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domingo, 9 de outubro de 2011

O VELHO

Ali estava, como habitualmente, sentado no mesmo banco, não longe da porta do supermercado. 

Desta vez tinha, de diferente, a seu lado, um saco, dos recicláveis, do tipo dos que agora se oferecem na compra dos semanários, com fotografias do meio ambiente ou dos que se vendem nos supermercados, a imitar um cesto de compras
 
De resto, os mesmos sapatos já muito usados, as calças de padrão escocês a lembrar um jogador de golfe em decadência, o casaco velho, gasto, de lapelas bem ensebadas, o chapéu mole, de cor indefinida pela sujidade... tudo igual excepto o tal saco novo, bem aberto, ali, a seu lado, no banco, meio cheio de compras.

Como habitualmente, deu-lhe o cumprimento do "como vai isso?", deixou-lhe a moeda na mão e fez um comentário por causa do saco, novo, parecia a estrear, bem aberto, e já quase cheio...

Ele respondeu-lhe, na sua voz arrastada e rouca, que ali, hoje, era a sua campanha do banco alimentar; a quem falasse com ele e que fosse ao supermercado, pedia alguma coisa do que lhe fizesse falta para ele e para a mulher, doente, que não podia sair de casa.

Quando voltou a passar diante dele, para lhe deixar o seu contributo, reparou que  o saco já estava quase cheio.

"E agora como vai levar isso assim tão carregado?", perguntou preocupado.

"O mundo é feito de pessoas boas", respondeu ele.

Todos o têm ajudado, tal como ele sempre o fez com os outros.

É que tem um vizinho, motorista de táxi, antigo colega do filho falecido, que o leva para casa, daqui a nada, mal acabe o turno.

"Olhe, lá vem ele! Não se importa de me ajudar a carregar o saco até ao táxi?"


1 comentário:

Anónimo disse...

É tão bom acreditar que ainda há solidariedade e gente boa!! Comove-nos.
Beijos e boa semana
Berta