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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

VIDA VIVIDA

Agora é quase um fóssil... um pedaço de madeira...  morta... seca... quase petrificada... dos muitos anos passados... dos muitos frios... gélidos... dos muitos calores... de erupções vulcânicas... de lavas escorrentes... dos gelos quase eternos... dos ventos cortantes...

Agora ali... inútil... pedaço de um barco... navegador de mares... caçador de baleias... transportador de cargas... conduzido por homens... afrontador de tempestades...

Encalhou... no meio de uma tempestade... de ondas gigantes... de icebergues enormes... de ventos assustadores... empurrado... levado... até parar... quase sem homens... na cinza vulcânica... de gelo enrolada... na praia de todas as decepções... sem vida... só sinal de morte... dum inverno de rigor...

Ali ficou... indiferente... ao tempo... aos homens... aos bichos... aos pássaros... resistindo... numa luta quase desigual... mas resistiu e ficou!

(Deception Island - Antártida - Janeiro 2009)

1 comentário:

Maria Helena Cruz disse...

Tudo tem um início e um fim,
mas a obra fica,
a memória perdura.
Mesmo que caia no esquecimento
como esse navio, ele tem história