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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

RECICLAGEM

Já sabia: o azul era para o papel, o amarelo para os plásticos e o verde para o vidro.

E fazia tudo certo: colocava os jornais já lidos no saco azul, as embalagens do iogurte, depois de passadas por água, no amarelo e a garrafa do vinho, também depois de passada por água, no verde.

Simples... a princípio ainda tinha de pensar nas cores e associá-las a cada objecto, mas ao fim de um certo tempo já fazia tudo automaticamente.

Assim que os sacos ficavam cheios, e ao fim de semana, lá ia, aos eco-pontos, levar aquilo tudo para reciclar.

Só não sabia o que fazer ao resto do lixo, só não sabia onde pôr tudo aquilo que lhe entrava pela casa dentro, pela vida dentro: a despesa excessiva do estado, os gastos supérfluos da governação e da administração pública, as obras escusadas e faraónicas adjudicadas, a dívida pública e os seus juros, os milhões a pagar de indemnizações aos "boys" do sócrates, a pouca vergonha que se vê por aí de organismos e empresas públicas, de ordenados, carros do estado, cartões de crédito,  as aposentações milionárias e acumuladas de gente que passou por empresas públicas apenas alguns meses, o que se vai ter que pagar em juros pelo resto da vida, tudo por causa deste primeiro-ministro  socialista que ontem disse e fez uma coisa, hoje diz e faz outra e amanhã irá, certamente, dizer e fazer mais outra, a desdizer-se, a contradizer-se, a aldrabar, a mentir descaradamente com aquele ar de pinóquio  sempre bem apinocado...

Vai ter que se inventar, não um saco, mas um enorme contentor de cor apropriada: CASTANHA. E onde despejá-lo? Na residência do primeiro-ministro? Na assembleia da república? Em manifestações de rua? Ou nas urnas quando for a altura própria?

Será que vamos ter que aguentar e guardar este lixo durante tanto tempo? É que, tanta porcaria junta fede, enoja, causa vómito, causa revolta...

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