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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS CINZAS E O PÓ

Hoje é quarta-feira de cinzas, dia que marca o começo da Quaresma no calendário cristão ocidental. Cinzas que servem para lembrar o início de um período de reflexão, de mudança de vida, lembrando quão efémera e transitória é a passagem por esta vida.

(Quarta-feira de Cinzas - pintor Carl Spitzweg)


Porque é dia de entrada num círculo novo do calendário da vida lembrei uma pequenina parte do Sermão de Quarta-Feira de Cinzas, do Padre António Vieira, que aqui deixo:

"Notai. Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequeno, outros mínimo. Mas, ou o caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo, como é círculo de pó a pó, sempre e em qualquer parte da vida somos pó. Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele tanto mais se chega para ele; e quem quanto mais se aparta mais se chega, não se aparta. O pó que foi nosso princípio, esse mesmo, e não outro, é o nosso fim, e porque caminhamos circularmente deste pó para este pó, quanto mais parece que nos apartamos dele, tanto mais nos chegamos para ele; o passo que nos aparta, esse mesmo nos chega; o dia que faz a vida, esse mesmo a desfaz. E como esta roda que anda e desanda juntamente sempre nos vai moendo, sempre somos pó." 


1 comentário:

Anónimo disse...

Sr. Doutor, hoje deixa-me um amargo na alma. De facto, somos só pó...

Beijos
Berta