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domingo, 18 de abril de 2010

TANGO

Lembra a Argentina, Buenos Aires, Carlos Gardel, o bandoneón, Ástor Piazzolla, o Caminhito...


É uma música, uma dança a dois, que mistura a tristeza intrínseca com paixão, drama, sensualidade, agressividade e machismo. O machismo manifesta-se no tipo da dança, dura, sem meneios femininos, com o homem a comandar a mulher submissa.

A letra conta, quase invariavelmente, a história de um homem que sofre por amor, mas em que a culpa é sempre da mulher.

Enrique Santos Discépolo, poeta portenho dos anos 20, compositor e autor de letras de tango, dizia que "o tango é um pensamento triste que se pode dançar".


Não se sabe muito bem como apareceu, apenas que a sua origem se situa na zona do Rio de la Plata, sendo os pais o Uruguai e a Argentina, um verdadeiro "affaire" de vizinhança. E conta a lenda que a dança teria começado nas prisões onde era dançada entre os prisioneiros masculinos que, uma vez livres, teriam ido viver para os bairros mais pobres de Buenos Aires, onde continuava a ser dançada por dois homens, daí o facto de os rostos virados, sem se fitarem.

A música pensa-se que tenha uma influência cubana, da Habanera, uma música afro-latino-americana, levada dos salões da Europa para Cuba, por volta do século XVII. Depois de várias alterações dadas por músicos europeus retornou às Américas através dos emigrantes portugueses e espanhóis. O Tango, assim, não é mais do que um ritmo da habanera.
Bizet tornou esta habanera popular em erudita através da ópera Carmen.


O bandoneón, que é o instrumento por excelência do tango, veio nas malas dos emigrantes alemães. Ástor Piazzolla, que tive o privilégio de ouvir tocar no Coliseu dos Recreios de Lisboa, foi, para mim, o seu melhor intérprete.


De início, o Tango, apenas era uma dança rio-platense, mais tarde, pelos anos 20, com o aparecimento da discografia, começou a difundir-se, principalmente veiculado pelas vozes de Carlos Gardel, Azucena Maizani, entre outros. Os anos 40 marcam os anos de ouro do Tango, principalmente com as interpretações de Ástor Piazzolla e Juan D'Arienzo.

Hoje, toca-se, canta-se e dança-se em qualquer lugar do mundo é Universal. Por isso, em Setembro de 2009 foi considerado, pela Unesco, Património Cultural da Humanidade.

Hoje, ao folhear um álbum de fotografias, foram recordações de Buenos Aires, que me fizeram virar para o Tango.
Não amores perdidos, nem machismo, nem submissão feminina.
Talvez uma leve tristeza, uma saudade nostálgica dos dias bons aí passados, do bom café do Ortoni, do Puerto Madero e da excelente carne e, seguramente, das longas e boas noites de Tango vivido... 

 

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