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sexta-feira, 18 de junho de 2010

VISEU

Viseu traz-me sempre muitas recordações.

Uma delas é aquela cantiga e lenga lenga do "Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu, encontrei o meu amor, ai Jesus que lá vou eu...".

Depois, porque a Viseu estou ligado por laços geográficos e familiares.
A minha família materna e paterna é de Mangualde, e Mangualde fica perto de Viseu. E em Viseu vivia uma tia, a tia Elisa, num local chamado Moinho de Vento, onde agora existe o hotel Monte Belo,  de onde estou a escrever este  texto (coincidências?).  Também, em Viseu, vive o meu primo Ricardo, médico ainda no activo e que já passou largamente a barreira dos 80 anos, e a quem me ligam laços da mais profunda amizade, assim como os meus primos, Fernando e José, ambos também médicos, e meus companheiros de aventuras do Fiat 500.

Mangualde e Viseu sempre foram terras rivais: Viseu era cidade, capital de distrito, e Mangualde, no tempo da minha infância e juventude, era uma vila, mas com mais indústria que Viseu e era e é em Mangualde  que fica a estação de comboios da linha da Beira Alta; uma estação importante em termos comerciais, como entreposto de carga e descarga de materiais, e de passageiros, pois quem ia de comboio para, e de, Viseu tinha de descer na estação de Mangualde. E era nesta estação que estavam as duas locomotivas, no tempo das máquinas a vapor, sempre em carga, para substituição dalguma que se avariasse ao longo do trajecto entre a Pampilhosa e a Guarda: uma linha quase sempre a subir, pois a Guarda fica situada acima dos mil metros de altitude.
A rivalidade era de tal ordem que era costume dizer-se que, "em Viseu, cão sim homem não, e em Mangualde, nem homem nem cão".

Quando era miúdo, o que mais gostava quando ia a Viseu, era ir a casa da tia Elisa,  irmã solteira da minha avó Isabel, a mãe do meu pai. Tinha uma empregada que se chamava Ifigénia mas que, apesar do nome fazer lembrar uma bruxa ou  mulher má, daquelas de lenço preto na cabeça e verruga num nariz adunco, era uma pessoa sem nada de lenços ou de verrugas, alegre, simpática e muito cordial. A tia Elisa tinha uma espécie de estufa cheia de avencas e presenteava-nos, sempre, com um refresco de capilé, com limão: uma delícia!
Em Viseu fiz o meu exame do segundo ano do Liceu como aluno do colégio de São José, em Mangualde.

Viseu, uma cidade cheia de história, de monumentos, com uma Sé Catedral monumental e o Museu Grão Vasco, é hoje uma cidade linda, limpa, arranjada e cheia de rotundas que disciplinam o trânsito, diminuem a velocidade de circulação dos carros e facilitam a vida aos peões.

Hoje vim aqui assistir ao 1º Congresso de Pneumologia do Centro e assistir à homenagem a um colega de Coimbra que acabou de jubilar-se. 

Claro que aproveitei a ocasião para rever a já pouca família que ainda resiste à interioridade e ver as duas casas de família que ainda conservo. 

É sempre bom vir às origens! Obrigado Viseu por me teres feito voltar aqui.


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