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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A BARRAGEM

Saiu cedo da quinta, de carro, porque ela não queria que ele andasse na moto. Tinha muito medo da moto e achava que era um meio de transporte perigoso e aquilo da obrigatoriedade de usar capacete com o calor, neste Verão quente, era insuportável. Depois as quedas... Tinha mesmo medo que algo acontecesse!

Para que ela ficasse tranquila ele lá foi de carro. E tinha razão, era mais confortável, tinha ar condicionado e era, seguramente, mais "seguro".

Tinha decidido ir à barragem. Havia lá um local bom para tomar banho, quase uma praia feita de um relvado natural até junto àquela água muito transparente, com boa temperatura e com a vantagem de, raramente, haver alguém.

Por um lado era bom, gostava de se sentir só naqueles locais que pediam sossego, por outro, não havendo ninguém, poderia ser perigoso se houvesse um acidente. O telemóvel não valia de nada porque ali não havia rede.

Mas os azares só acontecem aos outros e o Euromilhões também nunca lhe ia sair. Era uma boa máxima: azar aos jogos, quem sabe!, sorte ao amor?

Onze horas. Tinha levado uma cadeira de praia, mais uma vantagem de levar o carro, uma boa leitura, a garrafa de água e mais nada. Todos os ingredientes para uma manhã tranquila e uma boa natação até à outra margem. Precisava de fazer exercício e a piscina que tinha na quinta não era mais do que um tanque.

Um carro que se aproxima, um casal com duas crianças, barulhentas, gritantes e jogadoras de bola a esbarrar quase sempre no jornal que, ostensivamente, tinha aberto, bem de frente, para aquela família incomodativa.

Sem paciência para mais, arruma a trouxa, regressa a casa, toma um banho de piscina, e resolve ir almoçar uma sopa de peixe, junto ao rio.

Para enganar a sorte, desta vez, levou a moto...

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