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segunda-feira, 7 de março de 2011

MANHÃ DE SOL

A noite tinha sido bem chuvada, tinha-a ouvido a cair forte, a bater nos vidros da janela do quarto, a acordá-lo no seu sono leve.

Mas a chuva deve ter-se esgotado ao amanhecer. É que o dia acordou cheio de sol, de chão molhado e lavado, de cheiro fresco e brisa suave. Parecia que uma daquelas senhoras da limpeza, tinha passado a esfregona na alvorada com um desses detergente que cheiram a primavera.

Quis aproveitar aquele abrir de portas de um dia luminoso e foi à procura do mar.

Estava-se bem na esplanada, protegida dos ventos e humidades por vidraças enormes que lhe permitiam ver o mar, os barcos a passar no rio, a ponte ao longe e o Cristo-Rei na outra margem.

Tinha levado o jornal e um livro pois não sabia quanto tempo iria ficar ali. A manhã apetecia, o sol iluminava e aquecia os corpos e ele não tinha mesmo nada que fazer.

Pediu uma tisana de verbena e lima, uma torrada, um copo de água e ali ficou. A torrada, bem tostada, deixou migalhas tentadoras em cima da mesa.

Não tardou muito tempo a aproximar-se, a experimentar o terreno. Primeiro um voo de reconhecimento, depois um poisar no encosto da cadeira da mesa ao lado, novo voo, um chilrear e, agora, poisou na cadeira em frente, a testar a reacção... sabia que ninguém lhe ia fazer mal, estava habituado a estes petiscos, às migalhas, porque ali, só mesmo migalhas ou, então, sementes, daquelas que cobrem os pães de mistura. 

Olhou à volta e viu que não era só ele, notou que havia mais pássaros, cada um, aparentemente, com o seu território. Apercebeu-se que se um pássaro se aproximava de outro, este vinha logo defender o seu lugar, a sua área. Lembrou-lhe os moedinhas de estacionamento, cada um na sua área e com agressões verbais ou empurrões quando aparece outro na zona. a roubar-lhe um lugar e uma moedinha, quase certa. 

Ambos à procura das migalhas dos outros.

Deu um salto de uma cadeira para outra, agora mais perto, apenas a um pulo da mesa e, sempre  de olho atento, começou a debicar as migalhas que se encontravam no tampo preto da mesa.

(Krugger park - África do Sul - 2006)

Um gesto para esboroar um pouco mais da torrada para lhe fazer mais migalhas e, de novo, um voo para longe, mais um pouso na cadeira e um regressar à mesa.

Por ali esteve até limpar tudo. Olhou para ele, quieto, uns dois segundos e partiu.


Foi para outra mesa, refastelar-se... encher-se de migalhas, agora de scones que aquele casal, ali ao lado, estava a comer, acompanhados de um chocolate quente, a fumegar!



1 comentário:

Anónimo disse...

São bons os momentos em que se pode, calmamente, observar o voo dos pardais gulosos.