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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A SARDINHADA

Ela disse que ia telefonar, que tratava de tudo, que ficassem descansados.

Todos os anos, por esta altura, o grupo costumava reunir. Amigos de longa data, tinham este encontro todos os anos. No mesmo restaurante, a mesma mesa, quase os mesmos lugares.

A sardinha assada era o motivo. Todos gostavam de sardinha. Todos menos ela. Todos gozavam com isso mas ela não se importava. Ficava-se pelas lulas grelhadas, bem cortadinhas, em anéis, com aquele molho de manteiga e alho a cheirar a delícia. Os outros lambuzavam os dedos nas sardinhas assadas e ela, de faca e garfo lá se ia deliciando. E os outros a meterem-se com ela, por não gostar daquelas deliciosas sardinhas, bem assadas com a pele a saltar, regadas com um fio de azeite, acompanhadas de pimentos verdes assados e daquelas batatas com azeite e alho... Havias de gostar, diziam. Também nunca provaste!

Chegaram a horas, a mesa não era a mesma, a do costume, arrumada a um canto, sem vistas, o empregado não era o habitual.

Que já não havia ameijoas de entrada, tinham acabado.

Sardinhas? Acabaram de servir as últimas, para a mesa ao lado (a deles, a do costume!).

O que havia? Só frango assado, com batatas fritas e uma salada montanheira... é tudo o que há.

Desilusão!

Sem solução e que venha o frango. 

Há ainda quatro sardinhas. Vou experimentar, disse ela. Estavam uma delícia!
E o frango estava bom?

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