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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

NO BEIRAL

Aguardava ansioso a vinda da mãe.

Sempre com fome, de boca escancarada, num piar famélico, desesperado.

E ela da bico fechado, de costas voltadas sem uma mosca, uma libélula, ou um mosquito para lhe dar.

O dia quente, o sol inclemente, o vento seco, não davam tréguas... Nem um insecto!

E o filhote a piar, a implorar, de goela aberta, de papo vazio, da fome imensa.

(Num beiral à espera da comida - Alentejo - Agosto de 2011)
Agora, só mais logo, só mais ao cair da tarde, só quando o lusco-fusco os libertar dos seus esconderijos e se soltarem em nuvens pelos ares. E, então, começa o frenesim,  a corrida louca, as voltas e reviravoltas, os voos picados, o encher do papo daquele alimento, daquela dádiva dos céus.

E ei-la que volta, que torna ao beiral, e lhe enche o papo, lhe satisfaz a fome, lhe cala o pio, lhe fecha o bico...

E amanhã tudo se repete neste afã do cumprimento da vida, do instinto da sobrevivência, da conservação e continuação da espécie.

Vida dura, implacável, vida que é assim! Mas também, aqui, a vida tem poesia!






2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bom. Beijinhos, Lola.

Anónimo disse...

E também, na vida da humanidade, a vida é assim: - Um afã, uma exigência de sobreviventes para, de repente, tudo terminar...
Beijo
Berta