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domingo, 28 de novembro de 2010

FRIO

Desta vez veio inesperado, uma frente fria do norte, dizia a meteorologia, com frio e muita neve nas ilhas britânicas e na Escandinávia...

De bater o dente e sentir os ossos enregelados... a manta... a cobrir, a enrolar o frio, a tentar aquecer o corpo, a aconchegar... e ela diante da televisão a ver aquela série que tanto gosta... a neve a pintar de branco os "greens" de Oxford... miss Wilford, com o seu ar áspero, a pedir o chá e os scones... e os dois, Margaret e Alfred, bem resguardados daquele frio intenso, de braço dado, percorriam a alameda da Universidade a caminho da biblioteca...

Esperava por ele... ia chegar naquela tarde, vindo também do frio, trazia saudades... um ramo de rosas... trazia sempre um ramo de rosas... vermelhas... intensas de cor.

Ficavam bem, na jarra de cristal, na mesa do canto, a dar cor ao fundo branco da parede.

O chá esperava abrir... as torradas quentes, escorriam a manteiga acabada de barrar... a compota de morango e a marmelada da quinta, certamente, iam adoçar aquele pão de Salavessa...

Sentaram-se à mesa de camilha com a braseira de picão bem desperta, a transmitir um calor bom. Ficaram ali, sentados, a aquecer os corpos, a conversar, a falar do amanhã...

E eles, os da meteorologia, a prometerem mais frio para os próximos dias...

E eles, os dois, a prometerem mais calor na sua relação...



(Neve em Cambridge, Dezembro de 2009).


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