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terça-feira, 22 de outubro de 2013

CHAMA


Fez um "scracht" com a cabeça do fósforo na lixa da caixa, deixou que aquela explosão de luz e fogo acalmasse e encostou o fósforo aceso ao pavio grosso, bem impregnado de estearina, ao mesmo tempo que protegia, com a mão, a chama do vento silencioso...

Desta vez não houve explosão... foi mais como um beijo que ia transferindo o calor e a luz efémera do pau do fósforo, que rapidamente se ia carbonizando, para aquele torcido de fibras, prometedor de uma chama consistente e duradoura, que se foi afirmando no tamanho, na luminosidade, no calor...

E, silenciosamente ali ficou, a fazer-lhe companhia, numa presença discreta e tranquila, até que... lentamente, se deixou apagar, sem um ai, sem um adeus... apenas deixando subir, no ar, um fio de fumo esbranquiçado iluminado pelo morrão vermelho da brasa do pavio que, cedo, se extinguiu...

Depois, ficou a escuridão...

E foi, ao sentir a ausência daquela chama, que se deu conta de como as noites, no campo e sem luar, são negras, longas e solitárias...



(DO AUTOR - CHAMA)

1 comentário:

Anónimo disse...

Mas são, também, espaços de criação de sonhos, de trocas de afectos e conversas longas.

Ana Lacerda