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quarta-feira, 6 de julho de 2011

A MORTE

A morte vem e a morte leva. A morte bate à porta mas não fica à espera. Entra pela casa dentro, não pede licença, não se senta para tomar chá.

Às vezes vem violenta, arrasadora, outras entra de mansinho e leva sem dor, sem sofrimento físico.

Não diz adeus, não deixa despedidas, não quer abraços, só os dela, não dá tempo para uma carta de despedida, nem, mesmo, para um telefonema.

Assim chegou hoje, desta vez não tão inesperadamente como é costume. Já tinha feito soar as trombetas, já se tinha feito anunciar pela doença que não perdoa, pelo agravar da extensão das lesões, pelo aspecto que não enganava, pelos olhos encovados e escuros, pela forma como falava, pela marcha mais imprecisa... Uma morte anunciada mas, nunca, nunca desejada.

Desta vez levou a Dr.ª Maria José Nogueira Pinto, uma MULHER a sério, defensora acérrima dos seus ideais, uma MULHER de ideias e de convicções, uma lutadora, uma mulher determinada na defesa dos valores da honra, dos valores éticos...

A Dr.ª Maria José Nogueira Pinto fez-me sempre lembrar Sá Carneiro, na forma como lutava, como se empenhava, como era determinada, como defendia, como se colocou, sempre, na defesa e na proclamação das suas ideias, dos seus convencimentos.

O país muito lhe deve, e ela merecia que a Nação lhe prestasse uma homenagem, uma bandeira a meia haste, um minuto de silêncio, uma sessão de homenagem na Assembleia de República onde foi deputada até ao último dia.

Eu já fiz o meu minuto de silêncio por ela!

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