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segunda-feira, 31 de maio de 2010

AMPULHETA

Lá volto eu ao tempo!
Eu, que não quero ser escravo do tempo, deixo-me escravizar na escrita e, quando dou por ela estou, outra vez, a falar dele.
Hoje não vou dissertar sobre a temporalidade, sobre a 4ª dimensão, ou a teoria da relatividade, mas sobre a ampulheta, aquele objecto de vidro com areia no seu interior.
A ampulheta de areia foi um dos instrumentos de que os homens se serviram para marcar o tempo. Duas ampolas ou âmbulas de vidro, ligadas entre si  por um orifício estreito  por onde passa, de uma âmbula para outra, a areia contida no seu interior.
Vira-se a ampulheta e a areia lá vai passando por aquele aperto no vidro, escorrendo como um fio, até se acabar. Cada ampulheta tem o seu tempo determinado que depende do tamanho dos grãos de areia, e que deve ser uniforme; depende, também, da quantidade da mesma e do volume da ampulheta e, finalmente, do diâmetro do orifício de passagem.
Quando a areia se esgota na âmbula superior, vira-se a ampulheta e tudo recomeça de novo, a demorar o mesmo tempo, exactamente. 
Um vira e vira até quando se quiser. Pena a ampulheta não regular o tempo. Era bom! Sempre que quisesse que o tempo parasse, não virava a ampulheta e pronto. Tudo se suspendia, tudo parava... e valia a pena?  
Que adiantava parar o tempo? Parar o tempo é como parar a vida, e a vida morria; parava a Terra, e o mar deixava de ter marés, as sombras aquietavam, os pássaros não voavam, a fruta não amadurecia, a voz não saía, a vista não via e eu não ouvia.
E agora que faço? Viro a ampulheta, ou deixo o tempo parado? 
Não posso deixar o tempo parar...
Quem me ajuda? Socorro! Help!


2 comentários:

Maria Helena Cruz disse...

Pensamos nós que bom seria parar o tempo… mas isso só acontece quando nos encontramos nos bons momentos, quando vivemos situações boas mas emoções, nos momentos de encantamento, esquecendo que somos nós os únicos responsáveis por essa construção, e para construir precisamos do tempo, por isso eu ajudo-te a virar a ampulheta, e assim viveres todas as emoções que um dia um momento tem, pois isso é que é a VIDA.
Mas comungo do pensamento que o tempo na realidade não existe, ou não nos pertence. Somos muito pretensiosos a querer medir o tempo.
Um abraço.

Anónimo disse...

Também gostava que o tempo parasse, mas parece que nos é impossível este feito, mas temos alguns artfícios para passar melhor o tempo, por exemplo- ter sempre por perto pessoas que nos animem, mimem, que sejam dinâmicas e alegres, que possam independentemente da idade, passar os conhecimentos e experiências.
Para que,no final, o que conta é como vivemos, e não quanto vivemos.
... o tempo não pára, não pára não, não , não, não, não, pára!!!...(Cazuza).
Beatriz Morcego.