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quarta-feira, 4 de maio de 2011

O SOFÁ

Era irresistível!

Sentava-se, ligava a televisão e era certo que já não chegava a ver o fim da série, da novela, do filme ou do jogo de futebol...

Ao fim de uns minutos, adoptava uma posição de mais comodidade e eis os olhos a fecharem-se-lhe, a atenção a ficar menos alerta, o respirar a tornar-se mais fundo e pausado a prenunciar sono, tudo isto entrecortado por uns  despertares rápidos e inconsequentes. Depois, já não havia barulhos, emoções, músicas ou escapes de motores, nem golos de penalti que o acordassem.

Era naquele sofá que tirava uma belas sestas, era naquele sofá que deixava de ver  os bons filmes, as boas séries e os bons espectáculos e não era por culpa da televisão, que se avariasse, nem era por culpa dele próprio que estava ali, de corpo bem presente mas, talvez fosse por culpa daquele sofá velho, de tecido coçado, de molas pasmadas, já quase moldado ao feitio do seu corpo...

Mas já ia ser  por pouco tempo, estava na altura de ser trocado, e para a semana vinha já um sofá novo, que tinha visto numa loja, em promoção. O novo  prometia um sentar tranquilo, relaxado, repousante, um sentar de sonho!

Mas afinal não era isto que o velho já fazia?

 

1 comentário:

annie hall disse...

O sofá velho era mais que um simples sofa, era um amigo.Espero que tenha desistido da compra senão nunca mais vai tirar belas sestas .