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quinta-feira, 17 de maio de 2012

COAXARES

Fora atrás do coaxar que parecia vir do tanque dos nenúfares...

Aliás, não era um único "raque-raque", mas uma polifonia deles, num caos de sons feitos uma harmonia desconcertante, cheia de agitações, de entusiasmos, de coaxares daqui, de "raques" distantes, de raques direitos, de coaxares esquerdos e, mal ele se mexia, mal avançava um passo de aproximação, mal pisava um ramo seco caído no chão, a orquestra, como que sob a batuta de um maestro universal, remetia-se a um silêncio de expectativa, num misto de tensão e curiosidade, esperando, de novo, a ordem do maestro, para todos aqueles raqueares voltarem a encher, de vida e de ruído, aquele lugar.

(do autor - Rana esculenta em pose nupcial)

Os machos, ao fazerem crescer as bolsas de ressonância de cada lado da cabeça exibem-nas à fêmea da sua eleição, que vai assistindo, calada, àquele espectáculo dos balões coloridos, que vão enchendo e esvaziando, ao mesmo tempo que criam sons que a atraem de forma irredutível...

Também ele se deixou ficar por ali, numa imobilidade expectante, assistindo, calado, àquele rito nupcial, àquele cerimonial de primavera de quase encanto...

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1 comentário:

Anónimo disse...

Imobilidade inquietante... muito bom!

Ana Hertz