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domingo, 12 de dezembro de 2010

DOR

Andava há umas semanas com aquela dor, uma moínha nas costas que, por vezes, lhe chegava ao peito. Atormentava-o mais quando se sentia mais cansado, quando andava com mais stress, quando estava mais tempo sentado ao computador...

Incomodava-o mesmo, e tanto, que resolveu ir ao médico.

Ficou com a consulta marcada só para "daqui a duas semanas"... tudo cheio! Como não era uma urgência, tinha que aguentar.

E a moínha a atormentá-lo, a tornar-se mais consciente, a provocar-lhe ansiedade e, como não aguentasse mais e se sentisse mais ansioso, para além dos analgésicos, começou, por moto próprio, a tomar ansiolíticos.

Com o passar dos dias, com o aproximar do dia de ir ao médico... a tal sumidade... a dor começou a tornar-se mais  uma  companhia do que um incómodo. Por vezes já nem dava por ela, havia alturas em que se esquecia dela, já dormia mais tranquilo e andava, sobretudo, muito mais relaxado, mais tranquilo. E tudo isto desde que começou a tomar o ansiolítico. 

Na véspera da ida ao médico já não sentia dor nenhuma... ficou na dúvida se devia lá ir. Pagar uma consulta agora que não tinha nenhuma dor... agora que andava tranquilo, sem stress, descontraído, bem disposto.

Mesmo assim foi, achava que estava na altura de fazer um check-up, estava na idade ideal para tal: saber da glicémia, do colesterol, da próstata, fazer o HIV, uma radiografia. Nunca tinha feito um check-up e, de certeza, o médico ia pedir tudo. Pelo preço que lhe disseram que custava a primeira consulta... até devia ter direito a um exame completo ao coração e a uma TAC a qualquer coisa.

Esperou quase duas horas. Era um médico muito famoso e, disse a recepcionista, que hoje até era um dia calmo. É que o doutor tinha mandado desmarcar alguns doentes, os do fim do dia. Não andava muito bem, com uma dor nas costas, uma moínha que o incomodava bastante. Andava muito stressado, muito cansado e, desde o início da semana que andava com aquela dor incomodativa. Já lhe tinha dito que talvez fechasse o consultório se a dor não passasse. Tinha até já dado ordem para desmarcar os doentes.

Chegou a altura... o momento da consulta. Entrou e vê o médico sentado à secretária, com ar de sofrido, inquieto, dorido, com a mão a apertar o ombro, mesmo por cima da omoplata... tal como ele andava há umas semanas atrás. Sobretudo muito ansioso!

Não disse nada, apenas meteu a mão no bolso do casaco, tirou a caixa dos comprimidos ansiolíticos e deu-a ao médico. Experimente estes, dei-me bem com eles, vai ver que fica bom num instante.

As melhoras!

E saiu porta fora. Não pagou a consulta, mas também não lhe levou nada pelos comprimidos.



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