, já se começam a ver, por aí,  bolachas e bolos secos feitos com farinha de bolota... à maneira tradicional!

Estas, vou apanhá-las e assá-las... São boas e quentes... como as castanhas!

(DO AUTOR - BOLOTAS)



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A AMADURECER


Já falta pouco tempo...

A árvore está cheia, carregadinha, a vergar os galhos para o chão sob o peso dos frutos...

Bem característicos desta época... os dióspiros (ou caqui)... juntamente com as castanhas, as romãs, os marmelos, os medronhos...

E, estes, são dos moles, dos que se comem à colher, com um pouco de canela (de novo a Rota das Índias)... de sabor adstringente mas, ao mesmo tempo, adocicado, a fazer cócegas na língua e a encarquilhar o paladar... uma delícia...

É só uma questão de tempo!

(DO AUTOR -  OS DIÓSPIROS A AMADURECEREM...)


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PICANTE


Não dispensa um bom condimento. Gosta da comida apaladada, sem perder o sabor do alimento, mas exaltada pelo picante... 

Reminiscências da Rota das Índias (?), do comércio das especiarias, do cravo, da canela, do caril, do açafrão, da pimenta, do piripiri...

Agora, só espera que amadureçam depressa para, de seguida, as colocar num frasco e lhes juntar o azeite virgem, o uísque de malte, um cheiro de aguardente e duas ou três pedras de sal... 

Depois, é só dar tempo ao tempo...  

(DO AUTOR - AS MALAGUETAS, QUASE NO PONTO!)


terça-feira, 15 de outubro de 2013

PARTIR...

 
 
É o que apetece... partir! Ir daqui para fora... sair!
 
É que nos querem afogar... Qualquer dia até nos cobram para respirar!
 
Hoje são dez por cento... Amanhã um pouco mais, até ficarmos sem qualquer espécie de sustento!
 
Vão acabando com as pensões... Vão dando cabo dos velhos, dos doentes, dos inválidos, sem lugar a distinções!
 
Aumentam as taxas, sobe o gás, sobe a eletricidade... mentem tanto que já não se sabe quando falam verdade!
 
É mesmo o que apetece... pegar na mala e zarpar...
 
Para onde?
 
Sei lá... desde que não tenha que os aturar...
 
 
(DO AUTOR - O EMIGRANTE - CANGAS DE ONÍS)
 
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

OUTONAL



"Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago...

Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que soluço a delirar de amor..."


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)



(DO AUTOR - AS FOLHAS DE OUTONO)


domingo, 13 de outubro de 2013

ENTARDECER


À tardinha, quando o dia ainda é dia mas mais logo será noite, quando o sol começa ir embora mas ainda enche de luz e de oiro a paisagem que se avista, quando é hora para a despedida mas ainda não apetece ir embora... é bom ficar, tranquilamente, a ver o entardecer...  



(DO AUTOR -  O FIM DE TARDE NO TEJO, DA OUTRA BANDA...)


sábado, 12 de outubro de 2013

BEIRA-MAR



Gosto dos fins de tarde junto ao mar...

Gosto de sentir o cheiro da maresia, gosto muito do seu murmurar quando está calmo e do seu rugir quando se zanga, gosto de ver a ondas a beijarem o areal, gosto da neblina que coa as cores do sol poente...

E, nesses momentos de contemplação e de solidão, gosto de lembrar Sophia a falar para o mar...

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
seres um milagre criado só pra mim."

Sophia de Mello Breyner Andresen - Mar Sonoro



(DO AUTOR - O MAR NA PRAIA DE SÃO LOURENÇO)


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

FALTA UM MÊS


Falta um mês... 

As castanhas, ainda no aconchego do seu útero espinhoso, estão quase prontas a serem paridas... 

O vinho novo continua a ferver na adega e a apurar-se no álcool e no aroma...

O Verão, esse, continua por aí...

... pois é, já cheira ao São Martinho que não tarda a chegar...

Falta um mês...


(DO AUTOR - AS CASTANHAS PRONTAS A SEREM PARIDAS)

 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

NAQUELE FIM DE TARDE...



Naquele fim de tarde em que o calor sufocante do dia se foi transformando numa brisa amena, as cores do céu foram passando do azul intenso ao rosa suave, o ambiente se foi enchendo de silêncios que iam abafando os ruídos incómodos e o sol se escondeu por detrás dos montes distantes... soube bem estar ali, a deixar que a noite acontecesse!  


(DO AUTOR - FIM DE TARDE EM MARVÃO)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O VELHO E A FLOR


"Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor."

Vinícius de Moraes - O Velho e a Flor.




(DO AUTOR - A FLOR DO AMOR?)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

À ESPERA


Falta pouco para se libertar, para quebrar o cordão umbilical que a liga à árvore mãe... 

Enquanto viva, cheia da clorofila que lhe dava a cor verde, cumpriu a sua missão a favor do ambiente. Resistiu aos temporais, às chuvas, ao frio cortante, ao calor inclemente...  

Agora aguarda, serena, a chegada do vento... de uma brisa ténue que a faça soltar, oscilando-se pelo ar suavemente, ou da rabanada forte que a faça bailar pelo ar, num rodopio final...



(DO AUTOR - FOLHA DE OUTONO AGARRADA À VIDA)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

OURIÇOS


Estão quase... mais um sol, mais uns dias... e, rapidamente se acastanham na cor e na saída do fruto...
 
Pudera! O São Martinho está à porta e a Água Pé está quase pronta!



(DO AUTOR - OS OURIÇOS A AMADURECEREM)



domingo, 6 de outubro de 2013

RUBRO


Persistiu...

Ficou agarrado ao pé que lhe deu vida...

Cresceu botão, abriu flor, gotejou néctar, deixou que as abelhas lho levassem e fosse polinizada, deu fruto, bem verde e duro...

Com tempo, a seiva, o sol e os calores encheram-no, avermelharam-lhe a pele, adocicaram e amadureceram o pomo e ficou um belo fruto, lá no alto do arbusto onde mãos gulosas não conseguiram chegar...

E ali ficou... persistente, rubro... esperando... 


(DO AUTOR - A PERSISTÊNCIA RUBRA NUM OUTONO DE CASTANHOS - EM GUILFORD)




sábado, 5 de outubro de 2013

O CINCO DE OUTUBRO


Antigamente era um dia feriado porque era o dia da comemoração da implantação da República... Era, e não é, porque já não se comemora mais...

Acabaram com o feriado!

Agora, apenas aquela meia dúzia de eleitos, políticos claro!, é que comemora o dia... mas à porta fechada, não fosse o povo humilde e sacrificado estragar a cerimónia...

O ano passado a atrapalhação foi tanta que o Cavaco até içou a bandeira de pernas para o ar (ou ameias para baixo, melhor será!)...

Hoje, não içou bandeiras mas foi vaiado, assobiado, injuriado... e a cidade foi-se enchendo de barreiras metálicas junto à praça do Município e na periferia da Assembleia da República... não fossem os senhores deputados, os políticos e outros serem incomodados pelo povo miserável que lhes vai pagando os ordenados...

Também não sei se haverá lugar para se comemorar esta república que vai fedendo a injustiças, a atropelos, a manipulações, a roubalheiras, a compadrios,  a desvios, a mentiras, a tudo o que queiram... 

Honestidade, verdade, seriedade, lealdade, compromisso são palavras que foram apagadas do léxico dos nossos políticos e governantes...

Comemorar a implantação da República? E para quê, afinal?


(DO AUTOR - A BANDEIRA DESTA REPÚBLICA DESTROÇADA)



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PRIMEIRAS CHUVAS


Passaram as primeiras chuvas deste Outono ainda criança... A água, que tudo molhou, avivou os verdes, fez brilhar, ainda mais, os amarelos e acentuou os castanhos e os vermelhos da Serra...

A mata, revigorada pela chuva, convida a passeios longos, mas exigindo um caminhar cauteloso naquele chão escorregadio, atapetado da caruma castanha, ainda húmida, e semeado por tufos de fetos e pinhas, dispersas, bem abertas...  

E o cheiro, a molhado de fresco, combina-se com os aromas da resina dos pinheiros e mistura-se com o dos castanheiros que começam a abrir os ouriços, libertando as primeiras castanhas...

Só faltam agora os frios das noites e das madrugadas para que os cogumelos, os tortulhos e os míscaros comecem a brotar do meio daquele chão, tão macio e fofo ao caminhar...


(DO AUTOR - AS PINHAS ABERTAS)


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

VERMELHO OUTONAL


São as cores das folhas de Outono... 

Começam com os verdes fortes que, sorrateiramente, vão empalidecendo... depois, rapidamente, amarelecem e, num voltar da própria folha, tornam-se castanhas, manchadas de tons mais escuros... algumas caem com um soprozinho de vento, outras vão resistindo, agarradas à vida do ramo frágil...

Mas algumas tornam-se vermelhas, da cor do fogo, da cor do sangue... rubras como a da cor de uma bandeira a agitar-se aos ventos de Outono...  


(DO AUTOR - FOLHAS VERMELHAS NA PUJANÇA DO OUTONO)


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

TEXTURAS


Brotou do chão numa folha, cresceu lenta com o vagar do tempo, com o correr das estações... as chuvas, os ventos foram-lhe moldando e esculpindo o tronco, foi engelhando a pele ao sofrer do frio das noites de inverno e dos calores do verão... deixou que os anos lhe fossem desenhando curvas, veios e estrias...

Engrossou o tronco, estendeu os ramos, cobriu-se de folhas, floresceu na primavera e deu os frutos ao findar o verão... foi vindimada e deixou que as parras, depois de avermelharem, caíssem com as brisas e as primeiras chuvas do outono...

Agora, de textura ressequida, de aspecto envelhecido, carregada das cicatrizes do tempo, vai adormecer num sono prolongado para, mais tarde, despertar de novo...  



(DO AUTOR - TEXTURA LENHOSA DE UMA VIDEIRA VELHA)



terça-feira, 1 de outubro de 2013

O HOMEM E A MULHER


"O homem é a mais elevada das criaturas,
a mulher o mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono,
para a mulher um altar:
o trono exalta e o altar santifica.

O homem é o cérebro,
a mulher o coração:
o cérebro produz a luz, o coração produz amor.
A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é o génio,
a mulher é o anjo:
o génio é imensurável, o anjo indefinível.

O homem tem a supremacia,
a mulher a preferência:
a supremacia significa força, a preferência representa o direito.

O homem é forte pela razão,
a mulher é invencível pelas lágrimas:
a razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos,
a mulher de todos os martírios:
O heroísmo nobilita, o martírio purifica.

O homem pensa,
a mulher, sonha:
pensar é ter uma larva no cérebro, sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um código,
a mulher é um evangelho:
o código corrige o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um oceano,
a mulher é um lago;
o oceano tem a poesia que deslumbra, o lago a poesia que adorna.

O homem é a águia que voa,
a mulher o rouxinol que canta;
voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma.

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra,
a mulher onde começa o céu".



Victor Hugo - O homem e a mulher.




(DO AUTOR - O HOMEM E A MULHER NUMA VALSA DE VIENA)