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terça-feira, 4 de junho de 2013

DUENDES


No meu jardim vive um duende.

Sei que vive lá porque já o vi algumas vezes. Ele não se mostra muito, acho que ainda não ganhou confiança suficiente e, sempre que vê gente, esconde-se atrás de uma árvore ou de um arbusto. Por isso, só através da persiana, ou do janelo da porta de madeira é que o consigo observar. É de estatura baixa, aparenta aspecto jovem, de adolescente, mas não faço ideia da sua idade até porque, dizem, os duendes têm uma idade indefinida... podem ser velhos e conservar aquele ar de juventude, aquela irreverência, aquela disposição para brincar e para bailar...

Vive no jardim, mas não sei onde se abriga. Será que adormece debaixo da cameleira onde fica protegido pelas suas folhas grandes e brilhantes, ou se deita junto das alfazemas para se sentir, ao acordar, bem cheiroso? Ou, então, fez a sua casa debaixo do choupo, que está cabeludo até ao chão?

Anda vestido de verde e usa uma touca de folhas da cameleira, talvez para passar mais  despercebido quando brinca no relvado e não deixar que se lhe vejam as orelhas pontiagudas. E ainda não entendi se o que veste é um fato tecido de folhas, de fibras e de musgo verde, ou se é a sua própria pele, coberta de uma fina pelagem verde.

Dá-se bem com os bichos lá quinta... corre e brinca com os gatos, pula para tentar apanhar os pássaros, atira paus para os cães os irem buscar ou apanhar no ar, saltita de flor em flor atrás das borboletas, conversa longamente com os cágados ou, então, deixa-se ficar quieto a observar os peixes vermelhos do tanque, ao mesmo tempo que escuta o coaxar das rãs a aquecerem-se em cima dos nenúfares que estão pousados na água quieta...

Mas, do que mais gosta é de tratar das flores, tirar as folhas secas, guardar e cuidar dos frutos que estão a crescer não deixando que as formigas e os piolhos os ataquem, nem que os pássaros os debiquem, aparar as sebes das piracantas que fazem de muro para o seu mundo exterior e, quando as flores estão prontas para serem cortadas, faz uns ramos lindos que, delicadamente, deixa no parapeito da janela da sala.

Quem sabe, um dia, não nos vamos encontrar junto ao sobreiro que enche de sombras mágicas aquele recanto do jardim onde as rosas se juntam às malvas e os malmequeres  se encostam aos amores perfeitos?


(DO AUTOR - DUENDE NO JARDIM DAS MAGIAS)



5 comentários:

Anónimo disse...

Só porque não vemos as coisas não quer dizer que elas não existam!
Vera Menna Barreto

Anónimo disse...

Onde é o jardim das magias? Ou é ficção?...
Ivone Oliveira

Anónimo disse...

Deve ser magnífico, fica perto do Paraíso?
Orquídea Vintém Tavares

Anónimo disse...

Gostava de vêr deve ser lindo...
Maria de Lourdes Silva

Anónimo disse...

Que sorte ter esse gnomo!

Ana Lacerda