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quarta-feira, 21 de julho de 2010

CALOR

Abunda, tresanda, incomoda, esfrangalha, amolece, transpira, um horror! Este calor.
Já lhe tinha perdido o jeito, ainda não tivera tempo de se habituar e andava todo cheio de resmunguice a protestar com a manhã quente, imensamente quente, que o impedia de trabalhar. 
Tinha-se levantado cedo para aproveitar as horas mais  frescas do dia, mas qual quê? O suor a escorrer da testa e a salgar-lhe os olhos, a camisa colada às costas, toda ensopada, os pés a não caberem nos sapatos, de inchados...
A água dessecava-lhe a garganta mas não o arrefecia, não o satisfazia, a ventoinha enviava-lhe, no seu vai e vem, um bafo de ar quente e não o frio que almejava, mas tinha que trabalhar, deixar pronto o trabalho, tinha prazos, quase hora certa de entrega...
E uma linha escrita e um gole de água gelada, uma vírgula e o abanar de um leque improvisado feito com a revista que chegara no correio da véspera. Quando chegava ao ponto de exclamação, aí, dava direito a levantar-se, a uma paragem mais prolongada no seu tempo. É que, com tanto calor, com tanto incómodo, a inspiração para o texto do jornal não saía.
A hora do almoço não tardava e ele ainda nisto de escrever o prometido, no prazo certo. 
E se fosse almoçar àquela marisqueira que acabou de abrir? Tinha ar refrigerado, vinha no anúncio que lhe deixaram no pára-brisas do carro, ainda por cima era era logo ali em baixo, a duas portas da sua.
Pegou em si, levou o computador portátil e, bem instalado, com uma cerveja à sua frente, num ambiente bem frio e com promessa de um bom marisco, acabado de chegar, ei-lo, cheio de ganas a acabar o texto. Num instante!
O marisco, esse, era excelente!

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