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domingo, 15 de janeiro de 2012

A VELHA ANGÚSTIA

"Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.


Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar-entre,
Este quase,
Este pode ser que...,
Isto.
..."
in Álvaro de Campos. Poesia.


É este viver que não é vida de viver,
É este andar sem saber por onde ir,
É este sonhar sem poder imaginar,
É este chorar de lágrimas de razão,
É esta angústia que escorre e aniquila,
É este hoje sem saber de o amanhã...



3 comentários:

Anónimo disse...

Sensibilidade à flor das palavras! Obrigada e uma tranqüila semana. Beijinhos, Lola

Anónimo disse...

Alvaro de Campos e o intimismo. Muito meu, muito nosso.
Beijos
Berta

Maria Paz disse...

Esse poema adapta-se de tal forma ao meu estado actual que poderia tê-lo escrito. Ando a tentar dar a volta por cima.
Hugs