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domingo, 30 de junho de 2013

CALOR DE VERÃO



Chegou repentino, intenso, devastador... Não deu tempo para nada! Sem pré-avisos, sem aquelas promessas de tempo de verão.

Chegou e instalou-se, apropriando-se de um "terreno" que é seu de pleno direito - o verão -.

Na verdade, tem todo o direito, mas como o tempo tem andado meio avariado, fora do normal, inconstante e desajustado até parece que este calor está fora de época.

Com o Junho a acabar, agora que os Santos populares partiram e o São Pedro fechou, com as suas chaves, a porta de mais um mês, abrem-se as perspectivas de um bom tempo de praia.

Ao menos que, agora, o tempo jogue certo com o calendário e não troque as voltas como tem feito até aqui. Que traga calor, que traga sol, que encha as praias de gente, que deixe que os corpos se bronzeiem, que o mar não seja mau e deixe que as pessoas se banhem...

(DO AUTOR - O CALOR DO VERÃO)




sábado, 29 de junho de 2013

MÃE OU AVÓ


(DO AUTOR - AMOR DE MÃE - CASTELO DE VIDE)

"Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há-de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
e apenas menos que Deus!"

Mário Quintana - Mãe

Curioso como, também, a Avó tem três letras, tantas como o Céu, e, quantas vezes à distância, dá amor tão infinito, como o da Mãe, e apenas menos um bocadinho do que Deus!



(DO AUTOR - UMA AVÓ A SONHAR OS NETOS  - CASTELO DE VIDE))







sexta-feira, 28 de junho de 2013

A GUARDA E OS CINCO" EFES"



A Guarda é a terra dos cinco "F". 

"F" de Fria, de Forte, de Farta, de Fiel e de Formosa. 

Há quem diga que os "F" não são cinco, mas sete: juntam-lhe um "F" de Feliz e outro de Feiticeira.

Não sei muito bem qual é a ordem destes "efes" mas, o primeiro F é, certamente, o de Fria.

É que, mesmo neste Verão tórrido, em que o calor não nos deixa respirar e entra por todos os poros da nossa pele, as manhãs, aqui, acordam com um vento frio que desliza sorrateiro e contrasta com a quentura do dia.

Será que é mesmo assim? Ou será que o frio vem, afinal, das ventoinhas gigantes que circundam esta terra de tanto "F"?  Ou será mais um "F" de Fan (ventoinha em inglês)?


(DO AUTOR - AS EÓLICAS E O FRIO DA GUARDA)  



quinta-feira, 27 de junho de 2013

GUARDA


Sobe-se aos 1000 metros de altitude e o ar torna-se mais puro, a visibilidade mais transparente e os cheiros mais acentuados... Cheira a Serra, cheira a Mondego, cheira a Tranquilidade.

Aqui, na Guarda, o sol amanhece mais cedo, os silêncios da natureza dominam sobre o ruído da urbe e a vista perde-se para lá do horizonte...

Sabe bem estar mais perto do céu!



(DO AUTOR - O AMANHECER NA GUARDA)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

INSINUANTE LUAR


O dia tinha sido anormalmente quente e o convite para jantar, junto ao Tejo, ao ar livre, era uma tentação...
 
Àquela hora corria uma aragem ainda quente, mas, apesar de tudo, perfeitamente suportável...
 
Tinha levado uma camisola de algodão, não fosse o vento fresco da beira-rio arrefecer demasiado o ambiente. Nunca se esquecia das duas máximas que a vida lhe foi ensinando: "o mar é sempre frio, húmido e salgado" e "junto ao rio, à noite, é húmido e faz frio".
 
Só que, desta vez, o rio não trouxe aquele fresco que estava à espera e a noite manteve-se quente, a lembrar as noites de verão de há muitos anos...
 
Há dois ou três dias tinha sido lua cheia... A lua que sempre surpreende e encanta...
 
Só que, desta vez, surpreendeu de forma especial: insinuou-se entre a Torre de Belém e o Cristo-Rei e lá foi subindo, como um balão de São João e pôs-se a brincar com o Cristo...
 
Insinuante e divertido luar!
 
 

(DO AUTOR - A LUA VERMELHA A NASCER SOBRE O TEJO ENTRE O CRISTO-REI E A TORRE DE BELÉM)

 


(DO AUTOR - A LUA E O CRISTO-REI, BRINCANDO)
 

 
 
 
 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

RESTOS


Restou aquela, já meia desmanchada, quase desnudada, mas ainda capaz de seduzir com a sua cor, com o seu perfume, e ainda com um restinho de charme, aquela vespa faminta...

Até há bem pouco tempo cobriam os campos de um amarelo solar, luminoso, brilhante... Agora, flor única, de cor desbotada, parece o resto de um coto de vela amarelecida de pavio apagado.

Uma vida que vai terminando, mas ainda de pé, aparentando dignidade e alguma sobranceria...






(DO AUTOR - OS RESTOS...)



segunda-feira, 24 de junho de 2013

LUA CHEIA


A lua desta noite veio cheia, imensamente cheia e ainda mais luminosa... 

Apareceu à hora marcada e, como se fosse um balão enorme nesta noite de São João, foi subindo, bem devagar, iluminando a noite de festa...

As expectativas eram imensas... Foi anunciada, quase, como se fosse o sol da noite... Não chegou a tal... É que o céu, vestido de uma neblina discreta, suavizou-lhe o brilho, amaciou-lhe a cor, mas não lhe fez diminuir a beleza e o encanto de uma lua bem redonda e de um luar espectacular...


(DO AUTOR - A LUA CHEIA GIGANTE A NASCER SOBRE A CIDADE)



domingo, 23 de junho de 2013

NO PAREDÃO


Aproveitaram a manhã de domingo de sol e vieram dar uso às pernas ao mesmo tempo que descansavam do bater das asas. Se fossem comadres estariam na conversa, a descobrir verdades, mas a verdade é que não... Parece, antes, que olham, ansiosas, pelo chegar da comida sem saberem, ainda, se virá do mar, ou do barco que está ali ao lado, ou se não terão que a ir buscar aos restos das refeições do restaurante, que fica do outro lado da rua...




(DO AUTOR - GAIVOTAS NO PAREDÃO À ESPERA DO ALMOÇO)



sábado, 22 de junho de 2013

NO TEJO


Hoje, No primeiro dia de verão, o dia fez juz à estação.

O sol aqueceu bastante o ambiente, a luz foi intensa e as praias encheram-se... Só o vento é que não se quis ir embora. 

Mas, em contrapartida, ajudou a suportar a temperatura excessiva e foi um auxiliar oportuno para um passeio à vela, no Tejo...

(DO AUTOR - A VELEJAR NO TEJO, COM O VENTO DE FEIÇÃO)



sexta-feira, 21 de junho de 2013

A UNIÃO FAZ A FORÇA


Lembro-me, muitas vezes, da parábola dos sete vimes...

"Era uma vez um pai que tinha sete filhos. Quando estava para morrer chamou-os todos sete e disse-lhes assim:
– Filhos, já sei que não posso durar muito: mas antes de morrer, quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco, e mo traga aqui.
– Eu também? – perguntou o mais pequeno que só tinha quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco, e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.
– Tu também – respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete filhos; daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um o seu vime seco.
O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho, e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe:
– Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime, e não lhe custou nada a partir.
Depois o pai entregou o outro ao mesmo filho mais novo, e disse-lhe:
– Agora parte também esse.
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou nada parti-los todos. Partindo o último, o pai disse outra vez aos filhos:
– Agora ide por outro vime e trazei-mo.
Os filhos tornaram a sair, e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com o seu vime.
– Agora dai-mos cá – disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho. E voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim:
– Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.
– Não podes? – perguntou ele ao filho.
– Não, meu pai, não posso.
– E algum de vós é capaz de o partir? Experimentai.
Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
– Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu sem lhe custar nada todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pôde parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu – e os filhos foram muito felizes, porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem."

... aqui tão bem descrita por Trindade Coelho no seu livro, "Os Meus Amores".
 
E, não sei porquê, ou saberei mesmo muito bem porquê, a verdade é que esta história é cada vez mais actual.
 
É que, todos os dias, se vêem famílias desavindas, sociedades civis desfeitas, amizades estragadas, povos em convulsão, países em ruptura, com o mundo a desagregar-se socialmente, com muito mais pobreza, mas os ricos cada vez mais ricos, a democracia a ser cada vez mais musculada a favor de uma minoria elitista, o poder político a sobrepor-se ao poder cívico...

Como se cada um apenas olhasse para o seu umbigo, para os seus interesses, numa forma de ambição desmedida, de ganância pelo dinheiro, de ânsia pelo poder...

Mas parece que os desfavorecidos, os jovens, os submetidos estão a tomar consciência da sua força, sabendo que cada um por si nada vale mas, juntos, numa luta solidária conseguem ter outra força que inquieta o poder político, abana os alicerces do estabelecido, estremece os governantes...
 
 
E, na verdade, as equipas que ganham são as que trabalham de uma maneira uniforme, colectivamente, para a conquista de um ideal comum.
 
Não queiramos estar numa embarcação a remos, em que cada remador olha para onde quer e só rema quando lhe apetece, pois, mesmo que haja um timoneiro que tente dar ordens de comando, o barco não sai do mesmo sítio ou anda à roda, desgovernado, sem rumo e sem destino, se cada um continuar a olhar para si mesmo, esquecendo, ignorando ou desprezando aqueles que estão à sua volta!
 
(DO AUTOR - EMBARCAÇÃO NO TEJO)
 
 
 
 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O VERÃO


Entrou prometedor, com sol e com o dia a aquecer. O vento fresco da manhã foi só uma manifestação reminiscente dos dias anteriores...

As nuvens parece que já partiram, o vento não há dúvida que abrandou e o frio, desproporcionado para a época, transformou-se num calor apetecido.

Hoje, é o dia que marca o solstício de verão... Dia em que o sol fica lá bem no alto, as sombras que origina são as mais curtas, a luz permanece por mais tempo, tornando este dia no mais longo do ano, pelo menos por aqui, por estes lados do hemisfério norte!

E, com o solstício, comemora-se a entrada do verão... a estação da plenitude, dos dias de calor mais consistente... das praias, dos corpos bronzeados, das férias...

É, também, a estação da viragem, em que, daqui para a frente, os ciclos astronómicos da rotação e da translação começam a tornar, a pouco e pouco, os dias mais curtos e os fins de tarde mais precoces. A lembrar que esta roda não pára, que depois de um dia vem outro, que à primavera se segue o verão e que, não tarda, o outono começa a bater à porta...

E, enquanto houver sol que nos aqueça, nos ilumine e dê cor à vida vai valer sempre a pena o viver... 
(DO AUTOR - O NASCER DO SOL EM TEMPO DE VERÃO)
 






quarta-feira, 19 de junho de 2013

COISA AMAR


"Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas."

Manuel Alegre - Coisa Amar 




(DO AUTOR - AQUI A TERCEIRA, AO LONGE SÃO JORGE E O PICO, NO MEIO, O MAR)

terça-feira, 18 de junho de 2013

CEGONHAS


Estão por todo o lado... A maior parte, durante o inverno, já não emigra para o sul deixando-se ficar por cá...

Foram construindo os ninhos em qualquer local alto, seja nas chaminés das casas e fábricas abandonadas, nas árvores, seja ainda nos grandes postes de electricidade ou nos dos telefones, em madeira. Impressiona a maneira como ficam ancorados e equilibrados no topo de um pau e como aguentam o peso do casal e dos dois ou três filhotes da prole.  

E, nesta altura do ano, em que os filhotes já nasceram e precisam de ser satisfeitos do seu apetite voraz, os pais quase não têm descanso na procura constante do alimento, no arranjo do ninho, na atenção aos predadores...

Estas aves, sempre exerceram um fascínio especial, talvez porque, até há bem pouco tempo ainda, no tempo da nossa infância e meninice, eram elas quem traziam os bebés e, ainda por cima, de Paris... 

A elas também se associa o símbolo da maternidade, da generosidade e da fidelidade... Pois, para além de serem bons e dedicados pais, o seu instinto faz com que as cegonhas mais novas cuidem das mais velhas e doentes, e são um bom exemplo de fidelidade conjugal. 


(DO AUTOR - AS CEGONHAS FILHAS À ESPERA DE UMA REFEIÇÃO)




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segunda-feira, 17 de junho de 2013

À PESCA


Não é uma visita bem-vinda!
 
Sempre que vem por aqueles sítios é porque anda com fome e vem à procura dos peixes e das rãs do tanque. 

Chegou no seu vôo, silencioso e tranquilo, quase a não deixar que se desse pelo seu chegar... Poisou no cimo do telhado da casa vizinha, apoiando-se apenas numa das patas, e foi observando, devagar, o que se passava à sua volta. Deixou-se ficar imóvel virando, apenas e lentamente, a cabeça e o bico, como se fora um catavento a rodar ao vento, a ver se podia avançar para a beira da água.
 
Quando sentiu que tudo estava, de novo, tranquilo e esquecido da sua chegada abriu as asas e, sem as bater, num salto planado, foi para junto da água e ali ficou, de novo quieta, à espera que as rãs começassem a aparecer à superfície e subissem para as folhas do nenúfar e os peixes se tornassem mais visíveis naquela água verde escura que os protege.
 
A espera foi longa e atenta, a imobilidade é crucial, a pontaria tem que ser certeira, mas nem sempre eficaz, felizmente para os peixes e para as rãs...
 
Só que alguém também estava atento, e deixou que  tudo quase acontecesse até que, no fim da tal espera quase sem fim ela, que num relance enfiou o bico na água e trouxe um peixe vermelho a debater-se furiosamente, ouviu o bater das palmas.
Foi o instante precioso que assustou a garça, lhe fez abrir o bico e libertar o pobre do peixe, ao mesmo tempo que, num bater de asas apressado levantou vôo para outras paragens!
 

(DO AUTOR - A GARÇA DE VISITA)



domingo, 16 de junho de 2013

OS FRUTOS DA HORTA


A primavera está a chegar ao fim... Começou turbulenta, cheia de irreverência, com promessas de bom tempo que, logo, se alterava, mas, à medida que os dias iam avançando no calendário, à medida que o sol ia subindo no céu e os dias iam crescendo, o tempo foi-se tornando mais pacífico, mais de acordo como mês do calendário e os frutos da horta, também, foram crescendo...

As cerejas estão no seu máximo, suculentas, cheias de aroma e de cor, prontas a serem colhidas e, o melhor de tudo, prontas a serem comidas.

As framboesas começaram, agora, o seu ciclo de maturação e, a cada dia que passa, umas a seguir às outras, vão amadurecendo e pedindo para serem, uma a uma, delicadamente colhidas.

O resto dos frutos da horta ainda estão verdes, à espera do sol e do calor, para encherem, se tornarem sumarentos, como as pêras que, ao se saberem fotografadas, fizeram a pose a sorrir para a fotografia...

(DO AUTOR - AS PÊRAS DA HORTA)


sábado, 15 de junho de 2013

NÃO BASTA ABRIR A JANELA


"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

Alberto Caeiro -  Não Basta Abrir A Janela

(DO AUTOR - JANELA, POR ENQUANTO, FECHADA -  GUILFORD - INGLATERRA)











sexta-feira, 14 de junho de 2013

ASPIRADOR


Delicadamente poisou sobre a flor, andou de estame em estame a aspirar o pólen bem amarelo, qual maná, que as anteras lhe ofereciam. Com a sua tromba dava duas ou três sugadelas, passava para a outra antera e, assim por diante, até ter aspirado o pólen todo... Depois, deu uma volta pelo resto da flor e ainda foi aspirar os grãos de pólen que estavam espalhados em redor...
 
Assim que acabou de aspirar tudo, então, partiu voando, deixando as pétalas daquela flor, de uma brancura imaculada!
 
(DO AUTOR - A ASPIRAR O PÓLEN)
 
 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

SANTO ANTÓNIO


É um Santo Popular.
O primeiro a ser festejado, o mais popular, o mais querido, o mais português, o único, é de Lisboa!

"Santo António de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor."
Fernando Pessoa - Quadras populares



(DO AUTOR - SANTO ANTÓNIO DE LISBOA - DESTA VEZ EM PRAGA, NA FAMOSA PONTE CARLOS, SOBRE O RIO MOLDAVA)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A VER AS HORAS


Parecia que o sol lhe andava nas mãos!
 
Um sol que ela tinha o condão de o poder ligar e desligar. Bastava que carregasse no botão que tinha de lado e o farol, enorme, ora acendia iluminando tudo o que lhe estava pela frente, ora se apagava transformando aquela sala sombria numa noite escura, apenas iluminada por uma espécie de luar.
 
E foi, no meio daquela brincadeira, de fazer de noite e de fazer de dia, que descobriu aquele relógio de sol em cima de uma coluna de mármore frio. Era um relógio velho, coberto de pó, provavelmente cheio de histórias para contar, apreendidas durante o tempo em que via as horas a passar. Agora, pensou ela, talvez estivesse avariado, depois de tanto tempo parado, sem luz e naquele lugar fechado. E, quando o iluminou, com o sol que  na sua mão trazia, verificou que a sombra das horas não se deslocava como a dos outros relógios de sol que por lá fora via, em que a sombra estava sempre tão quieta, que quase parada parecia. A deste relógio, tanto punha a sombra do ponteiro no meio-dia como, num repente, fugia para um lado ou para o outro ou, simplesmente, desaparecia... tudo como num passe de magia! Ora fazia manhã àquela hora do dia ou, então, carregando no tal botão em que a luz desaparecia, o relógio parava, deixava de ter sombra e, portanto, de ter horas e o tempo não havia. Voltava, de novo, a ligar o botão e, se ainda  agora era meio dia, já logo, daquele lado, o sol fazia uma sombra que apontava para o findar do dia!
 
E, enquanto, naquele quarto escuro a  luz ora se apagava, ora se acendia, lá fora, também, o sol ora se findava, ora aparecia. E se a luz do foco iluminava o relógio de modo a dar a sombra ao meio-dia, lá fora, o Sol, também, ficava a pico deixando tudo sem sombras e um calor em demasia.
 
Até que a carga da bateria se acabou e a luz daquela lanterna, definitivamente, se apagou... era o fim da tarde e o dia anoitecia. E a menina deixou-se adormecer, depois de tanta folia...
 
E tudo voltou à paz, as horas voltaram a passar em harmonia, primeiro a manhã, depois o meio-dia e a tarde a ser lá mais para o final do dia...
 
 
 
 

(DO AUTOR - COLECÇÃO BERARDO - ART DÉCO - CALHETA - MADEIRA)

terça-feira, 11 de junho de 2013

PIQUENIQUE


Nesta altura do ano os campos enchem-se de cores.

Para além do verde da erva que vai crescendo, vão ficando, também, cobertos de florinhas amarelas, azuis, violáceas, ou brancas... como se fossem imensas toalhas de piquenique, coloridas, postas pelos prados, à espera que as pessoas cheguem e, sobre elas, coloquem a comida, os pratos, os copos e as bebidas, sentando-se todos à volta.

A verdade é que, se o tempo estivesse de feição, se não chovesse assim, nem fizesse este friozinho desconfortável, certamente que, nestes dias de feriados, que ainda vamos tendo a oportunidade de gozar, estes campos floridos se iriam encher de famílias com os cestos, as mesas e as cadeiras desdobráveis, aproveitando a sombra agradável de um chaparro, de um castanheiro ou de um pinheiro manso. A comida seria farta, saborosa, tirada directamente das panelas, bem embrulhadas em jornais e em mantas para se manterem quentes. Os doces de colher, os pudins, o arroz-doce com canela, mais as boleimas e o pão de ló, bem molhado, certamente, não iriam faltar. Tal como as bebidas...

No tempo dos meus avós era quase assim! Os piqueniques organizavam-se com tempo, consultava-se o Borda de Água para saber qual o fim de semana que garantisse sol e calor, e lá iam todos, velhos e novos, numa alegria desmedida. Comia-se, bebia-se, festejava-se, brincava-se, adormecia-se à sombra da árvore e, antes de o sol ficar baixo em demasia, toca de arrumar tudo e acabou-se a festa!

Dias bem passados, esses...

(DO AUTOR - OS CAMPOS PINTADOS DE AMARELO NA PRIMAVERA QUE PERSISTE)


segunda-feira, 10 de junho de 2013

TEIA DE ARANHA



"Teci durante a noite a teia astuciosa
Dum poema.
Armei o laço ao sol que há-de nascer.
Rede frágil de versos,
É nela que meu sono se futura
Eterno e natural,
Embalado na própria sepultura.
Vens ou não vens agora, astro real,
Doirar os fios desta baba impura?"


Miguel Torga, Teia de Aranha, in Diário IX, 1964.



(DO AUTOR - A ARANHA E A TEIA)







domingo, 9 de junho de 2013

SONHAR A VIDA


Calhou, hoje, andar a passear pela Serra da Arrábida, a percorrer e a olhar as suas paisagens únicas, a ver o mar azul, a relembrar Sebastião da Gama, a sua Joana Luísa, a sua Serra Mãe, a sua poesia e o seu Menino Grande: 

"Também eu, também eu,
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...
Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho,
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino,
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.
Vida!
não me venhas roubar o meu tesouro: 
não te importes que eu ria,
que eu salte como dantes.
E se eu riscar os muros
ou quebrar algum vidro
ralha, ralha comigo, mas de manso...
(Eu tinha um bibe azul...
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios...
A minha Mãe ralhava assim como quem beija...
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede...)
Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe..."


E foi, quando chegou ao fim da poesia, também no fim das voltas e dos caminhos que aquela Serra tem, que se deu conta que estava em Sesimbra, sentado na amurada junto ao Forte, a ver o mar sereno, quase azul, a beijar suavemente a areia em ondas pequenas, satisfeitas... As gaivotas, paradas no areal, faziam as vezes das pessoas, conversando umas com as outras aguardando, talvez, a chegada de um barco cheio de peixe, carregado de sardinhas...

(DO AUTOR - SESIMBRA, O MAR, A PRAIA, GAIVOTAS, EM TARDE TRANQUILA)
E ali se deixou ficar a olhar o mar, a sonhar a vida...

"Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos."

Sebastião da Gama - O Sonho.



sábado, 8 de junho de 2013

O TEMPO AO AVESSO


Anda tudo virado do avesso! 

E todos o sentimos na pele! 

Estes tempos conturbados de más gestões políticas, financeiras e sociais deram no que deram e lá temos nós, os que trabalham, que nos virar do avesso para ter que pagar mais impostos, os reformados a tentarem (sobre)viver com menos dinheiro e toda uma população a tentar fazer das tripas coração, enquanto que, os que nós elegemos, os que pusemos no poleiro para nos defenderem, continuam a cantar de galo com as mesmas, ou melhores, benesses, com bons ordenados, bons carros, bons cartões de crédito, muito assessores, boas reformas, e muitos tachos e panelas para distribuirem entre familiares e parceiros sociais...

Mas, infelizmente, não são só estes os tempos que, assim, estão!

Também o tempo, o atmosférico, o climático, parece estar virado do avesso. Direi mais! Virado ao contrário, porque está do contra! É que, agora que recebemos de brinde uns dias de mini-férias à conta dos feriados, neste mês de Junho, tradicionalmente quente, que entrou cheio de sol e calor, a fazer cumprir a tradição dos Santos populares, dos arraiais e da sardinha assada, agora que apetecia ir até à praia pró bronze, para ganhar umas cores para disfarçar o mau aspecto desta agonia que nos envolve, o tempo resolveu avessar-se e entrou cheio de frio, de vento e de chuva. Parece ser de propósito, um tempo gasparínico, a prometer melhoria mas a castigar com a adversidade, como faz o Gaspar...

Acho que só deve ser bom para quem se case por estes dias - e os casamentos do Santo António, o casamenteiro, estão à porta... - e, se a tradição também não virar do avesso, ainda vale a máxima de que boda molhada é boda abençoada!

(DO AUTOR - CHUVA, VENTO, FRIO E NEVOEIRO, EM JUNHO "SOALHEIRO")




sexta-feira, 7 de junho de 2013

GAIVOTA



"Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração."

Alexandre O'Neill - Gaivota





(DO AUTOR - GAIVOTA, NUM FIM DE TARDE)


quinta-feira, 6 de junho de 2013

A ÚLTIMA LUZ



"Lentamente apagas o claro dia
Vais fazer dormir a flor
Sei que partes em agonia
Por isso tens outra cor.

Lentamente perdes teu ar altivo
Tua cor no céu escorre
É a cor de sangue vivo
Que derrama alguém que morre."

Luís Alvelos - Última Luz - Capas Negras - Grupo de Fados de Coimbra

http://youtu.be/i_7PpCHtzV8

http://www.capasnegras.com/musica/56k/U%27ltima%20luz%2056k.mp3




(DO AUTOR - COIMBRA, A LUSA ATENAS)


quarta-feira, 5 de junho de 2013

VOAR



"Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com os seus olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar".

Leonardo da Vinci


(DO AUTOR - VOAR, NO ALTO!)








terça-feira, 4 de junho de 2013

DUENDES


No meu jardim vive um duende.

Sei que vive lá porque já o vi algumas vezes. Ele não se mostra muito, acho que ainda não ganhou confiança suficiente e, sempre que vê gente, esconde-se atrás de uma árvore ou de um arbusto. Por isso, só através da persiana, ou do janelo da porta de madeira é que o consigo observar. É de estatura baixa, aparenta aspecto jovem, de adolescente, mas não faço ideia da sua idade até porque, dizem, os duendes têm uma idade indefinida... podem ser velhos e conservar aquele ar de juventude, aquela irreverência, aquela disposição para brincar e para bailar...

Vive no jardim, mas não sei onde se abriga. Será que adormece debaixo da cameleira onde fica protegido pelas suas folhas grandes e brilhantes, ou se deita junto das alfazemas para se sentir, ao acordar, bem cheiroso? Ou, então, fez a sua casa debaixo do choupo, que está cabeludo até ao chão?

Anda vestido de verde e usa uma touca de folhas da cameleira, talvez para passar mais  despercebido quando brinca no relvado e não deixar que se lhe vejam as orelhas pontiagudas. E ainda não entendi se o que veste é um fato tecido de folhas, de fibras e de musgo verde, ou se é a sua própria pele, coberta de uma fina pelagem verde.

Dá-se bem com os bichos lá quinta... corre e brinca com os gatos, pula para tentar apanhar os pássaros, atira paus para os cães os irem buscar ou apanhar no ar, saltita de flor em flor atrás das borboletas, conversa longamente com os cágados ou, então, deixa-se ficar quieto a observar os peixes vermelhos do tanque, ao mesmo tempo que escuta o coaxar das rãs a aquecerem-se em cima dos nenúfares que estão pousados na água quieta...

Mas, do que mais gosta é de tratar das flores, tirar as folhas secas, guardar e cuidar dos frutos que estão a crescer não deixando que as formigas e os piolhos os ataquem, nem que os pássaros os debiquem, aparar as sebes das piracantas que fazem de muro para o seu mundo exterior e, quando as flores estão prontas para serem cortadas, faz uns ramos lindos que, delicadamente, deixa no parapeito da janela da sala.

Quem sabe, um dia, não nos vamos encontrar junto ao sobreiro que enche de sombras mágicas aquele recanto do jardim onde as rosas se juntam às malvas e os malmequeres  se encostam aos amores perfeitos?


(DO AUTOR - DUENDE NO JARDIM DAS MAGIAS)



segunda-feira, 3 de junho de 2013

BORBOLETAS


Não voam, esvoaçam! Andam pelo ar de uma forma única! Ora aqui, ora ali, sem linhas rectas cumpridas. Preferem o ziguezaguear ligeiro, inconstante, com paragens mais ou menos prolongadas numa flor, num ramo, numa folha ou, simplesmente no solo.

As asas são grandes e são bonitas. Todas com desenhos de uma simetria inigualável, perfeita. As cores, podem ser as mais variadas, sejam só de uma única cor com vários tons e desenhos, sejam multicolores, de beleza incomparável.

Duram pouco tempo, o quase suficiente para acasalarem, porem os ovos e morrerem. Apesar de  não renascerem das cinzas, como a Fénix, são consideradas o símbolo da transformação, do ressurgimento e do renascimento.

E, quando esvoaçam pelos campos, quando saltitam de flor em flor, quando abrem e fecham as asas, em todo o seu esplendor, parecem pétalas coloridas que pairam no ar, levadas por um vento suave que ciranda e gira diante do nosso olhar...

(DO AUTOR - BORBOLETA DO JARDIM)





domingo, 2 de junho de 2013

FORMIGAS


Não sei muito bem para que servem!

De certeza que, no Reino Animal, na grande família dos insectos, terão a sua importância e muita, certamente, pois elas estão por todo o lado. Seja atrás da geleia doce que brota dos ramos da cerejeira, ou do suco cristalino que escorre da ameixeira, seja no prato do Ouriço que guarda sempre alguns restos de comida ou, então, dentro de casa quando o açucareiro fica destapado ou alguém se esquece de algum resto de comida em cima da pedra mármore.

Devem ter o sentido do olfacto muito apurado porque cheiram a quilómetros de distância! Primeiro vêm, uma ou duas, reconhecer o local, cheirar a comida, tomar-lhe o gosto, depois, não sei muito bem como, em menos de nada, lá vem o exército, bem alinhado, a ritmo certo, invadir tudo o que possa servir para ser levado para o formigueiro.

E são incansáveis! Não desistem enquanto houver um grão de açúcar, uma migalha, uma gota da tal geleia da cerejeira... sempre, sempre, em fila indiana, melhor, em duas filas indianas, uma que vem e outra que vai, a cumprimentarem-se a cada encontro.

O ponto de partida, e o de chegada, é o formigueiro. Um buraco aberto no chão ou numa parede velha e, depois, provavelmente, um conjunto infindo de túneis, galerias, grutas onde devem viver em perfeita harmonia.

Agora, que chegou o calor, ei-las! Em pleno! De todos os tamanhos, sempre em movimento, à procura de tudo, a invadir tudo!

Não sei para que servem...

Bem que podem dizer que são um exemplo de diligência, de organização, de trabalho, do poupar e do guardar... 

A verdade é que elas não trabalham, não constroem nada, não produzem, apenas se aproveitam do trabalho dos outros, do que os outros produzem e, simplesmente, surripiam, roubam e levam tudo o que podem, às claras de todos... fazem-me lembrar os políticos e as políticas, as finanças e as governações que temos tido... e não é só de agora, de modo nenhum!

Acho que está na altura de se reinventar a fábula do La Fontaine. 



(DO AUTOR - À PORTA DO FORMIGUEIRO)



sábado, 1 de junho de 2013

PROMESSAS


Prometeram um dia de sol, prometeram calor, prometeram um céu limpo, prometeram um dia radioso, prometeram que as nuvens não iam aparecer e, muito menos, a chuva...
 
Desta vez, cumpriu-se a promessa e o dia não atraiçoou...
 
Para culminar, o sol quis despedir-se em grande... começou a alaranjar-se, a pintar o céu de tons de vermelho, a dourar os rastos dos aviões lá no alto... E se, naquele momento, o horizonte se transformasse num grande mar o ponto verde do sol a desaparecer por detrás das águas teria sido esplendoroso! 
 
 
(DO AUTOR - O ÚLTIMO PÔR-DO-SOL DE MAIO)