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terça-feira, 24 de agosto de 2010

MALMEQUER

É uma homenagem ao Raul Solnado
o maior humorista sério da minha geração.
Fazia rir e fazia pensar.
Deixou muitas histórias, muitos filmes, muitos programas de televisão.
Fez revista, teatro e deixou-nos um teatro - o Villaret.
Tinha uma voz inconfundível, cantava mal mas deixou uma canção, um hino, uma ode, na Revista "Prá frente Lisboa", em 1972, em plena época de censura.

MALMEQUER

Apropriada para a época de então e para a de hoje.

Atentem na letra.         Totalmente contemporânea.

 
   Refrão
 
P
ortuguês, ó malmequer
Em que terra foste semeado?
Português, ó malmequer
Cada vez andas mais desfolhado

Malmequer é branco branco
Que outra cor querem que escolha
Se te querem ver bonito
Por que te arrancam as folhas?
Por muito humilde que sejas
Malmequer ó meu amigo
Lá vem o dia da espiga
Que tens honras de trigo

   Refrão

Malmequer tens pouca flor
Mesmo assim és um valente
Antes ser dez réis de flor
Do que ser dez réis de gente
És uma flor do povo
Vem do povo a tua força
Estás bem agarrado à terra
Não há vento que te torça

   Refrão

Malmequer ou bem-me-quer
És a flor mais desprezada
Uns com muito, outros com pouco
E a maioria sem nada
És branco da cor da paz
Mas seja lá por que for
Há para aí uns malmequeres
Que andam a mudar de cor

   Refrão

Regam-te a seiva com esperança
Mesmo assim não és feliz
Há muitas ervas daninhas
Que te atacam a raíz
Malmequer se fores regado
Num dia de muito Sol
Cresce, cresce, cresce, cresce
Para seres um girassol


   Refrão








OBRIGADO RAUL

1 comentário:

Maria Helena Cruz disse...

E eu digo meu Deus como é actual...
Espero, que não seja imortal
É pena não ter morrido a canção com tudo o de negativo que lhe está adjacente
Em vez quem a cantarolava.