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terça-feira, 6 de julho de 2010

O ACORDAR

A noite quente, daquelas que nem permitem o lençol por cima do corpo sem roupa, foi horrível. Para além do calor, o zumbido daquele mosquito, toda a noite, num zumm zumm de voos arrojados, de picadelas, em todo o corpo, de levantares constates e de tentativas vãs de, com o chinelo na mão, o esmagar contra a parede.
Já há muito tempo que não tinha uma noite assim.
Ainda pensei no spray para o matar, mas acho que quem ia morrer com o produto era eu: as minhas vias respiratórios manifestaram sempre uma incompatibilidade total a esses produtos.
Mudei de quarto, mas ele veio atrás, estilo melga, daquelas que andam coladas à gente. 

Tapei-me com o lençol, mas o zumm zumm ouvia-se na mesma e o desgraçado devia ter a tromba afiada e comprida pois picava por cima do lençol. Cobertor nem imaginar! Aí era a assadura total!

Assim passei a noite, sem pregar olho e com o corpo pintalgado de manchas rosadas, altamente comichosas e com as marcas das unhas, de tanto me coçar.
Maldito!
Mas o acordar foi óptimo, senti uma picada na cara e num automatismo ainda adormecido, esmaguei-o todo. Ficou uma pasta de sangue, MEU!, na minha mão.
Acho que foi o melhor acordar destes últimos tempos.

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