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domingo, 2 de junho de 2013

FORMIGAS


Não sei muito bem para que servem!

De certeza que, no Reino Animal, na grande família dos insectos, terão a sua importância e muita, certamente, pois elas estão por todo o lado. Seja atrás da geleia doce que brota dos ramos da cerejeira, ou do suco cristalino que escorre da ameixeira, seja no prato do Ouriço que guarda sempre alguns restos de comida ou, então, dentro de casa quando o açucareiro fica destapado ou alguém se esquece de algum resto de comida em cima da pedra mármore.

Devem ter o sentido do olfacto muito apurado porque cheiram a quilómetros de distância! Primeiro vêm, uma ou duas, reconhecer o local, cheirar a comida, tomar-lhe o gosto, depois, não sei muito bem como, em menos de nada, lá vem o exército, bem alinhado, a ritmo certo, invadir tudo o que possa servir para ser levado para o formigueiro.

E são incansáveis! Não desistem enquanto houver um grão de açúcar, uma migalha, uma gota da tal geleia da cerejeira... sempre, sempre, em fila indiana, melhor, em duas filas indianas, uma que vem e outra que vai, a cumprimentarem-se a cada encontro.

O ponto de partida, e o de chegada, é o formigueiro. Um buraco aberto no chão ou numa parede velha e, depois, provavelmente, um conjunto infindo de túneis, galerias, grutas onde devem viver em perfeita harmonia.

Agora, que chegou o calor, ei-las! Em pleno! De todos os tamanhos, sempre em movimento, à procura de tudo, a invadir tudo!

Não sei para que servem...

Bem que podem dizer que são um exemplo de diligência, de organização, de trabalho, do poupar e do guardar... 

A verdade é que elas não trabalham, não constroem nada, não produzem, apenas se aproveitam do trabalho dos outros, do que os outros produzem e, simplesmente, surripiam, roubam e levam tudo o que podem, às claras de todos... fazem-me lembrar os políticos e as políticas, as finanças e as governações que temos tido... e não é só de agora, de modo nenhum!

Acho que está na altura de se reinventar a fábula do La Fontaine. 



(DO AUTOR - À PORTA DO FORMIGUEIRO)



5 comentários:

Anónimo disse...

Eu odeio formigas! Quase tanto como o Gaspar...

Anónimo disse...

Enquanto estava a ler o texto ,ia-me perguntando de quem seria.
No fim,não fiquei admirada.
Extraordinário.
Ivone Oliveira.

Anónimo disse...

Muito bom.
Maria de Lourdes Silva

Anónimo disse...

Admiro a sua organização, outros atributos não lhe dou, apenas as dispenso como visitas.
Margarida Lança

Anónimo disse...

tenho medo do escuro...
Sara Santiago