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quinta-feira, 22 de março de 2012

REBUÇADOS PEITORAIS

Andava há dias com aquela tosse irritante, a sentir uma impressão na garganta, quase um ardor, com a necessidade imperiosa de tossir. Não tinha alternativa... se não tossisse ficava com aquele picar na garganta, que rapidamente se transformava num bloqueio, que nem o deixava falar nem respirar.

Tinha percorrido o calvário dos sintomas: primeiro apareceu com o nariz congestionado, a espirrar e com corrimento, depois a dor de cabeça, bem sobre os olhos, a seguir veio a irritação na garganta com dor e um pouco de febre, depois a descarga nasal abundante e, quando já tudo estava quase no finalmente, apareceu a tossícula que foi aumentando até chegar a este extremo de profunda irritação na garganta, com dor no peito e nas costelas e cansaço de tanto tossir.

Também percorreu a via sacra dos medicamentos: o antihistamínico, o antipirético, o antibiótico, o descongestionante, o anti-inflamatório, o expectorante e, por último, o antitússico. Mas, sem sucesso! 

Parece que, desta vez, a tosse era ainda mais irritante, obrigando-o a tossir estridentemente, quase com um timbre metálico e com a sensação que a garganta se iria romper se tivesse que tossir, assim, mais duas ou três vezes.

Para além dos medicamentos de farmácia ainda chupou pastilhas de mentol, esgotou o xarope cor-de-rosa da ervanária que tinha sobrado da última vez, tomou o chá de limão com gengibre e mel, gargarejou com água morna salgada, aplicou o colutório em nebulização, besuntou-se na garganta com o Vick's e aplicou  a flanela quente por cima... e, quando tudo parecia estar a acalmar, a tosse, de novo, a aparecer com força.

Agora só lhe faltavam os rebuçados peitorais, aqueles que lhe compravam quando se constipava! Nem sabe se ainda havia, por aí, à venda. Resolveu dar uma volta pelas velhas mercearias do bairro e lá os descobriu, quase todos, os do Dr. Bayard, os de Santo Onofre, os de São Braz e os de Seiva de Pinheiro. A mesma embalagem, o mesmo papel a embrulhar cada rebuçado, as mesmas cores... Nem sabia por qual deles começar, todos diziam o mesmo: todos eram os melhores para a tosse, rouquidão, catarro, bronquite e outras afecções do aparelho respiratório. E, à medida que ia saboreando cada um, foi recordando os sabores do alcaçuz, da menta, da seiva de pinheiro, do anis, do açúcar queimado... sabores que, faz tempo, tinha quase esquecido mas que hoje, devido a esta tosse persistente e irritante, voltou a descobrir e a apreciar.



A verdade é que a tosse continua a tossir mas agora já não liga muito... cada vez que tosse, abre a lata dos rebuçados e escolhe um deles: seiva de pinheiro? Santo Onofre?

 

1 comentário:

Anónimo disse...

Uma constipação muito gulosa!

beijos
Berta