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terça-feira, 23 de agosto de 2011

CURIOSO

Desaparecera da sua vista fazia um bom par de dias.

Nunca mais fora vista e nunca mais se deixou ver!

Deixou de aparecer debaixo da janela, deixou de pedir pela comida, deixou de se atravessar diante dos seus pés nas suas caminhadas pela serra.

Deve ter arranjado novos companheiros de brincadeiras ou de caçadas, ou terá partido para outro lado, assim pensou.. 

Mas, se desapareceu,  não deve ter morrido! A verdade é que devia andar a rondar por ali, o prato da comida esvaziava-se todos os dias, e não eram as imensas formigas que iam aos restos que comiam aquilo tudo, os peixes do tanque iam diminuindo em número e o capô do carro, por vezes, aparecia sujo da terra do chão com as pegadas, bem assinadas, das suas patas.

Eram os únicos indícios de vida e da sua presença.

E foi no outro dia que, quando andava pela quinta com a sua mania de fazer fotografia, ao ver as mesmas com mais pormenor, se deu conta que, por detrás da porta velha da casa dos arrrumos, um olhar bem aberto o espreitava, o seguia, o olhava curioso, mas em silêncio, escondido, misterioso...


(Portalegre - 2003)
Voltou lá, abriu a porta com cautela, entrou lento e, no meio daquela escuridão silenciosa, começou a perceber uns vagidos, uns miados frágeis mas repetidos. Deixou que os olhos se adaptassem àquele escuro e viu, por detrás de um fardo de palha, no meio de uns sacos de serapilheira, a causa da sua ausência.

Ela deitada, a olhá-lo silenciosa, e a deixar-se mamar por cinco crias com poucos dias de vida.

Assim como entrou, assim saiu, lentamente, cauteloso, em silêncio, a não querer interromper ou interferir naquele quadro de intimidade familiar!

1 comentário:

Anónimo disse...

E que bom é ser Mãe! Boa sorte para os bichinhos.
Beijos
Berta