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domingo, 16 de maio de 2010

A BANHA DA COBRA

Sempre que viajo para o Oriente, tento comprar o célebre Bálsamo de Tigre e de Dragão. Uma espécie de Vicks VapoRub, versão oriental, com quase os mesmos componentes (mentol, cânfora, eucalipto, terebentina e outras essências, excepto o Sanguis Draconis ).

Ambos servem para tudo, ou quase tudo: dores de cabeça, nariz entupido, picadas de insecto, comichões, cãibras e dores musculares, queimaduras, entorses e flatulência.  Não aplicar nos olhos e nas mucosas é a única recomendação de precaução.

Antigamente, nas feiras de província, havia sempre um indivíduo que atraía multidões. Vendia de tudo e a preços imbatíveis. Não vendia só uma peça: se estava na hora das mantas, além da manta levava mais um conjunto de atoalhados, mais um trem de cozinha em alumínio e um conjunto da facas do melhor material. 

Tudo isto dito de uma forma inconfundível.

Era conhecido pelo "Homem da banha da cobra". Isto porque começava a venda com a pomada de banha de cobra, boa para reumatismo, dores musculares, entorses, artroses, dores de cabeça, picadas de insectos e um imenso etc... 

"Não estou aqui para enganar ninguém (era assim que começava) e pelo preço de uma nota, não leva uma, nem duas, nem três caixas... leva quatro e dá para oferecer à sogra, à prima e à cunhada. E se pagar com duas notas não leva oito, nem nove, leva dez caixinhas desta pomada que resolve todos os problemas: queimaduras, entorses, dores reumatismais, dores de cabeça... Retira uma quantidade pequena e esfrega na região afectada até sentir calor. E, se não sentir resultados pode devolver."

Não trata, não cura, mas pode aliviar. 

Apetecia-me comprar um boião enorme, para aplicar neste Portugal cheio de entorses, a gemer de reumático, com uma imensa dor de cabeça. Não curava, não tratava, mas aliviava. 

E sempre ficava com aquele cheiro a mentol, não o de rosa fenecida.


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