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quarta-feira, 14 de abril de 2010

BEIJO

Não sei se será o beijo mais conhecido e divulgado mas é um dos que eu mais gosto: gosto pelo quadro em si, gosto das cores, gosto da expressão e da força intensa que emana daquele beijo.
Na minha última deslocação a Viena, na comemoração dos 250 anos do Mozart, fui vê-lo, mais uma vez, no Belvedere Superior, este quadro de Gustav Klimt, em que ele se auto-retrata a beijar a sua amante (e amada) Émilie.

É a minha homenagem ao Dia Mundial do Beijo que passou ontem, dia 13.

Passou-me ao lado, também, porque só hoje me apercebi de tal celebração.

Mas acho que as pessoas, de um modo geral, não ligaram muito: não vi ninguém nas ruas aos beijos, nem vi os bancos de jardim com pares de namorados dando beijos, nem nos transportes públicos me apercebi dos casais a se beijarem aproveitando a hora de ponta e das enchentes para ficarem mais juntos e apertados.

Estou de acordo que o beijo tenha direito a um Dia Mundial. Porque beijar não é o mesmo que comer sopa, ou lavar os dentes, embora haja muita gente que beije apenas como uma rotina.

O beijo é qualquer coisa de importante. O fado "O Embuçado" termina com um "beija-mão real", significando que o beijar é quase uma coisa de Reis, mas não é bem assim.
O beijo é Universal, tanto interessa rico como pobre, novo como velho, e beijo não é coisa de agora.
O beijo é antigo, quase tão antigo como o homem. Há quem defenda que o beijo não é mais do que uma evolução das lambidas que o homem das cavernas dava no rosto dos outros companheiros , como forma de absorver e suprir a sua necessidade de sal. 
Na antiga Mesopotâmia, as pessoas costumavam enviar beijos aos deuses, uma forma muito mais agradável de orar do que ficar ajoelhado de mãos postas a murmurar ladainhas infindas.
Os Gregos também não se perderam com os beijos: eles adoravam beijar e beijavam-se para selar acordos, e demonstrar respeito social.
Mas foram os Romanos que difundiram a prática do beijo: começaram por beijar os guerreiros no retorno dos combates. Os imperadores permitiam vários tipos de beijo: o beijo nos lábios para os nobres mais influentes, o beijo na mão para os menos influentes e ao povo só era permitido o beija-pé. Até tinham três categorias para o beijo:
    Osculum: era um beijo na bochecha;
    Basium: era um beijo nos lábios;
    Savolium: era um beijo profundo.

Imagino que este Savolium deveria ser um beijo cheio de imensos Savores. Também aquela história do noivo beijar a noiva no fim da cerimónia do casamento vem do tempo dos Romanos.
Na Escócia a coisa ainda era mais interessante porque a noiva, além de ser beijada pelo padre no fim da cerimónia (não era um Osculum, era um Basium mesmo), ia beijar os todos os homens na boca, tipo mistura de Basium e Savolium, em troca de dinheiro.
Até os católicos adoptaram o beijo como cumprimento entre eles, mais púdico, como conviria, e era chamado o Osculum pacis.
Em França, no século XVII, os franceses começaram a praticar uma forma voluptuosa de beijo, o beijo de língua, tão afamado que ficou conhecido pelo nome de Beijo Francês.

Claro que nem sempre o beijo é meio de cumprimento, de saudação, de troca de afectos, de felicidade. Há beijos perigosos ou mortais como o do Romeu e Julieta. Outros beijos são de traição, como o célebre Beijo de Judas usado para trair Jesus Cristo antes de ser crucificado.

Mas também o beijo pode ser fonte de doenças, a mais frequente é a Mononucleose infecciosa, mais conhecida como a Doença do Beijo.

Não há dúvida que o beijo e o beijar fazem parte do nosso dia a dia, da nossa rotina, dos nossos afectos, dos nossos sentimentos, dos nossos amores, dos nossos prazeres, das nossas paixões, dos nossos encontros, das nossas despedidas... é um acto totalmente transversal nas nossas vidas.

Beijar é bom quando nos sabe bem beijar, por isso só tem uma coisa a fazer: beije muito!




2 comentários:

Anónimo disse...

Amei!
Mais uma vez, vou "cair" no lugar comum de dizer, que o texto é uma delícia, soube-me bem, como um beijo!!
Beatriz Morcego

Anónimo disse...

Ah!
Já quase esquecia, o formato é novo, também gostei.
Beatriz Morcego