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segunda-feira, 21 de junho de 2010

GEL



















Quando a pandemia da gripe estava nos jornais, nas televisões, nas conferências de imprensa da ministra da saúde ou do director geral de saúde, toda a gente andava de frasquinho de gel hidroalcoólico para desinfectar as mãos e não havia local ou bancada que não tivesse frascos doseadores para as pessoas se desinfectarem e, até, máscaras. 

Agora, que ninguém pensa mais nisso, é ver desses frascos ou suportes, ainda por muitos sítios, mas vazios ou com ar de abandono.

Foi, como muitas coisas da nossa vida, um acto de paixão, de entrega a uma causa mas que, com o correr do tempo e sem haver mais motivação, se  vai abandonando.

Espero, ao menos, que nas escolas as crianças tenham adquirido esses gestos de boa higiene e que perdurem. Mas para tudo é preciso persistência nos actos, nos exemplos, e que devem vir de quem os deve dar: os educadores, os professores, os pais (alguns! porque nem todos, infelizmente, o são capazes), a sociedade em geral.

De facto, se não apostarmos nas crianças, se não lhes incutirmos as normas de bem viver, de educação, de cultura, nunca teremos homens amanhã.

Foi o que ainda não se fez após 37 anos de 25 de Abril; por isso, tudo continua na mesma e as crianças de agora, os homens do nosso futuro, vão aprendendo  os bons exemplos que vêem no dia a dia: primeiros ministros que mentem e persistem na mentira, favores políticos que são generosamente pagos, justiça que não  funciona nem quer funcionar, corrupção por tudo quanto é lado, esbanjamento dos bens públicos, faces ocultas, processos de pedofilia que não têm fim, um mundo de aparências  baseado na perversão dos valores éticos, no  "mais vale parecê-lo que sê-lo", no tal "mudam-se os tempos, mudam-se as verdades" do mário soares...

Pena o gel não servir para limpar esta nódoa imensa que fizeram do nosso Portugal.

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