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sábado, 19 de novembro de 2011

A TÂNIA

Deve ter herdado o nome de uma personagem de telenovela de então.

A Tânia vende jornais! Abre o quiosque às sete da manhã, fecha-o pelas cinco da tarde e está ali, no seu posto, todos os dias, sem folgas de sábados, domingos ou feriados.

Só não abre no Natal, no Ano Novo e não sei, também, se no primeiro de Maio porque, nesse dia, parece, também não há jornais à venda porque, se houvesse, quase que, de certeza, ela lá estaria.

Não sei que idade tem: 20? 25? 30 anos? A quase sempre mesma indumentária, o mesmo penteado e as borbulhas na cara não dão para um rigor maior de cálculo. 

Nestes anos que a conheço, que lhe compro jornais e revistas, só uma coisa de diferente aconteceu: há uns tempos atrás começou a usar um daqueles aparelhos de dentes que muita gente agora usa e que põem o sorriso igual a todos, daqueles que parecem terem um elástico e uma espécie de florinhas que as pessoas podem mudar a cor; um sorriso  sempre igual mas de cores diferentes.

A Tânia nunca foi uma mulher de sorrisos, de conversa sim, ia conversando com os clientes, discutindo com a mãe que a ajuda na venda dos jornais e revistas, mas sorrir, só raramente. Não sei se por uma questão de feitio, se por ter os dentes feios e, daí, o ter passado a usar, agora, aquele aparelho.

Mas a verdade é que, nos últimos tempos, ao longo destes últimos meses, a Tânia, por vezes e cada vez mais, começou a sorrir, a mostrar um sorriso de dentes mais alinhados, um sorriso adolescente atrás das florinhas amarelas do aparelho.

Hoje, ao vender-me o jornal diário e o semanário, e enquanto lhe pagava, disse-me com um sorriso maroto, hoje não amarelo, mas cor de rosa, da cor das florinhas do aparelho dos dentes... "parece que agora os vigaristas já começam a ficar na cadeia... isto está a mudar!"

Ainda bem!




2 comentários:

Carlota Pires Dacosta disse...

Um sorriso faz muita diferença.
Podemos até ser muito faladoras, mas se não houver um sorriso a conversa não tem a mesma magia.

Beijo e bom domingo

Anónimo disse...

Ah sorrisos... Há de tantas espécies. Eu prefiro os cúmplices!
Beijinhos
Fiquei com pena da Tânia. Sorriso rosa?!

Berta