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sábado, 6 de outubro de 2012

O 5 DE OUTUBRO DA VERGONHA

Hoje falo na primeira pessoa e é por vergonha que o faço:

Vergonha de ter uns dirigentes como aqueles que tenho.

Vergonha por, esses dirigentes, terem impedido que o povo se pudesse manifestar no seu apoio à causa da República, como sempre foi feito, na sua sala de visitas que é a Praça do Município onde, no dia 5 de Outubro de 1910, foi declarada a República. Certamente que foi por medo deste povo, o mesmo povo que o ministro das Finanças, ainda há poucas horas, tinha denominado como "o melhor povo do mundo". Foram expressivas as imagens, nas televisões, das barreiras policiais, e de polícias com metralhadoras nos telhados dos edifícios... Apenas duas mulheres conseguiram furar o cordão policial, no Pátio da Galé, quando o Cavaco Silva fazia o seu discurso, quase em privado, para uma assistência seleccionada: uma mulher, de 57 anos, que gritou do fundo da sala, desesperada, porque não sabe o que fazer com a "choruda" pensão de 227 euros que recebe cada mês; a outra, uma cantora lírica, que se pôs a cantar, com a música "Firmeza" de Fernando Lopes-Graça, um poema de Cochofel - "Não seja o travor das lágrimas / capaz de embargar-te a voz; / que a boca a sorrir não mate / nos lábios o brado de combate. / Olha que a vida nos acena para além da luta. / Canta os sonhos com que esperas, / que o espelho da vida nos escuta."

Vergonha pela forma como o Cavaco Silva abandonou, prontamente, a sala saindo às escondidas por uma porta lateral.
(TIRADA DA NET)

Vergonha por ter um governo que resolve eliminar um feriado tão importante para a República, como o do seu próprio dia.

Vergonha por ter um primeiro-ministro do governo desta República que, na comemoração do seu 102º aniversário, vai para fora do país.

Vergonha pela vergonha que sinto por tudo isto e pelo que ainda nos vai acontecer.



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3 comentários:

annie hall disse...

A bandeira, simbolo da Nação foi subidacom asquinas viradas parabaixo eali ficou assim.....

Manuel Poppe disse...

Sim, meu querido amigo: disse tudo! Vergonha, vergonha, vergonha! Um grande abraço!

Anónimo disse...

Entendo...

Ana Hertz