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sábado, 26 de junho de 2010

O CONCERTO

A música era dos Pink Floyd, mas ele não era muito dos Pink, era mais homem dos blues, do Jazz, frequentador habitual do Hot Club.

Mas, naquela noite, tinha recebido o convite, não podia faltar, o seu amigo Eduardo ia tocar. Era num convento, nos claustros, em ambiente de verão, com calor húmido e ar abafado. Estava marcado para as 21 horas. 

A trovoada chegou cedo. Forte, de estalar os ossos, de iluminar dias de sol, ensurdecedora, acompanhada de chuva e de granizo de bolas, daquelas que fazem mossa nas carroçarias dos automóveis, partem vidros, desfrutam as árvores, arrasam as alfaces e aniquilam o que ainda resta das framboesas.

A luz, como sempre sucede, desmaiou com o susto e não quis acordar da sua letargia. Diz-se que foi um disjuntor na sub-estação; sempre o mesmo disjuntor a acarretar com as culpas.

A cidade às escuras, sem electricidade e sem luz, e com uma chuva medonha; e, assim, não houve a réplica dos Pink Floyd!

Foi para casa, lentamente, na escuridão e com chuva forte, iluminando as curvas da serra com os faróis brancos de xénon do carro.

Chegado a casa, ligou o gerador eléctrico e, calmamente, bebendo um Porto solitário, deixou-se ficar a escutar o piano de Keith Jarrett,  no Concerto de Colónia.

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