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domingo, 21 de novembro de 2010

LAGO DOS CISNES

O tempo serenara e o jantar especial pedia um passeio.

Tinham que desmoer aquela comida toda: as migas, o costado, o bolo fidalgo, o vinho do Monte da Ravasqueira, ali mesmo, de Arraiolos.

A pousada não ficava distante, era um bom passeio, a pé.

E foram andando por aquelas ruas estreitas e inclinadas, feitas de calçada de pedra, com casas baixas e brancas, todas a desaguar na praça do Município.

Praça grande, com espaço em demasia, vazia àquela hora da noite.

Ela, ele,  sós, e  a música clássica que saía das varandas do edifício da Câmara... reconheceu-a num instante... o Lago dos cisnes... era Tchaikovsky, ali, naquele pedaço do Alentejo,  a encher de sons aquela praça vazia... e, num instante, ele a imaginar-se o príncipe Siegfried a sonhar a sua Odette, de momento enfeitiçada, pelo mago Rothbart,  em cisne branco.

E, enquanto a música tocava, os jogos de água, ao compasso da mesma, saíam em repuxos ritmados do lago, situado no meio da praça, em jogos de água e de luz únicos, surpreendentes, enigmáticos, mágicos.

Sem arco e flecha, mas com a câmara fotográfica, ali estava pronto a disparar sobre um cisne imaginário... e no momento do disparo, do flash saído, surge-lhe assim, num passo de dança, numa inesperada pirueta, a sua Odette... 





... a sua princesa de encantos!
 
(fotografia do autor)

3 comentários:

Anónimo disse...

A fragilidade da água, as imagens ilusórias, o encanto das Artes. Princesas? Ainda existem??

Anónimo disse...

magnifico "passo de dança" escrita!



magnifica fotografia!



beijo.




(isabel mendes ferreira)

Maria Helena Cruz disse...

A foto é um prémio ao olhar sensível de um ser romântico em que nada lhe é indiferente.
Parabéns levou-me ao lago Obrigado