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segunda-feira, 28 de junho de 2010

JACARANDÁ

O nome tem coisa de exótico.
Quando, jovem, fui assistir, no Teatro Avenida, à peça "As Árvores Morrem de Pé",  de Alejandro Casona, interpretada magistralmente por Palmira Bastos, na altura já com os seus 90 anos, a árvore do jardim da casa onde se passava a peça era um Jacarandá. 
Era a história de um neto malandro de quem a avó gostava muito e que aparece apenas no final, quando  toda a gente pensava que  ele tinha morrido num naufrágio. E foi para evitar  esse desgosto à avó, que adorava aquele neto mas não sabia da sua malandragem, que os familiares contrataram um  duplo para fazer as vezes dele.
Lembro bem o final, quando o engano é desmascarado, com o neto verdadeiro e o falso em cena, e a Palmira Bastos, batendo com a bengala no chão e afirmando, com a voz trémula mas afirmativa dos seus noventa anos: "-Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores!".
E assim, com esta imagem dramática e o Jacarandá tantas vezes falado na peça, que esta árvore ficou sempre na minha imaginação e nos meus recordares.

Fiquei com imensa curiosidade em saber como era a árvore. O nome fascinava, era fácil de dizer, e lembrava África ou América do Sul. Soube, mais tarde, que era originária da Bolívia, da Argentina e sul do Brasil. E só, quando anos passados as ruas da cidade de Lisboa começaram a ficar cheias destas árvores lindas é que lhes associei o nome.

O Parque Eduardo VII, a  zona das Avenidas Novas e de Santos,  e o Jardim do Príncipe Real são alguns dos locais desta cidade onde se podem apreciar.

E ficam lindas, floridas de um azul ou arroxeado intenso e de um perfume agradável, agora a atapetarem os passeios e as ruas da cidade, como se de uma alcatifa anil se tratasse. Gosto da cidade assim, colorida e cheirosa.

É por isso que, nas minhas deslocações a pé dou preferência aos caminhos filtrados pelo azul dos Jacarandás.

Digam lá se não é bonito de se ver!

1 comentário:

Anónimo disse...

Adoro flores, em meu percurso diário passo por uma rua só de floristas, por mais que esteja com pressa me prendo aos detalhes, a matizes, aos perfumes.
FLores, são como champagne e chocolate, fazem bem a alma.