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segunda-feira, 15 de março de 2010

PISA PAPÉIS


Tenho bastantes, uns cinquenta, por aí; nunca os contei e estão espalhados por muitos locais da casa e no consultório. Não há dois iguais; parecidos, alguns; grandes, pequenos, a maior parte em forma de bola, mas também os há com a forma de pêra, de ovo ou de outras geometrias, algumas delas bastante bizarras; ultimamente têm aparecido com a forma de frutos (tenho um tomate e uma maçã, ambos de um vermelho muito vivo), de animais (um pato preto e branco e alguns peixes, cheios de cores) e tenho um em forma de coração. Grande parte serve apenas como elemento decorativo, seja pelo tamanho, pela forma ou pelo peso excessivo; os outros exercem mesmo a sua função, geralmente os mais pequenos, dispostos em cima da secretária a calcar as receitas, as vinhetas, a correspondência, fotografias, tudo o que seja susceptível de sair do local por força duma corrente de ar.
Mas tenho um, também na minha secretária, redondo, de bom tamanho, cristalino, sem enfeites nem cores e que parece mesmo uma de bola de cristal. Daquelas dos adivinhos, dos curandeiros, das videntes, daqueles que enchem páginas de jornais com anúncios a prometer tudo: amor, negócios, mau olhado, casamento, impotência sexual, depressão, inveja, amarração...
Se, na realidade, servisse para adivinhar o futuro, para saber dos males dos doentes sem eles se queixarem, do prognóstico evolutivo de uma doença ou, ainda, saber o quanto tempo ainda tinham de vida, de certeza que já não a tinha ali.
Não quero correr o risco de adivinhar nada, prefiro basear os meus diagnósticos, as terapêuticas, os prognósticos de vida, nos meus conhecimentos, na minha experiência de vida, na minha intuição e na arte que, por enquanto, a medicina ainda tem.

1 comentário:

Anónimo disse...

Achei piada à colecção de pisa papeis. É uma colecção de "peso"!... E nunca pensei que se pudesse dizer tanto acerca de pisa papeis. Quanta imaginação!...
"Sereia"