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sexta-feira, 21 de junho de 2013

A UNIÃO FAZ A FORÇA


Lembro-me, muitas vezes, da parábola dos sete vimes...

"Era uma vez um pai que tinha sete filhos. Quando estava para morrer chamou-os todos sete e disse-lhes assim:
– Filhos, já sei que não posso durar muito: mas antes de morrer, quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco, e mo traga aqui.
– Eu também? – perguntou o mais pequeno que só tinha quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco, e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.
– Tu também – respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete filhos; daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um o seu vime seco.
O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho, e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe:
– Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime, e não lhe custou nada a partir.
Depois o pai entregou o outro ao mesmo filho mais novo, e disse-lhe:
– Agora parte também esse.
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou nada parti-los todos. Partindo o último, o pai disse outra vez aos filhos:
– Agora ide por outro vime e trazei-mo.
Os filhos tornaram a sair, e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com o seu vime.
– Agora dai-mos cá – disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho. E voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim:
– Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.
– Não podes? – perguntou ele ao filho.
– Não, meu pai, não posso.
– E algum de vós é capaz de o partir? Experimentai.
Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
– Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu sem lhe custar nada todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pôde parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu – e os filhos foram muito felizes, porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem."

... aqui tão bem descrita por Trindade Coelho no seu livro, "Os Meus Amores".
 
E, não sei porquê, ou saberei mesmo muito bem porquê, a verdade é que esta história é cada vez mais actual.
 
É que, todos os dias, se vêem famílias desavindas, sociedades civis desfeitas, amizades estragadas, povos em convulsão, países em ruptura, com o mundo a desagregar-se socialmente, com muito mais pobreza, mas os ricos cada vez mais ricos, a democracia a ser cada vez mais musculada a favor de uma minoria elitista, o poder político a sobrepor-se ao poder cívico...

Como se cada um apenas olhasse para o seu umbigo, para os seus interesses, numa forma de ambição desmedida, de ganância pelo dinheiro, de ânsia pelo poder...

Mas parece que os desfavorecidos, os jovens, os submetidos estão a tomar consciência da sua força, sabendo que cada um por si nada vale mas, juntos, numa luta solidária conseguem ter outra força que inquieta o poder político, abana os alicerces do estabelecido, estremece os governantes...
 
 
E, na verdade, as equipas que ganham são as que trabalham de uma maneira uniforme, colectivamente, para a conquista de um ideal comum.
 
Não queiramos estar numa embarcação a remos, em que cada remador olha para onde quer e só rema quando lhe apetece, pois, mesmo que haja um timoneiro que tente dar ordens de comando, o barco não sai do mesmo sítio ou anda à roda, desgovernado, sem rumo e sem destino, se cada um continuar a olhar para si mesmo, esquecendo, ignorando ou desprezando aqueles que estão à sua volta!
 
(DO AUTOR - EMBARCAÇÃO NO TEJO)
 
 
 
 

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem escolhido... uma referência!!! lembro-me de ter lido esse livro e essa era uma das minhas referências porque a minha Mãe me costumava conta-la desde que eu era bem pequena... nem vale a pena dizer que gostei, não é?!!!
Luísa Romão

Anónimo disse...

Gosto muito.
Maria De Lourdes Silva