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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

DIÁRIO DE BORDO (5)

"Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...
" (Antero de Quental - Sonetos).

De repente, ainda com o nevoeiro persistente, a tristeza apareceu e ele, tristemente, sentou-se na amurada, perscrutando a vida, interrogando a alma, ouvindo um lamento que parecia vir daquele céu cinzento e nevoento, um lamento surdo, quase imperceptível, vago, mas que lhe fazia dor no peito, no coração, na alma?

Seria a solidão? O sentir-se só no meio dos outros? O querer isolar-se porque assim sentia a sua própria companhia?

E ao escutar o céu pesado e nevoento que via de diferente? A visão de um grito ou o escutar de um lamento? Um grito forte, arrasador, perturbante, qual raio de tempestade alucinante? Ou um lamento que vagamente lhe aparecia, saindo das coisas, saindo do nada?

Escutava também o tempo que ia passando lento, vagaroso, agarrado a si a aconselhar a sabedoria da espera, da paciência. O tempo que lhe aconselhava paz, que lhe dizia: espera! porque sempre alcança!

1 comentário:

Anónimo disse...

ESPERANÇA! O MOTOR DOS CORAÇÕES TRISTES.