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domingo, 26 de dezembro de 2010

CONSO(L)ADA

Chegaram todos. A família reuniu-se, finalmente!
A família toda: os do lado dela e os do lado dele; deles, dos dois, eram só eles... já não tinham idade para terem geração deles mesmos. Mas, ali, todos juntos, eram todos de todos.

Foi o primeiro Natal assim, a primeira Consoada; até então, o Natal tinha sido sempre de um para cada lado, afastados nos locais, nas famílias, mas este ano não!

A casa foi sendo preparada, com tempo e com amor, para este Natal especial. Os presépios, sim porque tinham muitos presépios,  foram sendo distribuídos por toda a casa, nos quartos de dormir, nas salas, na sala de jantar, no escritório, até na cozinha... só não acharam bem colocar na casa de banho, por uma questão de pudor, de uma certa vergonha, embora o Menino também tenha vindo ao mundo despido de roupas!

O Presépio principal, o da sala, foi sendo preparado com alguma realidade na cronicidade: primeiro, só uma Senhora do Ó, mais tarde, um casal, com Ela grávida em cima de um burro  e  uma cabana (o presépio) bem afastado, porque o caminho era longo, depois, o casal  já no presépio com o burro e uma vaca que ali já estava e, na noite do 24 para 25, arranjou-se a manjedoura com as palhinhas de modo que, à meia noite, se colocasse lá o Menino Jesus, um Menino sorridente, com um sorriso tão inocente como só os meninos conseguem ter e com a mão direita levantada, como a querer abençoar aquela casa.

Ao longo do dia de Natal, trazidos por cada um dos membros daquela família, agora grande, foram sendo colocados os pastores, uns ainda a caminho e outros já ajoelhados diante do Deus-Menino, mais as ovelhas e um cão... é verdade, naquele presépio havia um cão, daqueles que ajudam os pastores a tomar conta das ovelhas. É que eles gostavam muito de cães, eram os seus amigos no dia a dia, ali, naquele lugar ermo da Serra; os cães que lhes faziam companhia e os protegiam no seu isolamento. Também havia, um porco, um galo, galinhas e patos, que os pastores tinham trazido como presente àquela família.

Depois, foi posta, no alto do presépio, a estrela de Natal e, no canto oposto, foram colocados os Reis Magos que, cada dia que vai passando, se vão aproximando do estábulo onde o Menino se encontra. E assim será, até ao dia de Reis, o dia das prendas do Menino e do seu reconhecimento como Deus, como Rei e como Homem.

(Presépio de Machado Castro - séc XVIII - barro policromado)

Na verdade foi um Natal muito especial. Mas sobretudo foi, para ela, especialmente para ela, o seu melhor Natal.

E nessa noite, na noite do seu Natal, já no sossego da cama, no calor dos lençóis brancos de flanela e do edredão fofo, no aconchego um do outro, ela sentiu que a sua noite de Consoada tinha sido, verdadeiramente, consolada.



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