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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

VIGILANTE



Todos os dias, à mesma hora da tarde, com a precisão de um relógio, ela chega e instala-se bem no cimo da cruz. Se alguma outra gaivota está a ocupar o seu lugar, barafusta, grita, ameaça abrindo as asas e a pobre ocupante não tem outro remédio se não ir embora.

Depois de conquistado o lugar começa o ritual da limpeza das penas com o bico: levanta uma asa, quase enfia a cabeça pelo sovaco alar e penteia-se pena a pena num ritual de minúcia, demorado, como se o tempo tivesse ficado esquecido... depois, o mesmo, do outro lado, em seguida a quilha e o papo, terminando com o alisar das penas da cauda.

Só no fim de tudo isso, daquele limpar e alisar de penas, é que se assume como sentinela e vigilante de todo o espaço ao seu redor... por vezes apoiada numa pata, por vezes na outra e, quando a situação exige mais atenção, mais concentração, apoia-se nas duas patas e vai rodando a cabeça num girar para um lado e para o outro como a antena de um radar...

E, só depois que a tarde começa a escurecer, quando as luzes da praça se acendem, é que parte, rumo ao mar, à procura de alimento e de companhia para passar a noite... depois de mais uma missão cumprida!      




(DO AUTOR - SENTINELA  ALERTA!)




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