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terça-feira, 12 de julho de 2011

AS RIFAS

Fora à Quermesse da Santa Casa! Desta vez era para ajudar os idosos e os deficientes a cargo da Instituição. A entrada não era paga, não havia ninguém a pedir dinheiro com um saco na mão mas, em contrapartida, havia muita banca onde podia gastar o seu dinheiro.

Como era para um bem social, por uma causa justa, as bancas estavam cheias de pessoas, todos queriam ajudar e contribuir para que a Quermesse fosse um êxito, tivesse sucesso, e os idosos, assim como os jovens deficientes, pudessem beneficiar de toda a ajuda.

Havia uma banca onde se vendiam manjericos a sério, outra onde os manjericos eram de papel, mas todos vinham com uma quadra feita, no momento, pelo "poeta" de serviço, havia uma banca para os "bebes", outra para os "comes", também havia a da sardinha assada, que tinha uma fila comprida, uma com bolas de trapos para serem atiradas contra as latas vazias que estavam no fundo da barraquinha, outra de dardos com um alvo redondo em que só levava prémio, um manjerico, quem acertasse mesmo no centro - até àquele momento ainda estavam, por lá, todos os manjericos - e havia, bem lá no fundo, a banca das rifas, daquelas de papel enrolado e dobrado ao meio. Custavam um euro cada.



Comprou uma mão cheia delas, nem as contou, sempre era por uma causa social, e foi desenrolando, lentamente, uma a uma, cada folhinha daquele papel branco, na esperança de encontrar um número ou uma letra a que iria corresponder um prémio.

Daquela mão cheia de papel apenas três folhinhas tinham um número, três prémios, que deram quase a mesma emoção de quem estava à espera dos números do euromilhões. Três prémios adequados ao sorteio, três prémios que tinham sido oferecidos ou feitos por anónimos ofertantes: uma caneca de louça, um paninho bordado e uma caixinha forrada de chita. Ficaram lá na banca, para que se fizesse novo sorteio, mais umas quantas rifas, mais uns quantos dinheiros que iam entrar.

Ficou satisfeito por ter ido à Quermesse, por ter visto aquele espaço cheio de muita gente, por ver aqueles idosos contentes, divertidos, por ter visto muitos jovens voluntários e animados a darem apoio àqueles portadores de deficiências para que se sentissem felizes naquela noite que lhes era, inteiramente dedicada.


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