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domingo, 26 de junho de 2011

CAMINHO DE FERRO

"Mas nesse momento um apito lindo que me deixou todo arrepiado ecoou na entrada da Estação. Era o Mangaratiba. Violento, orgulhoso, dono de todos os trilhos. Passou voando, chacoalhando os vagões naquela lindeza toda. As pessoas das janelinhas olhavam para fora. Todo o mundo que viajava era feliz. Quando era criança gostava de ficar vendo o Mangaratiba passar e dar adeus que não acabava mais. Adeus até o trem sumir no fim da linha."

(O Meu Pé de Laranja Lima - Segunda parte - Capítulo quinto: Suave e estranho pedido - de José Mauro de Vasconcelos)


("Train - voyageurs quittant Sendas pour Tua", foto tirada em 9 de Março de 1975.- J. L. Rochaix) 

Saiu hoje nos jornais o anúncio que vão encerrar, por força das decisões da Troika, cerca de 800 Km de linha férrea no norte e no interior de Portugal.

Faz pena! É mais uma coisa que desaparece, pelo menos temporariamente. Mas como com os homens nada é definitivo, há sempre a esperança que, qualquer dia, ou dentro de alguns anos, cheguem à conclusão que o transporte de pessoas e de mercadorias pelo caminho de ferro é mais económico e menos poluente que o transporte rodoviário.

É tudo uma questão de boa gestão, de melhor transparência, de melhores incentivos e de imaginação!

(Linha do Douro - Estação de Tua - imagem do Google)

É que o comboio, o caminho de ferro, também pode ser um meio de promoção turística e de fazer chegar pessoas a zonas históricas, a regiões vinícolas, ou de paisagens únicas, criando rotas, originando riqueza em zonas, precisamente, mais carenciadas.

As linhas estão lá, o material circulante também, as estações continuam, os trabalhadores querem trabalhar, e Portugal tem que se virar, cada vez mais, para o turismo de qualidade.

Porque é que, em vez de fechar, não se pensa nesta ou noutra solução?

O caminho de ferro é o melhor meio de transporte em qualquer país desenvolvido ou em vias disso, seja na Europa, na América, na Índia, na China...

Mas é, também, uma forma lúdica de levar as pessoas a conhecer novas terras, outras paisagens, outros caminhos...

É que a riqueza de um país não se faz só fechando, destruindo ou fazendo novo por cima do antigo. A riqueza de um país é feita, também, da sua história, dos seus valores e das suas pessoas.

1 comentário:

Anónimo disse...

E são tão convidativas a boa conversa, a encostos ternos, a mimos gostosos, as viagens de comboio!!!

Beijos