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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

AMORAS





Nos muitos caminhos da Serra, quase abandonada, as silvas vão cobrindo os muros velhos, em ruínas, formando sebes intransponíveis, entrelaçando os ramos cobertos de espinhos afiados, agressivos e tecendo rendas que guardam, no interior da sua malha, defendidos, cachos de amoras negras e cor de rubi.

Ferem-se as mãos, picam-se os dedos, risca-se a pele... mas vale a pena a mão cheia daqueles frutos delicados e aromáticos!

E, ao deixarem-se derreter na boca, lentamente, uma a uma, vão libertando densos sabores que lembram a marmelada, as compotas e os doces, o lume da lareira, o chiar da panela de ferro, as castanhas assadas, a jeropiga e a água pé dos outonos que começam a chegar trazendo os frios, tornando os dias mais curtos, antecipando o anoitecer, pedindo mantas e a envolvência de uma música, mansa e morna, que nos deixe, suavemente, adormecer... 


 
(DO AUTOR - AS AMORAS DE SÃO BENTO PRISIONEIRAS DAS SILVAS AGRESSIVAS)





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5 comentários:

MAXIMINUS disse...

Muito obrigado por tudo aquilo que contribuís para dar prazer aos nossos días com textos desta sensibilidade e beleza

Anónimo disse...

Por incrível que pareça ainda hj sonhei com amoras.... :D

Beatriz André

Anónimo disse...

Lindo! Obrigada pelo envio. Beijinhos, lola

Carlota Pires Dacosta disse...

E que belas amoras temos na nossa região.
Ainda há pouco tempo apanhei umas que estavam uma delícia e fizeram uma compota que nem deu para aquecer, eheh.
Beijinhos

MJ FALCÃO disse...

Bem me lembro dessas amoras, pelas azinhagas da Serra, tantas vezes com o meu pai... Tinham um gosto especial